quarta-feira, 10 de março de 2021

Ricardo Gondim critica igrejas que mantém cultos: ‘Vida é mais importante que doutrina’

Ricardo Gondim, escritor e teólogo que reiteradas vezes declarou seu rompimento com o movimento evangélico, está tecendo críticas às igrejas que continuam atuando como congregação dos fiéis e realizando cultos a Deus em meio à pandemia.

O líder da Igreja Betesda explicitou seu discurso antropocêntrico ao afirmar que a “centralidade da vida” é o que norteia a mensagem que pregada por ele, e que a “relativização de ritos e doutrinas” se faz necessária para vencer a virose originária da China.

Militante político de esquerda, Gondim afirmou em julho passado que “não existe doutrina vinda do céu” e que não acredita na “inerrância da Bíblia”.

A partir desse contexto, o teólogo entende que toda a leitura da Bíblia Sagrada deve ser feita sob a ótica de valores humanos, e por isso, é inaceitável que igrejas, por qualquer que seja o motivo, tenham decidido realizar cultos presenciais durante a pandemia.

O templo da Betesda, com capacidade para aproximadamente 2.300 pessoas simultaneamente, está fechado para cultos há um ano. Desde então, as celebrações são feitas online, com exceção para a distribuição de alimentos e cestas básicas. Localizada na zona sul da capital paulista, a igreja tem um perfil socioeconômico dos membros diferente do resto do país.

Em entrevista ao portal Uol, Gondim acusou as igrejas que não fecharam seus templos de tomar essa decisão para não entrar em contradição: “Há igrejas que prometeram, por muito tempo, que os seus membros iam ser protegidos, que há uma bênção especial de Deus para os crentes, que aquele que serve a Deus tem uma certa ‘imunidade’ na vida, que Deus é salvamento, libertação e grande milagres. Diante de uma pandemia como essa, admitir que as pessoas estão vulneráveis e podem morrer seria negar todo o discurso de vários anos”, disse, em tom simplista.

Com a falta de leitos nos hospitais e aumento de mortes por covid-19 nas últimas semanas, Gondim acredita que “estamos diante do mesmo dilema da peste bubônica na Europa da Idade Média”, e que as igrejas podem ser responsáveis pelo prolongamento da pandemia: “Acreditava-se que os mosteiros eram santuários de proteção, mas eles se tornaram vetores de transmissão da peste, com padres e monges expostos à praga. Agora, a história se repete”.

Embora reconheça que igrejas pequenas sofrem para se manter funcionando, o teólogo repudia o exercício da liberdade religiosa: “Manter uma igreja num contexto urbano é caro, há o custo de manutenção dos pastores e dos funcionários. E não estou falando das megaigrejas, dos megaempreendimentos religiosos, que têm um estofo, uma garantia e querem manter a roda girando. Estou falando das pequenas igrejas”, admitiu.

Na Betesda, sempre tivemos um discurso de que a vida é mais importante do que doutrina. E chegamos num ponto de colocarmos à prova aquilo que sempre falamos, da centralidade da vida e da relativização de ritos, doutrinas, dogmas e tudo aquilo que mantém o exercício religioso. Pagando o preço de ser coerente e leal ao discurso”, concluiu, explicitando que em sua pregação, o ser humano é o centro.

Fonte: Gospel+

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