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sábado, 11 de julho de 2026

Ex-muçulmano turco revela por que tantos estão se convertendo a Jesus


 

Ex-muçulmano turco explica jornada de fé comparando Jesus e Maomé e o impacto da internet na busca por verdade


Um ex-muçulmano de origem turca detalhou os motivos que o levaram a abraçar o cristianismo, após uma análise pessoal comparativa entre as vidas de Maomé e Jesus Cristo. Enes Ovat, que cresceu em uma família muçulmana na Austrália, passou a questionar os ensinamentos recebidos ao buscar tornar sua fé algo pessoal.

Inicialmente, Ovat desconhecia muitos aspectos sobre Jesus, vendo-o apenas em representações na mídia e questionando o significado da crucificação. Embora reconhecesse Jesus como um profeta, a missão de sua vida permanecia um mistério para ele.

Ovat explicou que líderes islâmicos ensinavam que a Bíblia era corrompida, invalidando a confiança nas palavras de Jesus. Ele acreditava que o cristianismo era uma religião mutável, usada como desculpa para o pecado, e que era seguida por pessoas fracas. "Simplesmente pensei que era uma religião para os fracos, talvez", relatou Ovat à CBN News.

A convicção de Ovat começou a vacilar quando decidiu examinar criticamente a vida de Maomé em comparação com a de Jesus. Ele começou a duvidar do Islã ao ponderar se Maomé seria realmente um profeta para todos os tempos, citando seu número de esposas e a controvérsia envolvendo uma delas. "Se queremos tomá-lo como um modelo, precisamos questionar as ações de Maomé", ponderou Ovat.

Após identificar falhas na figura de Maomé, Ovat passou a investigar Jesus, lembrando-se de como o Alcorão o descreve com títulos elevados, como Messias e Palavra de Deus. Essa reflexão o levou a questionar o que tornava Jesus tão especial.

Para Ovat, a essência especial de Jesus reside no amor. Ele contrastou os ensinamentos de Jesus sobre amar os inimigos com os do Alcorão, que, segundo ele, no capítulo 9, versículo 29, incita a lutar contra o Povo do Livro. "Eu vi esse grande contraste e foi o que realmente começou a mudar minha mentalidade sobre religião, mudar minha mentalidade sobre o Islã", expressou Ovat, abrindo suas barreiras para o cristianismo.

Ovat acredita que a internet desempenha um papel crucial ao desafiar a fé islâmica, permitindo que muçulmanos globalmente busquem verdade e liberdade. Ele argumenta que a internet expõe informações que antes não eram acessíveis, revelando aspectos do Islã que muitos não conheceram em sua juventude. "Todas aquelas mentiras estão sendo expostas, então os muçulmanos estão vendo isso e pensando: 'Cara, eu nunca fui informado disso'", disse ele.

O ex-muçulmano descreve a transformação para o cristianismo como um momento de poder, comparável à conversão de Saulo a Paulo, com um forte desejo de compartilhar a liberdade recém-descoberta com outros. "Sentimos que somos livres e queremos que você também seja livre. Essa é a paixão", afirmou Ovat, sugerindo que essa paixão explica o movimento observado em locais como o Irã.

Ovat conclui que, enquanto outras visões de mundo exigem obediência para aceitação, Jesus oferece aceitação incondicional como ponto de partida para a obediência. "Jesus diz 'Eu te aceito, agora obedece'", finalizou.

Fonte: Tribuna Gospel

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Número de igrejas evangélicas dobra em uma década e chega a 4.800 na Espanha



Crescimento evangélico ganha força na Espanha, impulsionado por imigrantes e por ações evangelísticas, como o Festival Esperança.


A Espanha vive um crescimento visível do movimento evangélico, impulsionado principalmente pela chegada de imigrantes latino‑americanos e pela maior presença pública de grandes eventos.

O avanço, que já vinha se consolidando ao longo da última década, ganhou novo destaque com a realização do Festival da Esperança em Madri.

Milhares de pessoas cantaram, ergueram as mãos e acompanharam o evento realizado nos dias 30 e 31 de maio no Palácio Vistalegre, dirigido pelo evangelista Franklin Graham, presidente da Associação Evangelística Billy Graham.

“A Espanha precisa de esperança, e essa esperança encontra-se em Jesus Cristo”, afirmou Graham perante o público.

Quase 4.800 igrejas

Segundo a Euronews, a Espanha registrou 4.763 templos evangélicos em 2025, quase o dobro do número existente em 2011.

A Catalunha concentra atualmente 1.010 igrejas evangélicas, seguida da capital, Madri, com 855, da Andaluzia com 744 e da Comunidade Valenciana com 510.

O crescimento tem sido especialmente visível na região de Madri. Dados do Observatório indicam que o número de igrejas evangélicas passou de cerca de 662 para 855 em apenas uma década, mostrando a força da expansão no principal centro urbano do país.

O que durante décadas esteve associado a pequenas congregações de bairro hoje é capaz de lotar alguns dos maiores espaços da Espanha.

Aumento de templos

Embora a Igreja Católica siga amplamente majoritária, com 22.922 locais de culto registrados, as igrejas evangélicas já representam mais da metade de todos os centros religiosos pertencentes a confissões não católicas.

Organizações evangélicas estimam que a comunidade no país reúna cerca de 1,5 milhão de pessoas, embora não existam estatísticas oficiais precisas sobre o número de fiéis.

O avanço não aparece apenas no aumento de templos.

Segundo várias organizações evangélicas, a presença das igrejas também cresceu em universidades, associações de moradores, meios de comunicação, eventos públicos e redes sociais – um salto de visibilidade muito maior do que o observado há apenas duas décadas.

O Festival Esperança, liderado por Franklin Graham em Madri, reuniu milhares de pessoas em meio ao crescimento evangélico na Espanha. (Foto: Franklin_Graham/X)

Eventos públicos

O festival liderado por Graham reuniu quase 19 mil pessoas e mobilizou 840 igrejas de diferentes regiões. Cerca de 9.800 pessoas participaram ainda em atividades de formação e evangelização realizadas nos meses anteriores.

A preparação incluiu meses ainda a formação de voluntários, evidenciando a capacidade organizativa e o alcance do movimento.

O evento não foi isolado. Semanas antes, outro o The Change Madrid havia reunido 35 mil pessoas, reforçando a presença crescente dos evangélicos no espaço público espanhol.

Recentemente, outro evento público em ruas de diversas cidades espanholas também mobilizou os evangélicos.

Milhares de pessoas participaram de 45 encontros de oração em locais públicos e templo de diferentes cidades.

A iniciativa España Oramos por Ti realizou um dia nacional de oração que mobilizou o país. Segundo os organizadores, 45 encontros simultâneos ocorreram em diversas cidades da Espanha, configurando uma das maiores mobilizações de oração dos evangélicos espanhóis nos últimos anos.

Latino-americanos

Por trás dessa expansão aparece, de forma recorrente, o mesmo fator: a imigração latino‑americana.

Dados recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que a Espanha continua registrando máximos históricos de população, impulsionados sobretudo pela chegada de residentes nascidos no exterior.

Entre as nacionalidades que mais cresceram nos últimos anos figuram a colombiana e a venezuelana.

Muitos vêm de países onde as igrejas evangélicas têm uma presença muito mais ampla do que na Europa.

Colômbia, Venezuela, Honduras, Guatemala, Brasil e República Dominicana registraram, durante décadas, um forte crescimento das igrejas evangélicas e pentecostais.

Para muitos imigrantes, especialmente latino‑americanos, as igrejas funcionam como rede de apoio social, oferecendo acolhimento, comunidade e assistência prática, além da dimensão espiritual.

Essa combinação tem contribuído para a expansão contínua do movimento e para a multiplicação de templos em todo o país.

Fonte: Guiame

sábado, 11 de abril de 2026

Astronauta Victor Glover da missão Artemis II é cristão e professor da Escola Dominical





Victor Glover, piloto da missão Artemis II da NASA glorifica a Jesus no espaço


O astronauta Victor Glover, piloto da missão Artemis II da NASA, tem chamado atenção não apenas por sua trajetória na exploração espacial, mas também por sua declaração pública de fé.

Em diversas ocasiões, ele destaca que "o maior mandamento é amar a Deus com tudo o que você é", princípio que afirma guiar sua vida pessoal e profissional.

Capitão da Marinha dos Estados Unidos e um dos astronautas mais experientes da atualidade, Glover levou consigo, em sua última viagem ao espaço, itens de valor pessoal e espiritual, como uma Bíblia e fotografias de sua família.

A atitude reforça a importância que a fé exerce em sua rotina, mesmo em ambientes altamente técnicos como o da exploração espacial.
Casado com Dionna e atuante como professor da Escola Bíblica Dominical em sua igreja, o astronauta também é conhecido por integrar sua espiritualidade à sua carreira. Segundo ele, seu objetivo é utilizar os dons e habilidades que possui para servir com excelência, inclusive no avanço das missões espaciais.
A trajetória de Victor Glover tem sido vista como um exemplo de que ciência e fé podem coexistir, inspirando pessoas a buscarem propósito e dedicação em suas áreas de atuação.








quinta-feira, 9 de outubro de 2025

Cerca de 5 mil pessoas se convertem a Jesus diariamente na Índia, afirmam líderes cristãos



A informação foi divulgada durante o Congresso Nacional “Igreja em Missão” (AICOCIM) 2025, promovido pela Evangelical Fellowship of India


Após 15 anos, quase 450 líderes cristãos de todos os estados da Índia se reuniram em Nagpur para o Congresso Nacional "Igreja em Missão" (AICOCIM) 2025, promovido pela Evangelical Fellowship of India (EFI). O evento superou amplamente as expectativas — inicialmente previstas em cerca de 300 participantes — e reuniu representantes de diferentes denominações e áreas como educação, saúde e ministério pastoral.

O encontro, realizado em setembro, marcou um momento de reflexão e renovação espiritual, abordando o crescimento expressivo da Igreja indiana, que, segundo líderes, ganha entre 3 mil e 5 mil novos seguidores de Jesus por dia. Durante a abertura, o secretário-geral da EFI, reverendo Vijayesh Lal, destacou a relevância histórica do congresso em sua mensagem "Um chamado à clareza e à fidelidade".

"Este é um tempo kairós — um momento em que Deus convoca Seu povo à atenção, ao arrependimento e à coragem", afirmou. "Nossa esperança não está em tempos favoráveis nem em nossas forças, mas em Cristo, que venceu a morte. Por isso, não seremos abalados."

O programa incluiu plenárias e consultas em treze eixos estratégicos, entre eles missão, educação teológica, liderança feminina e discipulado. Durante o evento, também foi lançado um "Manual de Resiliência para Igrejas", voltado a apoiar congregações em contextos de crise.

Desafios e perspectivas

Uma das características mais marcantes desta edição foi a ausência de palestrantes internacionais, o que, segundo os organizadores, proporcionou um ambiente de diálogo mais autêntico e contextualizado à realidade indiana.

Entre os principais temas discutidos estiveram a necessidade de ampliar a representatividade feminina na liderança eclesiástica, a resistência à renovação geracional de líderes e o enfrentamento do sistema de castas — considerado incompatível com os princípios cristãos de igualdade e amor ao próximo.

Os participantes também debateram novas oportunidades para a Igreja na Índia, como o cuidado com a saúde mental, o combate à solidão e a atenção integral ao ser humano. "Podemos fazer a diferença ao demonstrar o amor de Cristo, especialmente a quem ninguém mais alcança", destacou um dos palestrantes.

O editor do Christian Daily News, Timothy Goropevsek, que acompanhou o congresso, resumiu a experiência: "Foi um privilégio testemunhar líderes discutindo como levar o Evangelho a uma nação de 1,4 bilhão de pessoas — um sexto do mundo. Saí encorajado e profundamente grato pelo que Deus está fazendo na Índia."


Fonte: Comunhão com informações de Christian Daily News via Folha Gospel

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Igrejas vazias viram restaurantes, academias e até casas de festas na Alemanha





Nos anos 1990, católicos e protestantes somavam 57 milhões de fiéis na Alemanha. Hoje, são pouco mais de 37 milhões.


A perda de fiéis na Alemanha tem levado igrejas católicas e protestantes a se reinventarem. Muitos templos, sobretudo os mais antigos, enfrentam custos anuais de manutenção que giram em torno de 26,5 mil euros, e como a frequência aos cultos despenca, parte deles passou a ser reaproveitada para atividades seculares – de centros esportivos a espaços culturais e até baladas.

A Igreja Evangélica na Alemanha Central (EKM) admite que grande parte dos templos já não é necessária apenas para o culto.

"Já não precisamos mais de metade das igrejas, e temos que encontrar outras possibilidades", afirmou a entidade, que atua em regiões da Saxônia-Anhalt, Turíngia e Brandemburgo.

Segundo a pesquisadora Stefanie Lieb, do Instituto de História da Arte da Universidade de Colônia, a tendência é que "de cada dez igrejas, quatro ou cinco não sejam usadas exclusivamente para a prática religiosa".

As mudanças são diversas. Em Bad Orb, perto de Frankfurt, uma igreja católica desativada virou centro de escalada para crianças e jovens, a "Boulder Church", com investimento de 500 mil euros. Em Limburg, uma capela foi transformada em restaurante e espaço de eventos.

Na Renânia do Norte-Vestfália, a antiga Igreja Martini de Bielefeld passou a receber festas e jantares. Em Berlim, a Heilig-Kreuz, no bairro de Kreuzberg, abriga café, shows, espetáculos de dança e até noites de DJ. A vizinha St. Thomas já sediou raves.

A tendência também aparece em outros países: na Espanha, a antiga igreja de Santa Bárbara, em Llanera, virou o Kaos Temple, reduto de skatistas.

Caminhos para reduzir custos

Nem sempre a saída é secularizar os espaços. Em algumas regiões, como Oberpfalz (sudeste da Alemanha), católicos e protestantes dividem o mesmo templo em 51 casos já registrados. Há também o repasse de igrejas para comunidades ortodoxas.

Ainda assim, vender ou reformar prédios antigos não é simples. Muitos são tombados como patrimônio histórico e não podem ser demolidos ou modificados, o que limita compradores em potencial.

Queda de fiéis e impacto financeiro

Nos anos 1990, católicos e protestantes somavam 57 milhões de fiéis na Alemanha. Hoje, são pouco mais de 37 milhões (23,7% católicos e 21,5% protestantes). Projeções apontam que esse número pode cair para 23 milhões até 2060.

O encolhimento da base de fiéis pesa diretamente nas finanças. Isso porque a filiação religiosa no país está vinculada ao sistema tributário: quem declara oficialmente pertencer a uma religião reconhecida tem parte da renda (entre 8% e 9%) descontada em favor da denominação.

Enquanto igrejas protestante e católica dependem desse imposto, religiões como o Islã e a Ortodoxa prescindem dessa forma de arrecadação.

Fonte: Folha Gospel

domingo, 14 de setembro de 2025

Esta talvez seja a maior ameaça ao cristianismo evangélico atual





É preciso discernimento para perceber e agir diante dessa mudança de uma cultura literária e escrita para uma cultura de oralidade digital



Qualquer organização — seja ela uma empresa, um ministério, uma escola — normalmente se pergunta quais são as maiores ameaças à sua missão. A premissa que está por trás dessa pergunta é que os obstáculos mais perigosos são aqueles cuja aproximação sequer percebemos.

Considere, apenas por um momento, que a maior ameaça ao cristianismo evangélico pode não ser aqueles perigos sobre os quais tanto discutimos e para os quais até criamos estratégias — não é a secularização, não são os debates sobre sexualidade, não é a prisão política, nem o colapso institucional, nem os perpétuos escândalos, nem mesmo a fragmentação e a polarização.

E se todas essas coisas forem meros sintomas da ameaça mais perigosa para a igreja, desde os tempos da Reforma? E se essa ameaça estiver literalmente bem diante dos nossos olhos?

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Em seu livro The Future in the Rearview Mirror [O futuro digital visto pelo retrovisor], Andrey Mir baseia-se no trabalho de estudiosos da mídia, como Marshall McLuhan, Walter Ong e Eric Havelock, para argumentar que os avanços tecnológicos de nossa época estão causando uma mudança muito maior do que a provocada pela Revolução Industrial.

Mir afirma que o que está acontecendo ao nosso redor é semelhante ao que aconteceu na Era Axial, descrita pelo filósofo Karl Jaspers — quando houve uma mudança fundamental na consciência humana, que está ligada ao surgimento de mudanças na linguagem humana, aproximadamente entre 800 e 200 a.C. A Era Axial levou ao surgimento tanto das principais tradições religiosas que conhecemos hoje quanto da ciência, da agricultura, da indústria e da cultura.

A despeito das diferenças existentes entre os estudiosos com quem Mir interage, todos eles concordam que a principal mudança da Era Axial foi na questão da mídia — a transição da mídia oral para a mídia escrita. E isso vai além da mera forma que a informação assume.

As culturas de oralidade são "espirituais" no sentido de o ser humano estar constantemente inserido em um ambiente — e ter todos os seus sentidos ativos e em alerta ao mesmo tempo. Em uma cultura oral, as histórias são transmitidas por meio da repetição, geralmente por meio de cantos ou de contação de histórias, e frequentemente são histórias épicas e heroicas de glórias ou de tragédias do passado. Isso requer uma espécie de conexão totêmica [relação mística com um objeto ou ser espiritual que serve como emblema e símbolo de identidade e ancestralidade] com a natureza e um apego coletivo à tribo. Geralmente, também requer algum tipo de xamã, que é o guardião dessas histórias.

A cultura escrita não muda apenas a maneira como o pensamento é transmitido, segundo Mir, mas reestrutura o pensamento por completo. Exige que a pessoa se desligue momentaneamente dos outros sentidos para se concentrar em apenas um: a visão, o que permite uma introspecção. Isso cria o espaço psicológico para a pessoa ser um indivíduo, sintetizar particularidades em categorias e contrastar sua vida interior com a história geral da tribo.

Somente com essa introspecção é que um indivíduo pode se distanciar da consciência coletiva, mesmo que momentaneamente, e vivenciar uma transformação pessoal. E consegue ter o potencial para um relacionamento pessoal com Deus que transcende a religião tribal e totêmica.

Não foi por acaso, segundo observa Mir, que a mudança da oralidade para a escrita tornou possível o que ele chama de "as grandes tradições religiosas introspectivas", como o judaísmo, o cristianismo, o budismo e o islamismo — todas elas com seus respectivos textos sagrados.

Mir acredita que a aceleração da tecnologia nos dias de hoje significa que o que enfrentamos agora é uma Década Axial, na qual, em poucos anos, toda a estrutura da vida humana será novamente transformada.

As transformações midiáticas da internet, dos smartphones, das mídias sociais e da inteligência artificial estão, de muitas maneiras, desfazendo a mudança feita na Era Axial [da oralidade para a escrita], em direção ao que Mir chama de "oralidade digital".

A escrita exigia atenção focada e reflexão interna. Mas isso agora foi substituído por algo que, apesar de requerer alguns aspectos da escrita — como um alfabeto, por exemplo —, se assemelha mais à oralidade. A vida digital tem menos a ver com a leitura de um texto e mais a ver com o ato de juntar-se a um canto tribal. Ela recompensa a reverberação da identidade tribal em detrimento de qualquer tipo de busca pela verdade objetiva.

Estamos acostumados a debates sobre se a verdade é descoberta ou revelada. Em uma estrutura de oralidade digital, nenhuma dessas duas coisas acontece. Em vez disso, a verdade é encenada.

E verdades encenadas devem ser emotivas, coletivas e compartilháveis. Na cultura das mídias sociais, como argumenta Mir, agora "elegemos a verdade com nossos cliques", da mesma forma que as aldeias de outrora aplaudiam o bardo [poeta-cantor que transmitia oralmente mitos, lendas e histórias de seu povo, acompanhado por música]. Em vez de perguntar "o que é verdade?", sem sequer perceber, nós estamos perguntando: "A verdade de quem merece os nossos aplausos?".

Dentro da igreja, frequentemente nós nos pegamos batendo boca por causa do último acontecimento ruim do momento — daí a crítica implacável ao individualismo. Contudo, Mir argumenta que, com o surgimento da oralidade digital, o que enfrentamos agora não é o individualismo, mas sim a substituição dos indivíduos pelo que ele chama de "divíduos" [ou seja, Mir retira o "in" da palavra como forma de dizer que agora são seres incapazes de introspecção, de reflexão interna].

Algoritmos customizam tudo para nós, não com base em quem somos pessoalmente, mas por categorias mediante as quais possamos ser comercializados. Isso coincide, segundo ele argumenta, com as políticas identitárias que hoje caracterizam tanto a direita quanto a esquerda na sociedade ocidental. Nós nos vemos definidos por características de marcadores identitários que afundam e absorvem nosso "eu" no aspecto político ou na tribo consumidora.

Isso, como argumenta Mir, leva a uma "retribalização digital" de identidades compartilháveis, para a qual a lealdade tribal parece ser, novamente, uma questão de vida ou morte. Um subproduto dessa retribalização é a incapacidade de assumir o tipo de distanciamento que, por exemplo, colocaria verdades e princípios acima da mera definição de quem são nossos amigos ou inimigos, daqueles que são "um de nós" e daqueles que não são.

Além disso, em uma estrutura digital, a pessoa tende a se fundir não apenas com a tribo, mas também com o próprio ambiente imersivo. Observe como o seu span de atenção diminui, mesmo que você esteja tentando ler a Bíblia, quando está constantemente ligado nas notificações, alertas e estímulos para acompanhar na internet outra discussão de ideias, para conversar com outra pessoa.

A Bíblia descreve as correntes cruzadas de consciência que hoje enfrentamos. Observe, após o êxodo do Egito, o contraste entre Moisés — que ficou a sós com Deus no Sinai e recebeu dele um texto escrito, os dez mandamentos inscritos em pedra — e o povo que ficou lá embaixo do monte.

O povo queria uma experiência religiosa característica da oralidade primária. Queriam fundir-se com a natureza, com o poder e a fertilidade do bezerro feito com ouro. Queriam um totem, não uma Torá. E pediram que Arão fosse um xamã, e não um profeta — que ele criasse uma verdade religiosa conforme o que eles exigiam, ou seja, uma experiência religiosa sensorial, comunitária e imediata.

Mas o caminho do Deus de Abraão, Isaque e Jacó era bem diferente disso, pois não exigia um mero assentimento tribal, mas uma obediência pessoal e consciente (Dt 30.11-20).

Seja lá qual forem as outras coisas que o cristianismo evangélico traz para o restante do corpo de Cristo, há duas coisas que são preponderantes: uma ênfase na necessidade de transformação pessoal e interna e uma ênfase na autoridade do texto das Escrituras e que está acima da lealdade ou da identidade a tribos ou a instituições.

A transformação pessoal é fácil de caricaturar, com o revirar de olhos em apresentações evangelísticas que perguntam "você tem um relacionamento pessoal com Jesus?", embora ela preserve uma verdade essencial do evangelho. Se todo o Israel seguir Acabe na adoração a Baal, ainda assim haverá um Elias.

O rei e os profetas da corte podem até concordar a respeito de qual verdade conta como lealdade, mas isso ignora como Jeremias pode ser, de fato, aquele que carrega uma palavra de Deus. Alguém pode deixar pai e mãe — como Pedro, Tiago e João fizeram — ou pode deixar a sua identidade como cobrador de impostos, como Mateus fez, e responder ao chamado de Jesus: "siga-me". Esse chamado não se aplica apenas a categorias ou a instituições, mas sim a pessoas.

O evangelho é mais do que "Eu e Jesus", sem dúvida; mas ai de nós se ele for menos do que isso. Para ser ouvida, uma pessoa precisa ouvir mais do que apenas a "verdade" coletiva da tribo. Precisa ouvir, acima de tudo, a voz que pergunta: "Mas e vocês? […] Quem vocês dizem que eu sou?" (Mateus 16.15, ênfase acrescentada).

A ênfase evangélica na Bíblia, na autoridade do texto das Escrituras, é igualmente de importância crucial. Ela pode levar a algum tipo de "biblicismo" que se proponha a ignorar a história da igreja e a sabedoria dos séculos? Claro que pode. Poderia a ênfase na memorização e na meditação pessoal dos textos da Bíblia levar pessoas a, erroneamente, concluir que a leitura coletiva das Escrituras não é importante, ou a fazer uma leitura seletiva da Bíblia de forma que ela se alinhe a preconceitos preexistentes? Sim, poderia.

Mas, sem esse encontro pessoal com as Escrituras, o que nos resta é o tipo de lealdade tribal que Jesus diz que pode fazer com que ele tire da igreja o candelabro da sua presença. Cada geração deve atentar para estas palavras: "Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas" (Apocalipse 3.22).

A doutrina da inerrância bíblica tem sido usada, às vezes, por pessoas mal-intencionadas que buscaram sustentar sua própria autoridade; porém, isso não significa que essa doutrina não seja verdadeira. Por trás do conceito de inerrância há uma afirmação que visa, a longo prazo, frustrar as pretensões dos xamãs e dos bardos.

Deus falou — e falou em verdade — ao seu povo mediante um Verbo/uma Palavra que se estende para além deles; um Verbo/uma Palavra que convida esse povo a ouvir e a ser transformado. A ênfase evangélica na Bíblia nos lembra que a questão principal não é se "Esta verdade é conveniente?". Nem é se "Esta verdade me levará a ser exilado da minha comunidade?". E menos ainda se "Esta verdade vai encontrar um público expressivo?". Antes, a questão principal é esta: "Assim diz o Senhor".

O evangelho não é uma ferramenta para sustentar o individualismo, ainda que sem um certo tipo de individualismo não possamos ouvir o evangelho. Assim como os Efésios fizeram em relação ao templo de Ártemis, nós só podemos ouvir a afirmação da verdade que sustenta a glória do grupo (Atos 19.27). E, também como no caso de Ártemis, essa afirmação da verdade geralmente é sustentada por quem lucra com ela (v. 25), bem como por qualquer multidão que seja incitada a se enfurecer contra qualquer coisa que ameace essa verdade (v. 28).

A oralidade digital não é um obstáculo definitivo para o evangelho nem para a Bíblia — nada o é. Mas se não reconhecermos a maneira como essa oralidade está nos remodelando, não seremos capazes de discordar das maneiras como ela pode nos anestesiar e nos impedir de ouvir o evangelho e de refletir com profundidade sobre a narrativa das Escrituras. Se o que estiver em jogo for a cultura escrita, os custos são altos — democracia, ciência, Estado de Direito —, mas nenhum desses custos é eterno.

O que realmente está em jogo é muito mais do que tudo isso. Se não enxergarmos e identificarmos essa atração irresistível pela oralidade digital, nos conformaremos a ela. Trocaremos, então, a característica distintiva do testemunho evangélico, como o apelo ao arrependimento pessoal e à fé, como povo do Livro, por algo que é ainda pior do que o deísmo terapêutico moral: o totemismo da oralidade digital.

Isso deixará para um futuro Josias a tarefa de convocar o povo a perceber o que se perdeu: a Palavra do Senhor, que está tão oculta que dela as pessoas nem ao menos sentem falta, e os ossos do profeta esquecido, que alertou sobre o que acontece quando a lealdade tribal substitui a Palavra (2Reis 22.9–23.20).

Não podemos impedir que o meio seja a mensagem, como McLuhan alerta. Não podemos deter mudanças, sejam elas axiais ou não, visto que são muito maiores do que qualquer um de nós.

Mas podemos decidir preservar a nossa atenção. Cada um de nós pode se determinar a cultivar um foco na Palavra escrita de Deus e na solitude interior da oração. Podemos manter vivo aquilo que ainda se pode ouvir e, portanto, que ainda se pode dizer: "Vocês precisam nascer de novo".

Este artigo foi adaptado da newsletter de Russell Moore. Inscreva-se aqui.

Fonte: Christianity Today

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