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quarta-feira, 15 de abril de 2026

Justiça da Alemanha e da Áustria autoriza orações perto de clínicas de aborto





Juízes dizem que opinião e oração pacíficas não configuram automaticamente assédio a mulheres que buscam interromper a gravidez.


Decisões judiciais na Alemanha e na Áustria voltaram a permitir vigílias e orações pró-vida nas proximidades de clínicas de aborto, após autoridades locais tentarem restringir esse tipo de manifestação pública.

Segundo os tribunais, expressões pacíficas de opinião e oração não podem ser automaticamente tratadas como assédio a mulheres que buscam interromper a gravidez.

Nos últimos anos, diversos países europeus adotaram medidas para impedir que mulheres em busca de aborto encontrem pessoas tentando dissuadi-las.

Um dos exemplos mais conhecidos é o Reino Unido, onde grupos pró-vida e defensores das liberdades civis criticaram a criação de “zonas de exclusão” ao redor de clínicas.

Cristãos têm sido denunciados à polícia e multados simplesmente por orarem em silêncio perto de uma dessas clínicas.

Governos de diferentes orientações políticas adotaram restrições ao espaço público em contextos semelhantes. Ainda assim, em dois países da Europa Central, os juízes já anularam essas proibições.

Alemanha

Na Alemanha, o governo do estado da Renânia do Norte-Vestfália havia proibido, em 2024, que um grupo pró-vida se aproximasse a menos de 100 metros de clínicas de aborto.

As autoridades citaram a Lei de Conflito da Gravidez, que veta atos de “assédio ou intimidação” a gestantes.

Mas um tribunal em Aachen concluiu que a lei foi aplicada de forma incorreta.

Segundo a decisão, o grupo, ativo há cerca de 20 anos promovendo alternativas ao aborto, apenas exibia imagens de Jesus ou de crianças, sem abordar diretamente as mulheres nem tentar contato com elas.

Os juízes afirmaram que a legislação não proíbe de forma geral a manifestação de opiniões nem a simples exposição de mulheres grávidas a opiniões divergentes.

Áustria

Na Áustria, um tribunal administrativo de Viena também decidiu em favor da liberdade de reunião.

O grupo Jugend Fürs Leben (“Juventude Pela Vida”) havia anunciado a intenção de realizar uma “oração silenciosa e pacífica pela proteção, dignidade e preservação da vida humana” perto de clínicas de aborto.

A ação chegou a ser denunciada à polícia e proibida inicialmente, mas depois foi autorizada.

Agora, os magistrados deixaram claro que a oração pacífica constitui uma assembleia protegida pela Constituição e que manifestações desse tipo não devem ser proibidas no futuro.

Debate continua

Apesar das decisões, o parlamento austríaco discute em 2026 uma nova legislação sobre assédio em vias públicas, o que pode gerar novos obstáculos para grupos pró-vida.

Ainda assim, encontros de oração e manifestações públicas que não envolvam abordagem indesejada dificilmente poderiam ser proibidos diante das garantias constitucionais de liberdade de expressão e reunião existentes em muitos países europeus.

Segundo o Evangelical Focus, organizações pró-vida têm enfrentado hostilidade em diferentes países europeus.

Em Portugal, durante a Marcha Pela Vida de março de 2026, um indivíduo identificado pela polícia lançou um coquetel molotov contra o evento, sem causar feridos.

Já na Suíça, grupos anarquistas violentos tentaram interromper festivais pró-vida e entraram em confronto com a polícia em diversas ocasiões.

Outra preocupação pró-vida é países de toda a Europa vêm liberalizando suas legislações sobre o aborto.

O exemplo mais recente é o da Inglaterra, onde abortos realizados em casa deixaram de ser processados, mesmo quando ocorrem após o prazo legal.

Fonte: Guiame


segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Igrejas vazias viram restaurantes, academias e até casas de festas na Alemanha





Nos anos 1990, católicos e protestantes somavam 57 milhões de fiéis na Alemanha. Hoje, são pouco mais de 37 milhões.


A perda de fiéis na Alemanha tem levado igrejas católicas e protestantes a se reinventarem. Muitos templos, sobretudo os mais antigos, enfrentam custos anuais de manutenção que giram em torno de 26,5 mil euros, e como a frequência aos cultos despenca, parte deles passou a ser reaproveitada para atividades seculares – de centros esportivos a espaços culturais e até baladas.

A Igreja Evangélica na Alemanha Central (EKM) admite que grande parte dos templos já não é necessária apenas para o culto.

"Já não precisamos mais de metade das igrejas, e temos que encontrar outras possibilidades", afirmou a entidade, que atua em regiões da Saxônia-Anhalt, Turíngia e Brandemburgo.

Segundo a pesquisadora Stefanie Lieb, do Instituto de História da Arte da Universidade de Colônia, a tendência é que "de cada dez igrejas, quatro ou cinco não sejam usadas exclusivamente para a prática religiosa".

As mudanças são diversas. Em Bad Orb, perto de Frankfurt, uma igreja católica desativada virou centro de escalada para crianças e jovens, a "Boulder Church", com investimento de 500 mil euros. Em Limburg, uma capela foi transformada em restaurante e espaço de eventos.

Na Renânia do Norte-Vestfália, a antiga Igreja Martini de Bielefeld passou a receber festas e jantares. Em Berlim, a Heilig-Kreuz, no bairro de Kreuzberg, abriga café, shows, espetáculos de dança e até noites de DJ. A vizinha St. Thomas já sediou raves.

A tendência também aparece em outros países: na Espanha, a antiga igreja de Santa Bárbara, em Llanera, virou o Kaos Temple, reduto de skatistas.

Caminhos para reduzir custos

Nem sempre a saída é secularizar os espaços. Em algumas regiões, como Oberpfalz (sudeste da Alemanha), católicos e protestantes dividem o mesmo templo em 51 casos já registrados. Há também o repasse de igrejas para comunidades ortodoxas.

Ainda assim, vender ou reformar prédios antigos não é simples. Muitos são tombados como patrimônio histórico e não podem ser demolidos ou modificados, o que limita compradores em potencial.

Queda de fiéis e impacto financeiro

Nos anos 1990, católicos e protestantes somavam 57 milhões de fiéis na Alemanha. Hoje, são pouco mais de 37 milhões (23,7% católicos e 21,5% protestantes). Projeções apontam que esse número pode cair para 23 milhões até 2060.

O encolhimento da base de fiéis pesa diretamente nas finanças. Isso porque a filiação religiosa no país está vinculada ao sistema tributário: quem declara oficialmente pertencer a uma religião reconhecida tem parte da renda (entre 8% e 9%) descontada em favor da denominação.

Enquanto igrejas protestante e católica dependem desse imposto, religiões como o Islã e a Ortodoxa prescindem dessa forma de arrecadação.

Fonte: Folha Gospel

quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

Correio alemão emite selo de Natal com mensagem do Evangelho: “Hoje vos nasceu o Salvador”



O selo postal alemão especial de Natal traz o versículo bíblico de Lucas 2.


O Ministério das Finanças da Alemanha emitiu o selo postal especial de Natal, que este ano traz a mensagem do anjo sobre o nascimento de Jesus.

O texto, extraído do Evangelho de Lucas, capítulo 2 e versículo 11 diz: "Hoje vos nasceu o Salvador".

O valor do selo é de 1,25 euros (equivalente a 6 reais), sendo que 40 centavos serão direcionados para promover ação social, com apoio específico às atividades da Associação Federal de Organizações Independentes de Assistência Social.

O texto bíblico completo diz: "Mas o anjo lhes disse: 'Não tenham medo. Estou lhes trazendo boas novas de grande alegria, que são para todo o povo: Hoje, na cidade de Davi, lhes nasceu o Salvador que é Cristo, o Senhor.'" (Lucas 2:10,11).

O desenho do selo postal foi concebido pela Nexd, sediada em Düsseldorf.

O Ministério das Finanças explicou em seu site que "Salvador – etimologicamente significa 'curar, curar, curar'; na linguagem religiosa, o termo é usado em referência a Jesus Cristo como equivalente a 'Salvador' e 'Redentor'".

Segundo Joachum Ochel, representante da principal Igreja Evangélica Protestante da Alemanha (EKD), a descrição acrescenta: "Deus se aproxima das pessoas no espaço e no tempo e as encontra em Jesus Cristo com carne e sangue – esse é o mistério do Natal, que não pode ser conclusivamente considerado teologicamente, cantado musicalmente e artisticamente através dos espaços e através do tempo".

Fonte: Guiame

quinta-feira, 29 de junho de 2023

Igreja Católica perdeu meio milhão de fiéis na Alemanha


"A Igreja desperdiçou a confiança, principalmente como resultado do escândalo de abusos", disse Presidente do Comitê Central dos Católicos Alemães.


Um número recorde de pessoas abandonou a Igreja Católica na Alemanha em 2022, informou a Conferência Episcopal Alemã (DBK, na sigla em alemão) nesta quarta-feira, 28.

No ano passado, 522.821 fiéis encerraram relacionamento oficial com a Igreja, superando o recorde do ano anterior, quando 359.338 pessoas o fizeram.

Apesar do número crescente, a Alemanha ainda registra 20,94 milhões de fiéis registrados oficialmente na Igreja Católica. Esse total representa pouco menos de um quarto da população alemã.

A DBK não explicou as razões para o número recorde de saídas, mas elas seguem uma série de escândalos de abuso sexual infantil que abalaram a Igreja Católica na Alemanha e em vários lugares.

Irme Stetter-Karp, Presidente do Comitê Central dos Católicos Alemães (ZdK), um influente órgão composto por representantes de várias organizações católicas do país, afirmou que estava "triste" com o recorde, "mas não surpresa".

"A Igreja desperdiçou a confiança, principalmente como resultado do escândalo de abusos. Mas também não está mostrando determinação suficiente no momento para implementar visões para um futuro da vida cristã na Igreja", acrescentou.

Abusos sexuais denunciados

Um relatório encomendado pela própria Igreja e publicado em 2018 denunciou que pelo menos 3.677 pessoas, a maioria crianças menores de 13 anos, foram abusadas pelo clero católico entre 1946 e 2014.

Outro relatório, publicado em janeiro de 2022, estabeleceu que o papa Bento 16, morto em dezembro passado, falhou em evitar o abuso infantil durante seu tempo como arcebispo de Munique e Freising, de 1977 a 1982.

Nesta semana, inclusive, a polícia fez buscas em locais ligados ao arcebispo de Colônia, o cardeal Rainer Maria Woelki, sob alegações de falsas declarações que ele teria feito em relação a seu suposto conhecimento de abusos cometidos por membros do clero.

O "imposto da Igreja" na Alemanha

Os fiéis oficialmente registrados na Alemanha pagam um chamado “imposto da Igreja”, que varia entre 8% e 9% de sua renda. A taxa vai diretamente para a Igreja, seja católica ou protestante – isso sem contar com os milhões pagos pelo Estado com o dinheiro do contribuinte.

Ou seja, a perda de fiéis também significa uma redução nos fundos da Igreja.

"A Igreja Católica está morrendo de forma agonizante diante dos olhos do público", afirmou Thomas Schüller, especialista em direito canônico católico da Universidade de Münster e observador atento da Igreja Católica alemã, à agência de notícias alemã DPA.

Mas não só a Igreja Católica tem estado em maus lençóis. As igrejas protestantes tradicionais também viram seu número de fiéis cair. Em 2022, cerca de 380 mil pessoas deixaram a Igreja Evangélica da Alemanha.

Fonte: IstoÉ via Folha Gospel

sexta-feira, 10 de março de 2023

Igreja Evangélica da Alemanha perdeu mais de 380 mil membros em 2022


A Alemanha, berço da Reforma Protestante, é o país com mais pessoas que se descrevem como não religiosas ou ateias

Os números mais recentes de membros da principal linha protestante da Alemanha, a Evangelische Kirche Deutschland (Igreja Evangélica da Alemanha, EKD) confirmam seu declínio.

A perda de filiação dos últimos anos só se acelerou em 2022, com 380 mil saídas da EKD – um aumento de 35,7% em relação a 2021.

É a primeira vez que o número de membros da EKD que morreram ao longo do ano (365.000) não é superado por aqueles que deixam a Igreja ativamente. Em 2021 os que morreram foram 360.000, e os que deixaram a igreja foram 280.000 membros.

O aspecto positivo das estatísticas é que o número de batismos (principalmente de bebês) cresceu para 165.000 em 2022, um aumento de mais de um terço em relação ao ano anterior, voltando aos níveis pré-pandêmicos.

A contagem final mostra que a Igreja Evangélica da Alemanha perdeu 575.000 pessoas em 2022, 2,9% de seus membros.

A Igreja Evangélica da Alemanha tem agora 19,1 milhões de membros, cerca de 23% da população alemã. Em 2022 tinha 19,7 milhões, e em 2007, a Igreja tinha 24,8 milhões de membros.

A Igreja Católica Romana na Alemanha tem um número maior de membros, apesar de também passar por uma crise profunda. Cinco anos atrás, as duas maiores igrejas institucionais ainda representavam mais da metade da população alemã.

Mudanças na liderança para interromper o declínio

Como em todos os anos anteriores, a direção da Igreja Evangélica da Alemanha lamentou os números negativos e disse que trabalharia mais para mudar a tendência. A chefe da Igreja Protestante Alemã, Annette Kurschuss, defendeu o papel da igreja principal: "Sem o cuidado pastoral e a diaconia, e sem o culto e as ofertas congregacionais nas cerca de 20.000 igrejas e capelas, o clima social seria diferente".

Kurschuss foi eleita em 2021, quando a crise de adesão já era uma realidade alarmante para a Igreja Evangélica da Alemanha. Alguns meses antes, outra mulher, a estudante de teologia de 25 anos, Anne-Nicole Heinrich, foi eleita presidente do sínodo da Igreja.

Alemanha é um dos menos religiosos do mundo

Alemanha, berço da Reforma Protestante, é o país com mais pessoas que se descrevem como não religiosas ou ateias, abaixo apenas da China nesse quesito. O apontamento é de uma pesquisa da Statista Global Consumer Survey.

Segundo a Medien Magazine, pessoas de oito países foram questionadas sobre suas crenças religiosas. De acordo com isso, a religião tem a maior influência sobre a população da Índia.

Segundo a pesquisa, 23% da população alemã se descreve como não religiosa. Onze por cento dizem que ser ateus. 

Uma teologia liberal

Em contraste com as igrejas evangélicas livres (incluindo batistas, pentecostais, carismáticos, irmãos e outros), o ensino na maioria das igrejas e seminários da EKD é teologicamente liberal. A frequência à igreja entre os membros da EKD também é muito menor do que entre os cristãos evangélicos livres.

Segundo uma pesquisa de 2019, 33% dos membros da Igreja "não acreditavam em Deus". Uma pesquisa da Pew Research também descobriu que mais protestantes auto-identificados na Alemanha acreditam em astrologia (33%) e reencarnação (24%) do que aqueles que oram diariamente (9%).


Folha Gospel com informações de Evangelical Focus

quinta-feira, 14 de abril de 2022

Pela 1ª vez em séculos, mais de 50% dos alemães não pertencem mais a uma igreja


A previsão é de que em 2060 apenas cerca de 30% da população ainda será católica ou protestante.

A queda de fiéis alemães que frequentam a igreja é sentida nos dois principais ramos do cristianismo: o católico e o protestante.

A Igreja Evangélica na Alemanha (EKD) e do Grupo de Pesquisa World Views na Alemanha (Fowid) mostram que menos da metade da população alemã é membro de uma delas.

É uma ruptura histórica, pois, como um todo, é a primeira vez em séculos que não é mais 'normal' ser membro de uma igreja na Alemanha”, diz o cientista social Carsten Frerk, do grupo de pesquisa Fowid.

A queda é uma tendência que vem acontecendo há algum tempo, segundo Frerk. “Mas acelerou mais nos últimos seis anos do que se pensava anteriormente”, explica.

Trinta anos atrás, cerca de 70% dos alemães ainda eram membros da Igreja Católica Romana ou da EKD (Igreja Evangélica na Alemanha), enquanto 50 anos atrás, o número de frequentadores da igreja era de mais de 90% na Alemanha Ocidental.

As igrejas também previram que em 2060 apenas cerca de 30% da população ainda será católica ou protestante, informa o The Local.

Embora parte do declínio possa ser atribuído ao envelhecimento da população de membros da igreja, os motivos para deixar a igreja variam de economizar impostos a protestar contra a igreja e seu tratamento de casos históricos de abuso.

De acordo com Robert Stephanus, presidente da associação interdenominacional REMID (Religious Studies Media and Information Service) também existem grandes diferenças regionais em relação à membresia da igreja.

Na Baviera a situação é muito diferente da antiga RDA (Alemanha socialista), disse Stephanus, onde o número de membros da igreja protestante caiu de quase 15 milhões para 4 milhões entre 1950 e 1989, enquanto o número de católicos caiu pela metade para cerca de um milhão.

Outras religiões

Apesar da queda dos frequentadores de igrejas, a maioria da população na Alemanha ainda é oficialmente cristã. Além dos membros das duas grandes denominações, ainda existem alguns milhões de outros cristãos, membros de igrejas livres e cristãos ortodoxos (como os gregos, búlgaro, russo, ucraniano, sérvio, romeno ou ortodoxo georgiano).

Mais de 40 por cento da população é agora não-denominacional, cerca de quatro por cento são contados como muçulmanos denominacionais, e o restante é distribuído entre outras religiões, incluindo judeus.

Fonte: Guiame

domingo, 19 de dezembro de 2021

Alemanha pode renomear rua em homenagem a Martinho Lutero por antissemitismo


Cerca de cem ruas e praças de Berlim, capital da Alemanha, podem ser renomeadas para não homenagear as figuras alemãs que tinham opiniões antissemitas, concluiu um estudo encomendado pelo Senado do Estado de Berlim.

Um grupo de pesquisa liderado pelo cientista político Felix Sassmannhausen disse que há 290 lugares públicos na capital da Alemanha cujos nomes se referem a personalidades históricas ligadas ao ódio aos judeus.

Em dois terços dos casos listados, o estudo afirma que a renomeação poderia ser evitada se uma explicação "contextualizada" dos sinais fosse oferecida ao público.

Entre as ruas que devem ser revistas está a Rua Martinho Lutero, que leva o nome do reformador alemão do século XVI. "Martinho Lutero escreveu escritos antijudaicos e foi influente na disseminação do antijudaísmo de motivação cristã", diz o documento.

Outras ruas e praças que homenageiam figuras conhecidas que o relatório recomenda revisar incluem aquelas que se referem ao compositor Richard Wagner, aos contadores de histórias Irmãos Grimm ou ao primeiro chanceler da Alemanha Ocidental, Konrad Adenauer, entre outros.

O comissário berlinense para o antissemitismo, Samuel Salzborn, disse que o ano de Lutero em 2017 foi uma chance perdida de examinar melhor as opiniões antissemitas do teólogo. "Gostaria muito de ver o problema [o antissemitismo de Lutero] abordado de forma mais intensa", afirmou.

Para Sassmanhausen, a discussão em torno da nomenclatura das ruas não é uma questão de "endereços onde vivemos", mas uma questão mais profunda de "visões sociais impressas em nossas placas" que não deveriam mais ser aceitas na cultura de hoje.

Folha Gospel com informações de Evangelical Focus

domingo, 30 de maio de 2021

Alemanha terá local único de culto para cristãos, judeus e muçulmanos


Projeto se chama "Casa de Um" e está sendo erguido no Centro de Berlim

Cristãos, muçulmanos e judeus reunidos sob o mesmo teto: este é o projeto de um local de culto apresentado como único no mundo, que “enaltece a diferença religiosa” e teve sua pedra fundamental lançada nesta quinta-feira (27), em Berlim.

Dez anos depois da concepção do projeto, as obras de construção da chamada House of One (“Casa de Um”), na Ilha dos Museus, no centro de Berlim, foram iniciadas. A previsão é de que elas durem quatro anos. O lançamento foi adiado no ano passado, devido à pandemia da Covid-19.

Construído sobre uma antiga igreja destruída nos tempos da República Democrática Alemã (RDA), comunista, o lugar foi concebido para que cada grupo de fiéis possa rezar de forma separada.

A mesquita, a sinagoga e a igreja protestante estarão, no entanto, unidas entre si por uma grande sala comum, onde será possível celebrar festas e eventos comuns.

Para nós, é um passo à frente, cheio de simbologia – afirmou o imã da mesquita, Kadir Sanci.

Segundo ele, o local de culto de três religiões monoteístas é “um lugar de paz e segurança” e um “elogio à diferença”.

Em discurso durante a cerimônia, o prefeito de Berlim, Michael Müller, denunciou “o ódio, a violência, o antissemitismo e a islamofobia, o racismo e a incitação ao ódio racial”, que “não têm lugar na nossa sociedade”.

O imã, o pastor e o rabino da House of One fizeram curtas orações, antes de objetos simbólicos das três religiões serem cravados no cimento.

*Estadão via Pleno News

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Justiça condena pastor por pregar contra homossexualidade, na Alemanha

Um tribunal de Bremen, no noroeste da Alemanha, condenou um pastor protestante por “discurso de ódio contra homossexuais”, por dizer que homossexualidade é pecado em um seminário sobre casamento em 2019.

O pastor Olaf Latzel, líder da Igreja St. Martini, vinculada à Igreja Evangélica na Alemanha (EKD, na sigla alemã), foi condenado a pagar uma multa de 8.100 euros (equivalente a 49.760 reais). Latzel irá apelar da sentença.

O tribunal concluiu que o pastor promoveu o ódio contra os homossexuais e atacou sua dignidade em um seminário sobre casamento realizado em novembro de 2019, no qual ele chamou as atividades políticas em defesa do movimento LGBT de “homolobby”.

Falando para cerca de 30 casais, Latzel disse: “Por toda parte os criminosos do Christopher Street Day (Parada Gay de Berlim) caminham. Todo esse lixo de gênero é um ataque à ordem da criação de Deus, é demoníaco e satânico”. O vídeo foi publicado meses depois em seu canal no YouTube, mas depois foi excluído.

No processo, a defesa de Latzel explica que as visões do pastor são baseadas na Bíblia e se referiam à homossexualidade como um conceito. Em sua fala, ele se referiu aos ativistas LGBT violentos, e não às pessoas homossexuais de maneira geral.

O juiz rejeitou a defesa, alegando que “a orientação homossexual de uma pessoa faz parte de sua personalidade”.

O advogado de Latzel disse que a decisão é uma “catástrofe”, abrindo as portas para “restringir a liberdade de expressão”. Ele ainda acrescentou que “embora hoje seja um ponto de vista encontrado na Bíblia, amanhã poderá ser qualquer outra opinião”.

Durante a sessão em que a sentença foi anunciada, vários grupos protestaram em frente ao tribunal, tanto a favor como contra Latzel.

Reações

A liderança da Igreja Protestante em Bremen, que já havia “condenado” a conduta de Latzel, disse que estava “preocupada que um pastor de nossa igreja seja condenado por promover o ódio contra um grupo de pessoas”. Eles acreditam que a postura de Latzel poderia atrapalhar a imagem da Igreja Protestante na Alemanha.

Um jurista e colunista do Idea, um site evangélico alemão, se referiu ao caso como um “julgamento claramente errado”. Em contraste, um colunista de outro site evangélico, Pro Medien Magazin, concluiu que “a violência verbal contra homossexuais pode unir seus próprios seguidores [evangélicos], mas afastará os de fora para sempre”.

Nas redes sociais, as opiniões também foram divididas. Enquanto alguns cristãos expressaram “alívio” porque o “pregador do ódio” foi finalmente condenado, outros alertaram que os cristãos estavam começando a ser perseguidos “apenas por pregar o Evangelho”.

Conservador e popular

Por muitos anos, Latzel tem sido uma figura evangélica conservadora e polêmica dentro da Igreja Evangélica na Alemanha, que tem uma tendência teológica liberal.

Sua posição sobre o papel da liderança das mulheres na igreja, ecumenismo e islamismo tem se chocado com a de outros pastores protestantes. Por causa das posições teológicas de Latzel, foram realizadas duas petições na internet pedindo à Igreja Protestante de Bremen que o destituísse do cargo.

No entanto, a frequência à Igreja St. Martini cresceu para mais de 400 fiéis nos últimos anos. O pastor também se tornou uma voz ativa na internet — são mais de 26 mil pessoas inscritas em seu canal no YouTube.

No passado, a Igreja St. Martini relatou ataques com tinta em seus prédios e ações de grupos LGBT interrompendo seus cultos.

Em entrevista à CBN News em 2016, Latzel disse que os ataques o tranquilizam e mostram que ele está na guerra entre Cristo e o diabo.

Este é um sinal de que você está no caminho certo em sua pregação: quando você começa a ter problemas. Se você pregar o Evangelho de Jesus Cristo e todos simplesmente lhe aplaudirem de pé, então alguma coisa está errada”, destacou.

Fonte: Guia-me com informações de Evangelical Focus via Folha Gospel

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Mais de 8.000 marcham contra o aborto, em Berlim


Marcha pela Vida foi organizada pela Associação Federal de Direito da Vida, na Alemanha.


Cristãos foram os principais participantes da "Marcha pela Vida" que aconteceu no sábado (21) e reuniu mais de 8.000 pessoas no Reichstag alemão em Berlim, segundo a Associação Federal de Direito da Vida, organizadora do evento na Alemanha.

A Aliança Evangélica Alemã foi representada por seu presidente, Pastor Ekkehart Vetter. O bispo da Igreja Evangélica Luterana Independente (SELK), Hans-Jörg Voigt, também participou.

O Secretário-Geral da Federação das Igrejas Evangélicas Livres (Batista e Irmãos) e o Presidente da Confederação das Igrejas Evangélicas Livres enviaram suas saudações.

Embora a Igreja Evangélica Protestante na Alemanha (Evangelische Kirche na Alemanha, EKD) não tenha participado da marcha, a porta-voz da EKD explicou que a igreja está comprometida em proteger a vida de várias maneiras.

Após a marcha houve um culto.

O bispo católico de Passau, Stefan Oster, disse que as 100.000 crianças por nascer abortadas a cada ano são um "escândalo monstruoso".

Segundo Oster, quase 300 crianças não nascidas são mortas a cada dia. Isso corresponde a cerca de dez turmas escolares. Em todo o mundo, mais de 50 milhões de nascituros são abortados a cada ano.

aborto mataria mais pessoas do que guerras, epidemias e desastres naturais. Ele ressaltou que os nascituros com deficiência são o "grupo mais mortalmente ameaçado".

Cerca de 90% das crianças diagnosticadas com síndrome de Down são abortadas. Oster apelou para as mulheres grávidas involuntariamente ou com necessidades mentais ou materiais, que se voltassem para a igreja.

"Venha até nós!", ele disse. O bispo auxiliar católico Florian Wörner (Augsburg) também falou no serviço, afirmando que “o homem não é um produto do acaso, mas está em dívida com a vontade e o amor do Criador. [...] os cristãos devem defender os mais fracos e sem voz”.

A manifestação foi invadida por manifestantes favoráveis ao aborto e liberada pela polícia em várias ocasiões. A manifestação também foi temporariamente interrompida por bloqueios.

O grupo foi organizado pela "Aliança para a autodeterminação sexual", que é apoiada, entre outros, pelas partes Aliança 90 / Os Verdes e a Esquerda.

A Aliança exige que os parágrafos 218 e 219 do Código Penal sejam excluídos, criando assim o direito ao aborto.

Fonte: Guiame


segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Igreja Universal tenta comprar templo e disputa com autoridades de Berlim

Deutsche Welle e Folha de S. Paulo
No coração da praça Leopold, no bairro berlinense de Wedding, que reúne uma alta concentração de imigrantes, fica o imóvel que é alvo de uma iminente disputa entre a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) e a prefeitura do distrito Centro.
A Universal aluga o local desde 2016, mas agora deseja se tornar a proprietária do imóvel, uma imponente igreja neogótica do século 19. O plano, porém, não agradou as autoridades municipais, que agora tentam impedir a transação.
"A presença da Universal não enriquece nosso distrito e nem a região", afirmou o subprefeito do Centro, Stephan von Dassel, do Partido Verde.
Dassel​ afirma que o histórico da Universal e seus métodos são incompatíveis com a região. Na sua opinião, a igreja arrecada doações entre seus fiéis com base em falsas promessas de que ao entregar o dinheiro todos os problemas serão resolvidos. Ele ainda critica a falta de transparência sobre a destinação do dinheiro arrecadado.
O braço alemão da Universal está presente em 11 cidades do país, incluindo Frankfurt, Hamburgo, Colônia e Munique.
Sua base de fiéis é formada principalmente por imigrantes brasileiros e africanos falantes do português, mas também alguns alemães e latinos. Sua sede nacional fica em Berlim, na Nova Igreja Nazareth —justamente o imóvel que é alvo da disputa, que foi alugado pela IURD há três anos.
Na praça Leopold, a antiga igreja luterana, tombada pelo patrimônio histórico, se destaca com sua torre de 78 metros de altura.
O interior é modesto: no centro do altar há uma cruz e a inscrição em alemão do slogan do grupo religioso "Jesus Cristo é o Senhor". Em algumas janelas, há os típicos vitrais coloridos de igrejas católicas.
Em comparação com os megatemplos extravagantes da Universal no Brasil, a construção pode parecer tímida, mas no contexto arquitetônico da capital alemã a aparência externa da sede tem uma suntuosidade chamativa.
A Universal iniciou suas atividades na capital alemã em 2000. Além dos tradicionais cultos, realizados em alemão e português e traduzidos para o inglês, que ocorrem diariamente, o templo possui ainda um centro de ajuda, que propagandeia oferecer assistência a pessoas em busca de apoio ou orientação espiritual.
"Em meu conhecimento, essa ajuda é direcionada para que rapidamente muito dinheiro seja doado para a igreja. Como se os problemas existentes se resolvessem sozinhos por meio destas doações", ponderou Dassel.
Depois de anos alugando outros imóveis, a Universal se mudou para a sede atual em 2016. Parecia ter finalmente encontrado um local ideal para fixar raízes na cidade por meio de uma sede própria. Segundo o pastor Ulices Vidal, a transação é necessária para dar continuidade em melhores condições ao trabalho espiritual e social que a Universal afirma promover.
"Estamos para ficar e as pessoas que nos visitam —seja no inverno quando o frio é muito ou no resto do ano— precisam de condições condignas. Nesse aspeto não somos uma igreja diferente de outras", afirmou.
A Universal confirmou que a venda da Nova Igreja Nazareth já conta com o aval do atual proprietário, o grupo religioso Comunidade de Deus da Alemanha, que adquiriu o imóvel do distrito do Centro em 1993, por 440 mil marcos alemães (aproximadamente 200 mil euros em valores atuais)
Durante anos, o templo foi utilizado pela Comunidade de Deus, até a transferência da sede para outra região. Depois disso, segundo o presidente do grupo religioso, Marc Brenner, houve uma tentativa de encontrar junto com a cidade um destino para o prédio. Segundo ele, as conversas fracassaram, e há três anos o grupo decidiu alugar o imóvel para a Universal.
Brenner afirmou que a igreja está à venda há anos e que ficou surpreso com a atual reação das autoridades, que ameaçam entrar na Justiça para impedir a transação. "Não conseguimos esconder nossa decepção sobre o desenvolvimento da situação nos últimos anos e nos últimos meses", ressaltou.
Nem a Comunidade de Deus da Alemanha e nem a Universal quiserem informar o valor do negócio. Mas considerando a explosão atual nos preços dos imóveis da cidade, onde apartamentos de 70 metros quadrados na região da Nova Igreja Nazareth são vendidos por cerca de 350 mil euros (mais de R$ 1,5 milhão), o valor negociado deve facilmente passar de 1 milhão de euros.
A Universal deu sinais de que o dinheiro não parece ser um empecilho para a transação. Mas o desejo do grupo brasileiro de possuir uma sede própria em Berlim deve ser alvo agora de uma batalha judicial, na qual, inicialmente, o distrito do Centro larga com vantagem.
Segundo o subprefeito Dassel, o contrato de venda assinado em 1993 com a Comunidade de Deus tem uma cláusula que prevê que o atual proprietário só pode repassar o titulo do imóvel com o aval da prefeitura.
E o antigo contrato também prevê que, se o atual proprietário efetuar a venda sem essa autorização, o distrito tem o poder de rescindir o acordo da década de 1990 e recuperar a propriedade da Nova Igreja Nazareth somente devolvendo o valor da transação original —algo que hoje seria uma pechincha para a cidade, considerando a valorização dos imóveis na região.
Segundo Dassel, caso a Comunidade de Deus e a Universal insistam na transação, a subprefeitura deve acionar a Justiça para fazer valer o contrato assinado em 1993. O subprefeito contou ainda que a prefeitura quer recomprar a igreja, independentemente do avanço ou não do negócio entre os dois grupos religiosos.
Em relação à recusa do distrito e às críticas de Dassel sobre os métodos da Universal, o pastor Vidal afirmou que as autoridades deveriam conhecer o trabalho do grupo brasileiro antes de assumirem posições negativas.
"Em vários países e cidades o trabalho da Igreja Universal é muito bem recebido e elogiado. Aqui não será diferente. Cumprimos a lei e queremos operar dentro do sistema e na comunidade", acrescentou.
Mídia e poder
Fundada em 1977, por Edir Macedo, a Universal está presente em mais de 80 países. No Brasil, o grupo religioso comanda um dos maiores conglomerados de mídia do país, além de ter uma ligação com o partido Republicanos, antigo Partido Republicano do Brasil (PRB), legenda do prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, sobrinho de Macedo e bispo da Universal.
Macedo nunca escondeu seu desejo de ampliar a influência do grupo e, em um livro lançado em 2008, intitulado "O Plano do Poder", chegou a dizer que Deus tinha planos políticos para os evangélicos.
O grupo religioso apoiou abertamente a candidatura de Jair Bolsonaro e permanece como um dos pilares de sustentação do ex-militar.
Em 1º de setembro, o presidente chegou a participar de um culto comandado por Edir Macedo no megatemplo da Universal em São Paulo.
"Se ele [Bolsonaro] for fracassado, nós seremos fracassados como temos sido fracassados por conta dos desmandos, desleixos e injustiças que tivemos nesse país até aqui", afirmou Macedo, durante o culto, logo depois de fazer críticas à imprensa. O bispo esteve também ao lado de Bolsonaro nas comemorações do Sete de Setembro em Brasília.
Fonte: Deutsche Welle e Folha de S. Paulo via Folha Gospel
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