Mostrando postagens com marcador Evangelho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Evangelho. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Pastor perseguido no Paquistão encoraja cristãos do Brasil: ‘Usem sua liberdade para Deus’



Shamshad Masih sobreviveu a diversas tentativas de assassinatos no Paquistão. Em meio à perseguição, ele segue pregando o Evangelho.


Espancado nas ruas de Karachi, ameaçado de ter as pernas amputadas e preso por pregar o Evangelho, um pastor e missionário paquistanês testemunha como a mão de Deus o livrou da morte e o manteve firme em seu chamado, mesmo sob intensa perseguição religiosa.

Shamshad Masih* nasceu na década de 1980 em uma vila no Paquistão. Apesar de se considerarem cristãos, seus pais ainda seguiam muitos costumes e tradições islâmicas. Por isso, aos cinco anos, ele foi enviado a uma mesquita para começar a educação religiosa. 

"À medida que fui crescendo, comecei a buscar a verdade e o amor genuíno. Durante essa busca, um pastor visitou nossa vila e compartilhou a Palavra de Deus, com foco em João 3:16. Sua mensagem me tocou profundamente. Eu desejava intensamente receber Jesus Cristo como meu Salvador pessoal, mas não sabia como — não havia igreja em nossa vila, apenas mesquitas", disse ele ao Guiame.

Nessa época ele permaneceu orando em segredo e ansiando por conhecer Jesus. Então, no dia 14 de outubro de 1992, ele testemunhou:

"Aceitei Jesus Cristo como meu Senhor e Salvador pessoal e fui batizado. Iniciei minha jornada compartilhando o Evangelho com minha família e depois estendi minha missão para a comunidade em geral", contou ele.

Em 1996, Shamshad se juntou à equipe da Operação Mobilização (OM), se dedicando a pregar o Evangelho por todo o país. 

Livramentos

No ano seguinte, enquanto seguia seu chamado evangelístico, Shamshad testemunhou que a decisão de seguir a Cristo no país quase lhe custou a vida. 

Ele se tornou alvo de extremistas religiosos e sobreviveu a diversas tentativas de assassinato:

"Enquanto pregava nas ruas de Karachi, fui violentamente atacado por uma multidão. Fui severamente espancado e colocado em uma tábua de madeira, enquanto se preparavam para amputar minhas pernas. Naquele momento, testemunhei a mão milagrosa de Deus me livrar. Apesar da intensa perseguição, permaneci firme em meu chamado".

Em outra ocasião, ele contou: "Enquanto ministrava em Faisalabad, fui trancado dentro de uma loja por extremistas locais. Mais uma vez, Deus interveio e me resgatou".

"Em todas as provações, Deus tem sido fiel. Continuo a servi-lo com paixão e compromisso, lutando para levar a mensagem da salvação a todas as pessoas que posso alcançar", acrescentou.

Em 1998, enquanto ministrava em Abbottabad, Shamshad foi abordado por um grupo de pessoas que pareciam curiosas e acolhedoras. Porém, era uma armadilha:

"Eles me entregaram às autoridades e fui jogado na prisão, onde permaneci por vários dias sem comida, nem água. Foi um tempo escuro e doloroso, mas a presença de Deus nunca me deixou. Esse incidente foi apenas uma das muitas perseguições que sofri por causa do Evangelho — tantas que seria impossível contar todas aqui".

'Continuamos a servi-Lo com ousadia'

Em 2002, Shamshad se casou com Rubina* e juntos, abraçaram o chamado evangelístico no Paquistão. O casal tem três filhos e uma filha, que também ajudam no ministério enquanto continuam seus estudos.

"Viver neste país traz desafios diários. Não é fácil seguir a Cristo aqui. Ataques a igrejas cristãs, lojas e casas não são novidade — são uma realidade diária", destacou ele. 

E continuou: "Vivemos em um ambiente onde simplesmente falar ou escrever sobre nossa fé pode colocar nossas vidas em risco. E, mesmo assim, pela graça de Deus, continuamos a servi-Lo com ousadia".

Em 2010, a família começou a servir em parceria com a Missão Doulos, fortalecendo ainda mais seu ministério e ampliando o alcance do Evangelho no país.

"Hoje, alcançamos quase 1.000 crianças todos os meses por meio de nossos programas de evangelismo — levando esperança, amor e a verdade de Cristo. Também atuamos ativamente no plantio de igrejas (plantamos 10 igrejas nos últimos anos) e formação de discípulos, viajando para diferentes cidades para espalhar o Evangelho", contou o pastor.

Crianças na escola fundada pela missão.

(Foto: Arquivo pessoal cedido ao Guiame)

Inspirado pela rejeição que enfrentou na infância, ele teve a ideia de fundar uma escola onde crianças da comunidade pudessem aprender em um ambiente seguro, amoroso e centrado em Cristo. 

"Esse sonho se tornou realidade em 2005, quando registramos nossa própria escola. Hoje, mais de 300 crianças carentes recebem uma educação de qualidade lá. Nos últimos 20 anos, mais de 3.000 crianças pobres se formaram na escola", afirmou ele.

'Essa é a realidade de inúmeras famílias'

Apesar do avanço do ministério, o pastor destacou: "Ainda há inúmeras vidas esperando para serem tocadas pelo Evangelho e estamos comprometidos em alcançá-las. Todos os dias enfrentamos incertezas, mas seguimos em frente, porque fomos chamados, porque fomos escolhidos e porque a graça de Deus nos basta".

Segundo Shamshad, no Paquistão, a grande maioria dos cristãos trabalha em condições extremamente difíceis — servindo como faxineiros de clínicas, trabalhadores de olarias, operários de fábricas e trabalhadores braçais. 

"Pouquíssimos têm oportunidade ou recursos para abrir seus próprios negócios. E para os que conseguem, seus esforços estão constantemente sob ameaça. Multidões frequentemente atacam lojas de cristãos e até vender comida se torna impossível. Muitas pessoas se recusam a comprar deles apenas por serem cristãos, considerados ‘impuros’ pelo preconceito social. Essa é a realidade diária de inúmeras famílias em nossa comunidade", explicou ele.

Contraste com a Igreja Brasileira

Sobre os cristãos no Brasil, Shamshad disse: "Vocês, por outro lado, são incrivelmente privilegiados por viverem em um lugar onde podem adorar livremente, servir a Deus abertamente e ajudar os necessitados sem medo. Vocês estão posicionados não apenas para desfrutar dessas liberdades, mas para usá-las para a glória de Deus — e para o bem daqueles que sofrem em silêncio".

E continuou: "Suas orações, sua compaixão e seu apoio financeiro podem trazer luz e esperança àqueles que vivem nas trevas. Vocês podem ajudar a transformar vidas, elevar comunidades e avançar o Reino de Deus em lugares onde é mais difícil fazê-lo".

O pastor destacou que tem orgulho de que o Brasil é uma das nações que mais envia missionários no mundo: 

Igreja no Paquistão. (Foto: Arquivo pessoal cedido ao Guiame)

"De seu solo, Deus levantou inúmeros homens e mulheres que têm levado o Evangelho até os confins da terra — muitas vezes aos lugares mais difíceis e sombrios. O coração missionário de vocês, sua ousadia na fé e sua disposição para ir onde outros não vão, são um testemunho do poder vivo de Cristo em seu meio".

"Estar com vocês, compartilhar comunhão com vocês e caminhar juntos na obra de Deus não é apenas uma honra — é um momento sagrado para nossa igreja. A presença de vocês entre nós não é algo comum. É um lembrete de que a igreja global é um só corpo, unida por um só Espírito, com um só propósito: glorificar a Jesus e alcançar os perdidos. Vocês não são apenas visitantes. São vasos — enviados por Deus, ungidos para um tempo como este", acrescentou. 

Por fim, ele encorajou a Igreja brasileira e os abençoou: "Sejam encorajados, amados irmãos e irmãs. Sua obediência está dando frutos, mesmo em lugares que talvez nunca vejam com seus olhos. E seu sacrifício não é esquecido pelo céu. Continuem firmes, pois grande é a sua recompensa — e grande é o impacto de uma igreja que escolhe ir".

*Nomes alterados por motivo de segurança.

Fonte: Guiame


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Mais da metade dos adolescentes estão “muito motivados” a conhecer mais sobre Jesus, revela pesquisa



Mesmo com a queda na frequência às igrejas, adolescentes demonstram interesse por espiritualidade e buscam respostas na fé cristã


Embora a filiação religiosa e a frequência à igreja estejam em declínio, mais da metade dos adolescentes americanos, 52%, afirmam estar "muito motivados" a aprender mais sobre Jesus.

Outra parte desses jovens, pouco mais de 75%, dizem estar pelo menos "um pouco motivados" a conhecer a figura central do cristianismo,

Esses resultados estão no relatório "The Open Generation: United States", da Barna Research, divulgado em 30 de janeiro.

Menos de um em cada cinco se declara desmotivado, o que significa 6% um pouco desmotivados e 10% nem um pouco motivados, enquanto outros 7% estão incertos.

Citando dados da pesquisa Gen Z Vol. 3 da Barna, que também destaca uma crescente abertura e curiosidade sobre questões espirituais entre adolescentes e jovens adultos, os pesquisadores observaram que essas descobertas representam uma oportunidade para os líderes cristãos se envolverem com esse público.

"Esta geração tende a acreditar que há algo mais poderoso do que eles. Ainda assim, muitos permanecem hesitantes em abraçar a religião ou frequentar a igreja. Líderes da igreja devem reconhecer que a abertura dos adolescentes para aprender sobre Jesus representa uma oportunidade significativa para um engajamento significativo", disseram pesquisadores.

Barna aconselhou os líderes da igreja: "Embora os adolescentes expressem interesse em Jesus, eles podem abordar a fé de maneira diferente das gerações anteriores. Além disso, autenticidade e relevância são fundamentais. Esteja preparado para abordar questões difíceis honestamente e demonstrar como Jesus e a Bíblia se relacionam com o mundo em que vivemos hoje."

Resultados anteriores

Outra pesquisa com 2.000 adultos nos EUA, realizada em outubro de 2022 pela organização de pesquisas evangélicas, revelou que 77% dos participantes acreditam em um poder superior e 74% expressaram o desejo de crescer espiritualmente.

As descobertas são semelhantes aos dados da pesquisa do Pew Research publicados em 2018, que mostraram que, embora 80% dos americanos afirmem acreditar em Deus, apenas uma pequena maioria dos aproximadamente 327 milhões de habitantes do país acredita em Deus conforme descrito na Bíblia.

Na época, o CEO da Barna, David Kinnaman, afirmou que essa descoberta trazia uma mensagem esperançosa para os líderes cristãos.

"Embora a afiliação religiosa e a frequência à igreja continuem a declinar, a abertura espiritual e a curiosidade estão em ascensão. De fato, em todas as gerações, vemos um desejo sem precedentes de crescer espiritualmente, uma crença em uma dimensão espiritual/supernatural e uma crença em Deus ou em um poder superior", observou Kinnaman.

E continuou: "De forma esmagadora, os adolescentes cristãos de hoje dizem que Jesus ainda é importante para eles; 76% afirmam que ‘Jesus fala comigo de uma maneira que é relevante para a minha vida’. Em uma cultura que geralmente rebaixou a reputação dos cristãos e relegou o culto dominical e outras atividades relacionadas à igreja para as margens da sociedade, os adolescentes permanecem surpreendentemente abertos a Jesus como uma influência em suas vidas."

Kinnaman também ressaltou que, apesar dos adolescentes estarem receptivos ao testemunho cristão, eles também demonstram abertura para outras religiões. "Eles estão abertos a diferentes crenças, incluindo o cristianismo, e estão receptivos a amigos, causas e ideias. Embora pais, educadores e outros que orientam os jovens tenham a tarefa desafiadora de fornecer orientação sábia aos adultos em formação, os adolescentes de hoje estão apresentando à igreja algo que acredito que não vimos antes — uma espécie de página em branco; uma chance de imaginar um futuro diferente."


Fonte: Guia-me com informações de The Christian Post via Folha Gospel

quarta-feira, 10 de julho de 2024

O evangelho segundo o Instagram: influencers cristãos disputam com os pastores pela atenção dos crentes


Líderes evangélicos alertam contra a imaturidade espiritual e as motivações econômicas no espaço das redes sociais.



Os pastores brasileiros se preocupam com o fato de um sermão semanal não ser suficiente para competir com os influencers cristãos superpopulares nas mídias sociais, a quem os membros de suas igrejas ouvem no restante da semana.

Eles [os pastores] reconhecem que a Internet tem desempenhado um papel fundamental no crescimento do cristianismo evangélico no Brasil. No entanto, ela também tem ajudado a tornar os ensinamentos heréticos e a indústria de influencers cristãos mais difundidos do que nunca. Assim, como igrejas e instituições ortodoxas podem reagir a esse cenário?

Duas pesquisas recentes mostram que os YouTubers e podcasters cristãos brasileiros têm mais influência do que os líderes das denominações e os pastores de megaigrejas do país.

O Quaest, um instituto de pesquisa de opinião pública, descobriu que os principais líderes evangélicos foram superados por influencers cristãos em quesitos como fama, engajamento e mobilização.

Segundo a pesquisa, o JesusCopy, canal do YouTube, é mais popular do que Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, a quarta maior denominação do país. O podcast de teologia Bibotalk é mais popular do que o bispo Robson Rodovalho, fundador das igrejas Sara Nossa Terra, um movimento neopentecostal.

Outra pesquisa — realizada pelo Nosotros, um grupo de consultoria criado pelo antropólogo Juliano Spyer — constatou que as vozes evangélicas tradicionais tendem a ficar mais isoladas e a ser menos importantes para o debate on-line.

"Influenciadores como o deputado Marco Feliciano e o bispo Edir Macedo não se destacam em relação a outros evangélicos que têm um papel central nesta rede", disse Spyer. "Nomes como o da cantora e pastora Eyshila, o da pastora Camila Barros, o do cantor e compositor Anderson Freire e o da pastora e cantora Midian Lima podem ser menos conhecidos por quem não é evangélico, mas estão entre os principais influencers neste campo".

Na melhor das hipóteses, as mídias sociais ajudaram a alçar o cristianismo evangélico a um lugar de relevância e aceitação na sociedade contemporânea. Em vez de serem conhecidos por suas posições antiquadas contra o Carnaval, a TV, as novelas e o futebol, os evangélicos nas mídias sociais romperam estereótipos e se apresentaram como comunicadores descolados e conectados.

No entanto, junto com esse entusiasmo por uma nova forma de comunicar o evangelho surgiram alguns líderes abusivos e ensinamentos nada ortodoxos.

O Movimento Galpão — cujo nome faz referência ao prédio em que funcionava — foi fundado em 2021, em Alphaville, rico subúrbio da cidade de São Paulo. O movimento realizava cultos semanais para jovens e os transmitia para milhares de espectadores nas mídias sociais. A cara do movimento era Victor Bonato, um influencer com 145 mil seguidores no Instagram.

A história do Galpão terminou em escândalo, em setembro do ano passado, quando Bonato — pseudônimo usado por Victor de Paula Gonçalves, um profissional de marketing digital de 27 anos — foi preso sob acusação de ter cometido crimes sexuais contra três mulheres. O Galpão, então, declarou que Bonato não fazia mais parte do movimento. Uma semana depois, o espaço fechou para "reforma".

"Essa reforma significa um novo tempo, tempo de conexão, de acessar novos níveis em Deus, tempo de alinhamento", diz um comunicado postado no Instagram, "e nós convidamos vocês a fazerem o mesmo no seu secreto; em breve estaremos retornando com nossa nova agenda". O movimento não postou mais nada desde então.

Os líderes evangélicos anseiam por ver os jovens se unirem e crescerem na fé, mas alertam sobre líderes sem preparo teológico adequado, sem experiência pastoral ou sem supervisão.

Uma das razões para o problema, segundo o teólogo pentecostal Gutierres Fernandes Siqueira, é a falta de preparo teológico adequado e de experiência pastoral.

"O apóstolo Paulo alertou sobre o perigo de neófitos na fé se tornarem líderes ou mestres", disse Gutierres, lembrando que um presbítero "não pode ser recém-convertido, para que não se ensoberbeça e caia na mesma condenação em que caiu o Diabo" (1Timóteo 3.6).

"Como consequência do rápido crescimento do cristianismo evangélico no Brasil, há pessoas que acabaram de se converter e agora estão assumindo o papel de influenciador".

Historicamente, para ser líder era preciso ter uma formação em estudos teológicos ou anos de serviço em uma igreja local, antes de ter a oportunidade de pregar para uma congregação. Assim, ainda que os cristãos busquem ensino para além dos próprios púlpitos, eles devem fazer certas perguntas sobre os criadores de conteúdo e sobre o conteúdo em si.

O pastor Sérgio Queiroz, fundador da Cidade Viva, uma igreja batista de João Pessoa, recomenda que os cristãos levem em conta a formação espiritual, as qualificações e as motivações de um influenciador.

"O influenciador hoje vive um verdadeiro dilema entre produzir um conteúdo mais aprofundado e cuidadoso e produzir um vídeo curto, de fácil consumo e com maior chance de viralizar", disse Queiroz, que também é professor da Faculdade Internacional Cidade Viva. "Um produtor de conteúdo respeitável deve sempre preferir a profundidade à viralidade."

Para os recém-chegados à fé, as tentações são muitas. As mídias sociais cristãs no Brasil constituem um ecossistema de negócios que se retroalimenta em larga escala.

Com a crescente popularidade dos influenciadores, as mídias sociais se tornaram uma tentadora oportunidade de negócios para os cristãos brasileiros.

O número de aspirantes a esse posto é tão grande que deu origem a movimentos como O Retiro, que se apresenta como "o maior encontro de influenciadores cristãos do mundo" e cuja "missão é espelhar o evangelho por toda terra através das redes sociais".

Criado pelo pastor e evangelista Guilherme Batista, O Retiro realiza eventos para centenas de influenciadores cristãos, e chega a cobrar até R$ 600 (US$ 150) por ingresso.

Mas as contas virtuais desses influenciadores tendem a oferecer um conteúdo do tipo autoajuda — com menos evangelismo e mais frases motivacionais. Segundo o relatório da pesquisa da Nosotros, 30% dos influenciadores cristãos podem ser rotulados primordialmente como palestrantes motivacionais. (Do restante, 25% compartilham conteúdo político e 45% produzem conteúdo devocional).

"Onde quer que haja uma teologia propensa ao estímulo da autoestima dos fiéis, ao individualismo como doutrina ética e ao empreendedorismo como racionalidade econômica, lá estará o coaching como um instrumento ou como uma possibilidade eclesiológica", disse Taylor de Aguiar, antropólogo cuja tese de doutorado trata das práticas de coaching no meio evangélico.

"[...] no Instagram, as pessoas parecem sempre felizes e dispostas a compartilhar tudo o que convier como bom a si mesmas e, por extensão, aos outros", disse ele. "Quem seria capaz de ser crítico ao receber um vídeo com palavras bem ditas, sensatas e emotivas, sobre vencer a procrastinação, superar o luto ou crescer na vida profissional, deixando os obstáculos para trás?"

Mensagens como essas têm seu lugar no ensino cristão, mas os críticos se preocupam que as motivações econômicas e os algoritmos das mídias sociais estejam enfatizando essas mensagens em demasia, e que a igreja esteja ficando muito dependente desse tipo de conteúdo de autoajuda.

Além disso, esse conteúdo reforça uma inclinação de parte da igreja em favor da ideia de que é possível pregar on-line sem ter estudo teológico. "A tradição evangélica no Brasil tem esse lado anti-intelectual", disse Gutierres. A presença desse ativismo digital, conclui ele, é uma espécie de herança dessa tradição.

"Esses influenciadores podem até pensar que não precisam de preparo, e que apenas retórica e um bom slogan bastam. Mas igreja é muito mais do que isso."

Fonte: Christianity Today

quarta-feira, 6 de dezembro de 2023

Correio alemão emite selo de Natal com mensagem do Evangelho: “Hoje vos nasceu o Salvador”



O selo postal alemão especial de Natal traz o versículo bíblico de Lucas 2.


O Ministério das Finanças da Alemanha emitiu o selo postal especial de Natal, que este ano traz a mensagem do anjo sobre o nascimento de Jesus.

O texto, extraído do Evangelho de Lucas, capítulo 2 e versículo 11 diz: "Hoje vos nasceu o Salvador".

O valor do selo é de 1,25 euros (equivalente a 6 reais), sendo que 40 centavos serão direcionados para promover ação social, com apoio específico às atividades da Associação Federal de Organizações Independentes de Assistência Social.

O texto bíblico completo diz: "Mas o anjo lhes disse: 'Não tenham medo. Estou lhes trazendo boas novas de grande alegria, que são para todo o povo: Hoje, na cidade de Davi, lhes nasceu o Salvador que é Cristo, o Senhor.'" (Lucas 2:10,11).

O desenho do selo postal foi concebido pela Nexd, sediada em Düsseldorf.

O Ministério das Finanças explicou em seu site que "Salvador – etimologicamente significa 'curar, curar, curar'; na linguagem religiosa, o termo é usado em referência a Jesus Cristo como equivalente a 'Salvador' e 'Redentor'".

Segundo Joachum Ochel, representante da principal Igreja Evangélica Protestante da Alemanha (EKD), a descrição acrescenta: "Deus se aproxima das pessoas no espaço e no tempo e as encontra em Jesus Cristo com carne e sangue – esse é o mistério do Natal, que não pode ser conclusivamente considerado teologicamente, cantado musicalmente e artisticamente através dos espaços e através do tempo".

Fonte: Guiame

sábado, 14 de outubro de 2023

Como agem Evangélicos em Israel e Gaza para ‘aliviar a violência e defender a paz em ambos os lados’




"A dignidade da pacificação é um despertar espiritual necessário", diz cristã palestina.


O povo evangélico, dentro e fora de Israel, permanece chocado e não está parado diante dos acontecimentos ocorridos em Israel e em Gaza, enquanto a troca de bombardeios continua.

A organização terrorista Hamas atacou o principal aeroporto israelense, Ben Gurion, em Tel Aviv, "com mísseis em resposta a crimes e ataques contra casas de civis", segundo a ala militar do grupo, as Brigadas Al Qassam, na sua conta do Telegram.

Por seu lado, o exército israelense afirma ter atingido "mais de 500 alvos terroristas do Hamas e da Jihad Islâmica na Faixa de Gaza", enquanto continua a bombardear a área. Além disso, a assessoria de imprensa das Forças Armadas israelenses informou a morte de dois altos funcionários do Hamas em uma das operações na faixa: a do ministro da Economia, Yoad Abu Shmala, e a do chefe do departamento de relações, Zacaria Abu Mammar, membro do Hamas.

No total, 1.300 pessoas morreram em Israel e mais de 1.700 na Faixa de Gaza. Há também 2.600 feridos em território israelense e cerca de 4.000 na zona de Gaza.

"Trabalhamos para aliviar a violência e defender a paz em ambos os lados"

Uma das entidades evangélicas que se tem conseguido contatar é o Conselho das Igrejas Evangélicas Locais da Terra Santa. Embora o seu presidente, Munir Kakish, esteja do outro lado da fronteira com Israel, em Ramallah, garante que estão trabalhando para "aliviar a violência e defender a paz em ambos os lados". "Usamos os ensinamentos bíblicos para promover a paz para ambos os grupos populacionais", observa ele.

"O importante é lembrar que Deus ama todas as pessoas e que, tanto judeus como árabes, podem ser salvas e ir para o céu. Nós, evangélicos, devemos ser pacificadores e orar por ambos os lados", acrescenta Kakish, que também pede orações "pelo povo das igrejas em Gaza". "Há uma igreja batista em Gaza e outras históricas", ressalta. Ele também pede oração "para que o Senhor intervenha e pare os planos e ações de qualquer pessoa que procure aumentar o ódio e daqueles que aumentem o ódio e o ressentimento através de ações violentas". "Reconhecemos que todos os homens são irmãos e a morte de qualquer homem em ações violentas nos diminui, pois fazemos parte da humanidade", acrescenta, lembrando as palavras do famoso autor John Donne.

Kakish nos lembra que "há apenas um nome debaixo do céu pelo qual podemos ser salvos e que precisamos aceitar nesta vida, Jesus". "Se alguma das partes controla as terras do Mediterrâneo ao Pacífico, mas não tem Jesus, é tudo em vão", acredita. Para este pastor evangélico radicado na Cisjordânia, "a única resposta humana é fazer de Gaza um Estado independente, responsável pelas suas terras, em vez de um semi-Estado sem direitos reais". "O melhor plano é uma solução de dois estados. No entanto, temo que na situação atual Gaza sofra muito, a menos que a liderança pare o bombardeamento", acrescentou.

Mais testemunhos de Israel

Mas também há testemunhos pessoais de israelenses ou de pessoas de fé evangélica que estiveram em Israel durante o ataque do Hamas. Um deles é Steven, um judeu messiânico que trabalha como guia turístico de excursões de pessoas que visitam o país . "Às 6h30 da manhã saí de casa para buscar um casal que vinha do porto de Haifa", lembra ele sobre o dia em que ocorreram os ataques. "Quando liguei o rádio ouvi que havia bombardeios. A princípio não entendi a gravidade da situação. Mas eu disse aos meus turistas que estávamos em guerra. Outros guias ficaram muito confusos e não sabiam o que fazer. Pediram aos turistas que voltassem aos seus hotéis e informaram as agências. Sabemos que quando os terroristas conseguem infiltrar-se no território israelense e atacar as pessoas, outros terroristas inativos podem ser encorajados. Por isso estamos muito tensos", explica.

"Costumo receber grupos grandes, 50 pessoas, para visitar Israel. Na próxima semana deveria receber um grupo com quatro ônibus vindos dos Estados Unidos, mas no momento não há voos. Todas as companhias aéreas não israelenses cancelaram seus voos […] Enquanto a situação continuar como está, não poderemos trabalhar no turismo em Israel. Os próximos grupos que tenho cancelaram suas viagens. Esta é minha única fonte de renda, a única maneira de sustentar minha família. Não sabemos o que vai acontecer. Veremos como vamos sair desta situação. Esta guerra pode durar meses, talvez três ou quatro, e durante todo esse tempo não haverá turismo", acrescenta.

Segundo Steven, a situação continua turbulenta em muitas cidades israelenses. "Em Israel praticamente nada funciona. Está tudo fechado, lojas e centros comerciais. As pessoas estão chocadas, ainda não conseguem entender o que aconteceu. Muitas pessoas dizem que nunca houve um massacre de judeus como houve no sábado, desde o Holocausto". "As pessoas estão com medo", diz ele.

Para este guia turístico, "o Hamas sabia que o melhor momento para atacar era agora porque a situação política de Israel é fraca". "Mais de metade da população está contra o primeiro-ministro Netanyahu. Os partidos de esquerda acusam-no de ser um ditador, e os generais e líderes militares também disseram ao governo que não estão dispostos a servir em qualquer contexto", diz Steven.

"Esta guerra inclui guerra psicológica"

Outra voz do território é a de Yohanna Katanacho, uma cristã palestina e cidadã do Estado israelense que compartilhou parte de seus sentimentos sobre o ocorrido em um blog que foi repercutido nas redes sociais pelo secretário-geral da Aliança Batista Mundial, Elias Brown. "Vivemos continuamente numa zona de guerra em Israel/Palestina. Esta guerra inclui guerra psicológica, preocupação, raiva, vingança, divisão, culpa, dor, atrocidades, extremismo, falsa lógica e vergonha", explica Katanacho.

Em seu blog, ela lista uma série de pontos que "quer lembrar como seguidora de Jesus" nesta situação. Nestes pontos ele fala sobre a dignidade de cada vida humana igualmente, que "o ódio e a vingança nunca são o melhor caminho a seguir", como "justificar o seu grupo a todo custo nunca é uma abordagem justa e sábia" para o conflito. E ela se dirige a outros crentes em particular: "Sacralizar a guerra e as acções militares é extremamente perigoso, quer seja feito pelos Judeus de direita, quer pelo Hamas, pelos Cristãos ou outros. A religião não deveria ser uma munição para a guerra. Tais abordagens distorcem e obscurecem a nossa capacidade de encontrar Deus. A melhor maneira de encontrar Deus é olhar para Jesus Cristo", diz ela.

"Uma mentalidade de soma zero é tola. Dada a demografia em Israel/Palestina, bem como a história da nossa região, a paz é a melhor opção para todos. Mas a paz deve estar disposta a procurar uma solução aceitável para ambos, bem como para os judeus quanto aos palestinos. Deve ser cheio de dignidade, não de humilhação. A dignidade da pacificação é um despertar espiritual necessário", acrescenta Yohanna.

"Que sejamos as velas da esperança, da paz, da fé e do amor. Lembre-se dos seguidores de Jesus, bem como de Israel/Palestina em suas orações", finaliza Yohanna.

Israel lança contra-ataque em Gaza (Foto: Reprodução)
Israel lança contra-ataque em Gaza (Foto: Reprodução)


800 cristãos em Gaza

De acordo com a Portas Abertas, existem "800 cristãos palestinos de diferentes religiões" em Gaza. "As igrejas nesta cidade cancelaram todas as suas reuniões no fim de semana passado devido à guerra atual e aos bombardeios de aviões israelenses", afirma a organização.

"Há dois dias que não conseguimos dormir porque os bombardeios são intensos à noite", explica o cristão de Gaza com quem a Portas Abertas conversou, que considera que esta guerra é "diferente de qualquer ataque anterior". "Ore para que o amor e a paz prevaleçam em nosso país e para a proteção de Deus […] para que a guerra acabe rapidamente, e que o Senhor supra todas as necessidades e possamos ser luz em meio a essa escuridão total e refletir a luz e o amor de Cristo em Gaza", acrescenta.

"O cerco de Gaza deve acabar"

Jack Sara, secretário-geral da Aliança Evangélica do Médio Oriente e Norte de África e presidente do Bethlehem Bible College, na Cisjordânia, chamou a atual escalada de violência de "conflito significativo e angustiante".

Nesta situação, Sara apelou à cessação da violência para uma meditação renovada sobre passagens bíblicas como Salmos 46:1 ou Provérbios 2:6. "A nossa fé em Jesus, que nos ensinou a amar os nossos inimigos e a orar por aqueles que nos perseguem, obriga-nos a apelar à cessação de todas as atividades civis e militares violentas que prejudicam tanto a população palestina como a israelense. Estamos entristecidos com os atos que visam civis, independentemente da sua nacionalidade, etnia ou fé. Oramos por um diálogo e mediação sinceros e de boa fé para a paz", observou ele.

Para o chefe da Aliança Evangélica do Médio Oriente e Norte de África, é importante "abordar as causas profundas do problema" para alcançar uma "paz viável", e coloca o foco no estatuto da Palestina. "Os palestinos têm vivido constantemente injustiças e deslocamentos há mais de 75 anos. O cerco a Gaza tem de acabar. A opressão, os muros, os cercos e a colonização não podem trazer segurança nem paz", acrescenta Sara.

Em um texto, ele também compartilha vários motivos para orar. Entre eles menciona "a igreja em Gaza", para que "possa ser luz e sal para a sua comunidade nestes dias". Especificamente, ele pede orações por alguns dos alunos do Bethlehem Bible College, que estão em Gaza. "Temos alguns estudantes e licenciados em Gaza e eles vivem numa situação desesperadora neste momento", sublinha.

"A paz e a reconciliação exigirão ouvir e trabalhar com todas as 'partes'"

O representante da Aliança Evangélica Mundial na sede da ONU em Genebra, Wissam al-Saliby, também respondeu a perguntas do Protestante Digital sobre como começar a falar de paz diante da situação e com o que as comunidades evangélicas locais podem contribuir com o resto do mundo para o processo. "Além do discipulado e do testemunho do senhorio de Jesus Cristo, acredito que as igrejas evangélicas do Médio Oriente precisam desenvolver a teologia e a prática da pacificação", observou ele.

"No Líbano, bem como em Israel e na Palestina, existem iniciativas excepcionais para a paz, a reconciliação e a cura das feridas da violência. Mas estas iniciativas devem crescer e ser reproduzidas em maior escala. É nossa vocação sermos pacificadores e buscarmos o Seu Reino aqui na terra. Os crentes cristãos que experimentaram a reconciliação com Deus têm a vocação e o mandato na Terra Santa para reconciliar israelenses e palestinianos, para que a Terra Santa se torne mais parecida com o Reino vindouro", diz Al-Saliby.

Quanto ao apoio tradicional a Israel por parte de boa parte dos líderes evangélicos no Ocidente, Al-Saliby salienta que estes deveriam associar-se primeiro com "as igrejas e ministérios locais da Terra Santa e do mundo árabe que trabalham pela reconciliação e lançam os fundamentos de uma paz justa". "O conflito sempre gerou muita polarização e desumanização. A paz e a reconciliação exigirão ouvir e trabalhar com todas as 'partes' e criar oportunidades de diálogo, sem se esquivar de abordar a injustiça e a desigualdade sistémicas que alimentam o conflito", acrescenta.

Neste sentido, Al-Saliby pede orações pelos "pacificadores locais e internacionais entre evangélicos e cristãos, bem como no mundo árabe e no mundo judaico".

Folha Gospel com informações de Protestante Digital e Evangélico Digital

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...