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sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Brasil aparece em 88º lugar em ranking sobre acesso à Bíblia



Lista considera o país em condições mínimas de restrições ao acesso das Escrituras


O Brasil ficou em 88º lugar na Lista de Acesso à Bíblia, divulgada nesta quinta-feira (3) pela Bible Access Initiative, projeto liderado pela Open Doors International e pela Digital Bible Society.

O levantamento avaliou as restrições ao acesso às Escrituras em 88 países.

Segundo o estudo, o Brasil está na faixa laranja, que indica condições mínimas de restrição à leitura e distribuição da Bíblia. A lista classifica os países em cinco níveis: extrema, severa, considerável, algumas e mínimas restrições.

O relatório destaca que quase três dezenas de países enfrentam restrições severas ou extremas, impedindo milhões de cristãos de ter contato com as Escrituras Sagradas. Entre as causas estão perseguição religiosa, analfabetismo, limitações na impressão e falta de recursos econômicos.

A Somália ocupa o primeiro lugar, com o pior acesso à Bíblia, devido à perseguição legal e ameaças de violência. O Afeganistão aparece logo em seguida, sob o regime do Talibã, que proíbe a impressão e o acesso digital às Escrituras.

Já a Coreia do Norte, em quarto lugar, mantém rígido controle sobre qualquer expressão religiosa. O país é descrito no relatório como “um dos ambientes mais hostis e isolados espiritualmente do mundo”.

Fonte: Pleno News

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Igrejas vazias viram restaurantes, academias e até casas de festas na Alemanha





Nos anos 1990, católicos e protestantes somavam 57 milhões de fiéis na Alemanha. Hoje, são pouco mais de 37 milhões.


A perda de fiéis na Alemanha tem levado igrejas católicas e protestantes a se reinventarem. Muitos templos, sobretudo os mais antigos, enfrentam custos anuais de manutenção que giram em torno de 26,5 mil euros, e como a frequência aos cultos despenca, parte deles passou a ser reaproveitada para atividades seculares – de centros esportivos a espaços culturais e até baladas.

A Igreja Evangélica na Alemanha Central (EKM) admite que grande parte dos templos já não é necessária apenas para o culto.

"Já não precisamos mais de metade das igrejas, e temos que encontrar outras possibilidades", afirmou a entidade, que atua em regiões da Saxônia-Anhalt, Turíngia e Brandemburgo.

Segundo a pesquisadora Stefanie Lieb, do Instituto de História da Arte da Universidade de Colônia, a tendência é que "de cada dez igrejas, quatro ou cinco não sejam usadas exclusivamente para a prática religiosa".

As mudanças são diversas. Em Bad Orb, perto de Frankfurt, uma igreja católica desativada virou centro de escalada para crianças e jovens, a "Boulder Church", com investimento de 500 mil euros. Em Limburg, uma capela foi transformada em restaurante e espaço de eventos.

Na Renânia do Norte-Vestfália, a antiga Igreja Martini de Bielefeld passou a receber festas e jantares. Em Berlim, a Heilig-Kreuz, no bairro de Kreuzberg, abriga café, shows, espetáculos de dança e até noites de DJ. A vizinha St. Thomas já sediou raves.

A tendência também aparece em outros países: na Espanha, a antiga igreja de Santa Bárbara, em Llanera, virou o Kaos Temple, reduto de skatistas.

Caminhos para reduzir custos

Nem sempre a saída é secularizar os espaços. Em algumas regiões, como Oberpfalz (sudeste da Alemanha), católicos e protestantes dividem o mesmo templo em 51 casos já registrados. Há também o repasse de igrejas para comunidades ortodoxas.

Ainda assim, vender ou reformar prédios antigos não é simples. Muitos são tombados como patrimônio histórico e não podem ser demolidos ou modificados, o que limita compradores em potencial.

Queda de fiéis e impacto financeiro

Nos anos 1990, católicos e protestantes somavam 57 milhões de fiéis na Alemanha. Hoje, são pouco mais de 37 milhões (23,7% católicos e 21,5% protestantes). Projeções apontam que esse número pode cair para 23 milhões até 2060.

O encolhimento da base de fiéis pesa diretamente nas finanças. Isso porque a filiação religiosa no país está vinculada ao sistema tributário: quem declara oficialmente pertencer a uma religião reconhecida tem parte da renda (entre 8% e 9%) descontada em favor da denominação.

Enquanto igrejas protestante e católica dependem desse imposto, religiões como o Islã e a Ortodoxa prescindem dessa forma de arrecadação.

Fonte: Folha Gospel

quinta-feira, 18 de setembro de 2025

Brasil é o segundo país no mundo que mais envia missionários, dizem pesquisadores




Com aproximadamente 38 mil enviados por ano, no ranking mundial, o país surge atrás apenas dos Estados Unidos, responsáveis por 127 mil obreiros.


O Brasil ocupa, atualmente, a segunda posição entre os países que mais enviam missionários cristãos ao exterior. Estima-se que aproximadamente 38 mil missionários brasileiros sejam enviados anualmente para diversos países, em um universo global de aproximadamente 400 mil missionários em atividade.

Os Estados Unidos lideram o ranking, com cerca de 127 mil enviados, anualmente. Os dados foram divulgados pela CBN News e citados por pesquisadores do Seminário Teológico Gordon-Conwell.

Os missionários brasileiros atuam em diferentes áreas, que vão da pregação do Evangelho à assistência humanitária em regiões da África, da Europa, da Ásia e do Oriente Médio. Para o pesquisador Todd Johnson, especialista em estudos religiosos, o impacto dessa atuação é expressivo, mas ainda pouco conhecido pelo público: "Os brasileiros realizaram uma grande variedade de ações, desde a plantação de igrejas até o trabalho em hospitais e assistência humanitária em alguns dos locais mais desafiadores do mundo."

Um dos exemplos é Rebeca Teixeira, missionária da Igreja Quadrangular, que atua na Europa. Em Portugal, ela serve com plantação de igrejas e a formação de jovens evangelistas em diferentes países europeus.

"O meu objetivo é capacitar e encorajar esses jovens líderes, independentemente do local — Portugal, Suécia, Dinamarca, Alemanha. Um lugar é apenas uma oportunidade para ver a ação de Deus", compartilhou Rebeca, destacando que as missões dependem de "quem dá, de quem ora e de quem vai".

Já Daniele Silva, de Belo Horizonte (MG), utiliza cafeterias em países do Oriente Médio e da Ásia como ponto de contato com a população local. Além de gerar empregos, a iniciativa facilita a construção de relacionamentos que abrem espaço para compartilhar a fé. "Cada pessoa que entra no café é uma oportunidade de fazer amigos, aprofundar relações e, gradualmente, partilhar o amor de Cristo", afirmou.

Segundo Zane Pratt, vice-presidente de Treinamento Global do International Mission Board, há uma transformação em curso no movimento missionário mundial: países da América Latina, África e Ásia Oriental, antes vistos como campos missionários, tornaram-se importantes centros de envio. "Locais que até recentemente eram considerados campos missionários estão agora a transformar-se em forças missionárias", avaliou.

Para Pratt, missionários vindos do Sul Global têm demonstrado maior facilidade de inserção em contextos islâmicos e poderão desempenhar papel decisivo na reevangelização do Ocidente, diante do declínio religioso em países historicamente cristãos.

Fonte: Comunhão via Folha Gospel

segunda-feira, 4 de agosto de 2025

População Evangélica no Censo IBGE 2022 - Uma análise do Blog Olhar Cristão



População Evangélica no Censo IBGE 2022 é analisada por João Cruzue em publicação do Blog Olhar Cristão.



A população evangélica do Brasil, contatada no Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE em 2022, divulgada com atraso em 06 de junho de 2025 foi de 47.418.024 (26,90%) fiéis.

Contudo, ao que tudo indica, o IBGE não incluiu 26.775.432 habitantes na base estatística  religiosa, por esse motivo, João Cruzue do Blog Olhar Cristão, fez esta inclusão mantendo a mesma proporção do  IBGE, e assim,  chegou a 54.619.477 cristãos

Parabéns ao blog Olhar Cristão, que fez jus ao nome, e seu editor João Cruzue que, com a experiência de 16 nos atuando como Auditor, publica de a elucidação de forma clara com dados técnicos e precisos.

Vale a pena ler a matéria completa com uma análise técnica, e conheça todos os detalhes, diretamente no blog de origem.


Clique aqui: OLHAR CRISTÃO

segunda-feira, 28 de julho de 2025

Gospel é o gênero mais ouvido em Salvador, terra do axé


O estudo foi realizado pelo DataSenado em parceria com o Ministério da Cultura, e entrevistou 600 moradores em 2024.


O crescimento de evangélicos em Salvador (BA), apontado pelo Censo 2022 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) está refletindo nos hábitos culturais dos moradores da capital baiana.

Na terra do axé e do samba-reggae, hoje o gênero musical mais ouvido é o gospel, segundo a pesquisa "Cultura nas Capitais", divulgada em abril deste ano.

O levantamento mostrou que a música gospel é a preferida de 28% dos moradores de Salvador, seguido pela MPB (Música Popular Brasileira) como segundo estilo mais consumido (24%), e o sertanejo (19%) e o pagode (19%) apareceram empatados em terceiro lugar.

Ritmos historicamente relacionados à identidade musical de Salvador, como o axé e o samba-reggae, não apareceram na pesquisa como os estilos musicais mais apreciados dos moradores.

O estudo foi realizado pelo DataSenado em parceria com o Ministério da Cultura, e entrevistou 600 moradores em 2024.

Para o cantor baiano cristão Marcos Semeadores, o crescimento do gospel no cenário de Salvador é resultado da busca das pessoas pela Palavra de Deus através da música.

"Isso demonstra que o gênero gospel não está restrito às igrejas e faz parte da vida dessas pessoas, que muitas vezes nem frequentam os templos, mas que estão em busca de uma mensagem de fé, esperança e amor e vivem nesse mundo de agitação e desafios", avaliou Marcos, em entrevista ao G1.

Como cantor de pagode gospel, ele observou que o estilo ganhou espaço entre os jovens evangélicos e tem feito sucesso entre o público mais amplo. Além disso, a qualidade das produções gospel atraiu o público não cristão.

"O gênero gospel está se aproximando das pessoas porque ela não toca só nas igrejas. Está também nos carros, fone de ouvido, churrascos e nas redes sociais", comentou o cantor.

Já para Joel Zeferino, que atuou por duas décadas como pastor na Igreja Batista Nazareth em Salvador, a música gospel se tornou uma ferramenta de evangelização, que conseguiu alcançar o público não cristão.

"Muitas pessoas que não frequentam as igrejas evangélicas ouvem as músicas do gênero gospel, porque estão dentro desse ambiente cultural que os evangélicos conseguiram criar pelo grande crescimento nas últimas décadas", pontuou José.

Embora o gospel tenha ganhado popularidade na capital da Bahia, o produtor de eventos cristãos, Bispo Oliveira, relatou que ainda há dificuldades para promover festividades evangélicas por falta de investimentos do poder público.

"As autoridades precisam enxergar o tamanho da comunidade evangélica e o que ela representa. Os evangélicos não vão consumir festas seculares, como Carnaval, São João e festas de largo. Eles têm direito a lazer, entretenimento e cultura. Existem diversos tipos de eventos que fazemos, como manifestação de fé, como shows, teatro e espetáculos de dança", afirmou o produtor.

Ele deu o exemplo do evento evangélico "Sem João, com Jesus", que é uma alternativa às festas juninas católicas.

Segundo Oliveira, o propósito não é desprezar a cultura local da Festa de São João, mas exaltar o nome de Jesus. "Ele é a nossa maior estrela e referência", explicou.


Fonte: Guia-me com informações de G1 via Folha Gospel

domingo, 6 de julho de 2025

Jovens que estudam a Bíblia são mais felizes, revela pesquisa




Segundo a pesquisa, jovens adultos que mantêm o hábito de leitura regular das Escrituras apresentam melhores índices de saúde emocional, física e relacional.


Um novo relatório da American Bible Society revela uma forte relação entre o engajamento com a Bíblia e o bem-estar pessoal, especialmente entre membros da Geração Z e dos millennials.

Segundo a pesquisa, jovens adultos que mantêm o hábito de leitura regular das Escrituras apresentam melhores índices de saúde emocional, física e relacional do que aqueles que não mantêm esse contato com o texto sagrado.

O estudo utilizou o Human Flourishing Index, desenvolvido pela Universidade de Harvard, para mensurar áreas como saúde, felicidade e sentido de vida. Jovens leitores da Bíblia alcançaram média de 8,1 no índice, enquanto a média geral da Geração Z foi de apenas 6,8, a mais baixa entre todas as gerações avaliadas. Já os boomers atingiram 7,5, com quase metade declarando sentir-se plenamente realizados.

Outro dado relevante foi o avanço das relações sociais entre os membros da Geração Z. O índice, que era de 6,6 em 2024, passou para 7,0 neste ano, ultrapassando as médias dos millennials e da Geração X. A leitura bíblica diária, assim como a frequência mensal à igreja, se mostraram fatores associados a maiores níveis de bem-estar geral.

O relatório destacou ainda uma reversão na tendência de queda na leitura bíblica nos Estados Unidos, com crescimento pela primeira vez em quatro anos. Estima-se que cerca de 11 milhões de americanos passaram a ler a Bíblia em 2025, com destaque para o aumento entre homens, millennials e membros da Geração X. Cerca de 71 milhões de pessoas ainda estão no que a pesquisa chama de "meio móvel": interessados nas Escrituras, mas ainda sem engajamento ativo.

Geograficamente, o aumento da leitura bíblica foi mais expressivo nas regiões Nordeste e Oeste dos EUA, com 18% de crescimento. O Sul permaneceu estável. Curiosamente, na área da Baía de São Francisco, conhecida por sua baixa religiosidade, os índices de leitura entre jovens superaram a média nacional, reforçando a ideia de que, mesmo em contextos culturais mais seculares, há sede por sentido e espiritualidade.

Fonte: Comunhão via Folha Gospel

sábado, 7 de junho de 2025

Baladas, festivais e expedição gospel: evangélicos expandem presença em ambientes considerados 'do mundo'




Movimento é impulsionado por jovens, redes sociais e estética 'descolada' de igrejas como a Lagoinha. Para especialistas, estratégia tem como objetivo a acomodação cultural. Entre 2010 e 2022, evangélicos passaram de 21,6% para 26,9% da população, segundo o Censo.




Baladas, festivais, expedições, carnaval e a expansão da música gospel para gêneros como trap e funk: nos últimos anos, vem crescendo a adesão de evangélicos a espaços culturais historicamente considerados "do mundo" e "profanos" por igrejas mais tradicionais.

De cultos na D-Edge, casa noturna tradicional de música eletrônica em São Paulo, ao bloco de carnaval gospel e ao Legendários (expedições religiosas com linguagem motivacional), a ocupação de ambientes seculares por grupos cristãos vem ganhando cada vez mais visibilidade — especialmente com o uso das redes sociais e o crescimento da comunidade evangélica no Brasil.

De acordo com o Censo 2022 divulgado na sexta-feira (6) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre 2010 e 2022 a quantidade de evangélicos cresceu 5,2 pontos percentuais, passando de 21,6% para 26,9% da população (veja mais abaixo).

Para Nina Rosas, especialista em Estudos da Religião e professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), este movimento não é recente e ocorre, pelo menos, desde os anos 90. Mas, com o crescimento dos evangélicos no país e o uso das redes sociais, ele tem ficado mais visível.

1 em cada 4 brasileiros é evangélico; percentual é maior entre mais jovens, mostra IBGE

Segundo apuração, a ocupação progressiva desses ambientes seculares se dá por alguns fatores, como:
  • Descentralização da autoridade religiosa;
  • Sacralização de ambientes considerados profanos;
  • Adoção da lógica de mercado;
  • Teologia da Prosperidade;
  • Liberação de usos e costumes (leia mais abaixo).
Esta presença já é vista na cultura e, principalmente no mundo digital. Nas redes sociais, influenciadores evangélicos acumulam milhares de seguidores e mostram suas rotinas. São vídeos de "Get Ready With Me" (trend "arrume-se comigo"), de lazer e, principalmente, apresentando as igrejas. As próprias igrejas também têm presença forte nas redes sociais. 

Fundada pela família Valadão, a Igreja Batista da Lagoinha em Alphaville já acumula mais de 700 mil seguidores somente no Instagram, enquanto a Hillsong São Paulo tem mais de 170 mil.

No culto realizado na D-Edge e que foi acompanhado pela imprensa, por exemplo, a quantidade de celulares e câmeras profissionais gravando o evento para ser postado nas redes sociais era quase equivalente à de pessoas presentes.

As baladas gospel já viraram até trend no TikTok, com vídeos que ultrapassam milhares de visualizações. Um deles foi gravado por Karen Santos, de 25 anos, em janeiro deste ano. Ele alcançou mais de 68 mil curtidas. No vídeo, ela mostra um DJ no evento Vira Brasil, o festival de Réveillon de música gospel da Lagoinha com ingressos que custaram até R$ 3.500 na área VIP.

"O vídeo foi no Vira Brasil, primeiro evento de virada de ano de uma igreja em um estádio, que levou várias figuras do mundo gospel. Quem aparece no vídeo é o DJ PV, que tem as batidas de música como qualquer outro DJ, porém ele usa louvores", conta ela.

"Ele usa batidas 'do mundo' e músicas evangélicas justamente para trazer o jovem para dentro da igreja. A batida não tem nada a ver com a música. O que a gente leva em consideração é a letra que estamos cantando", afirmou Karen.

"Eletrônico gospel, pagode gospel, sertanejo gospel fazem com que mais pessoas interajam com a religião e adorem a Deus", completa.

Karen se converteu em 2021, após se casar com um evangélico. Há dois anos, ela começou a frequentar a Lagoinha Alphaville. "Aqui é um pouco diferente da igreja tradicional. O pessoal pode vestir o que quiser, ouvir o tipo de música que quiser, não é uma coisa muito fechada. É uma igreja mais desconstruída", conta.

Vida noturna gospel

A Balada Sky, voltada totalmente para o público evangélico, chega à 14ª edição neste ano em Guarulhos, na Grande São Paulo, e Jundiaí, no interior. Segundo João Batista Ribeiro, promotor do evento e DJ, ela é considerada "a maior white party cristã do Brasil".

Geralmente, a festa começa por volta de 22h e vai até 6h. O público é embalado, principalmente, pelos DJs que fazem remixes de músicas gospel, tocando eletrônica, funk e trap. Bandas convidadas também fazem parte da programação.

"Durante um bom tempo a igreja evangélica no geral resumia suas atividades apenas a encontros litúrgicos. Porém, acreditamos que a igreja deve se posicionar como um agente influenciador na sociedade e promover não apenas cultos e reuniões, mas também atividades que possam gerar relações interpessoais em sua comunidade", afirma João Batista.

"A igreja não é só templo, mas sim a reunião de pessoas para fazer atividades que estreitam essas relações. Isso inclui festas e baladas seguindo os valores e princípios da comunidade", completa.

Há oito anos, a Balada Colors — que se autointitula a maior festa gospel neon de São Paulo — também transforma igrejas em pistas de dança com iluminação de luz negra e tintas fluorescentes à disposição do público.
Em maio, a festa chega à 9ª edição. Será realizada na Igreja da Lagoinha Campus 2, em Santo André, no ABC Paulista. A maioria do público é formada por jovens cristãos entre 18 a 26 anos que se divertem ao som de diversos ritmos, que vão de eletrônica e trap até reggae e pagode — e sem bebida alcoólica.

Para Paulo Flávio Ferreira, um dos líderes jovens da Lagoinha e coordenador da festa, esse tipo de evento é uma forma de "falar de Deus para as pessoas" e um exemplo de que "é possível unir Deus e a alegria sem os dogmas da religião que só trazem culpa".

"A igreja, como comunidade cristã que tem seus princípios e valores, precisa entender que o seu compromisso não é apenas em promover cultos aos domingos. Mas poder gerar uma programação que seja sadia aos seus frequentadores: encontros de orientação, comunhão, festas para diversão, ações sociais para ajudar necessitados", exemplifica Paulo.

O uso do entretenimento como porta de entrada para a igreja não é um fenômeno recente, como apontaram os especialistas ouvidos pela reportagem. Caso do estudante Kayke Macoy, de 21 anos, que frequentou matinês organizadas em igrejas evangélicas durante a adolescência em São Paulo. 
Kayke conta que as festas — que ele classificou como "balada do bem" — eram regadas a muita música e comida, além da adoração a Deus. "É como qualquer outra balada, porém sem exagero, sem nenhuma bebida alcoólica, sem nenhum tipo de droga. A vibe das pessoas é superpositiva. Todo mundo muito alegre, animado. Um ambiente seguro."

'Coisas de Deus' e 'coisas do mundo'

No universo evangélico, a fronteira entre o sagrado e o profano sempre foi bem definida. Essa distinção rígida entre "coisas de Deus" e "coisas do mundo" impulsionou a criação de versões religiosas para práticas culturais populares.
Segundo o teólogo e pastor André Anéas, doutor pela PUC-SP, essa dinâmica tem levado ao movimento de "sacralização" de espaços classificados como profanos e incompatíveis com a fé cristã.

"O ser humano quer se divertir, quer lidar bem com o seu corpo, quer ter corporeidade, quer ter lazer, quer ter show, quer ter cultura. [...] Só que, na cabeça do evangélico, ele só pode fazer aquilo que é sagrado. Daquilo que é profano, ele está fora", diz Anéas.

É dessa forma que surgem fenômenos como os blocos de carnaval gospel, baladas evangélicas e a bateria de samba Batucada Abençoada, da Igreja Bola de Neve. "Tenho que sacralizar as coisas para embalar numa embalagem evangélica ou gospel para se tornar mais atrativo — e esse pessoal sabe fazer isso muito bem", observa o pastor.

A expansão do número de evangélicos no Brasil também ampliou a demanda por produtos culturais e espaços de lazer que dialoguem com esse público. Para Anéas, a ocupação de espaços antes considerados "do mundo" responde a uma pressão geracional, com jovens buscando expressar sua fé de forma mais plural — ainda que dentro dos limites impostos pelas igrejas.

"As igrejas estão absorvendo essas estratégias [de mercado] porque dá dinheiro. Então elas usam realmente estratégias de marketing e de comunicação para as pessoas poderem ter o melhor tipo de experiência dentro do ambiente eclesiástico. E os jovens, obviamente, têm também estratégias voltadas para eles."

Apesar da roupagem moderna e jovem, Anéas pontua que, do ponto de vista teológico, essas igrejas seguem sendo "bem fundamentalistas, bem radicais no pensamento, na maneira de pensar a fé.", ao mesmo tempo em que ele também reitera que há uma perda dos valores primordiais do protestantismo. "O mundo evangélico é cada dia menos, senão nada, protestante. Porque no protestantismo, a rigor, você não tem sagrado e profano. Tudo é sacralizado", conclui.

Igrejas de parede preta

Para Nina, essa adesão em ambientes antes considerados "do mundo" é vista, principalmente, nas chamadas "igrejas de parede preta", como a Igreja Batista da Lagoinha.
"A Lagoinha vem nessa toada de renovação das igrejas protestantes — que foram muito influenciadas por vertentes pentecostais. A Lagoinha surge na década de 60, uma igreja mais antiga, e vai adotando uma série de práticas que hoje a gente chama de 'parede preta'. Temos inúmeras igrejas que podem ser caracterizadas dentro desse novo movimento. A Lagoinha é uma delas — não todas as suas filiais ou unidades, mas boa parte, como a de Alphaville, de Niterói, algumas Lagoinhas bem expressivas e grandes, e como a do próprio André Valadão em Orlando", afirma a especialista em Estudos da Religião e professora da UFMG.

A Lagoinha assume uma pegada mais "jovial", principalmente influenciada pela igreja australiana Hillsong. Segundo Nina, as igrejas com esse tom incorporaram práticas da Hillsong, sobretudo de louvor e adoração com apresentações musicais nos palcos, organização de eventos, shows, gravações de CDs, DVDs, corpos de bailarinos.

Para chegar ao presente

A especialista cita Christina Rocha, que estuda a Hillsong e deu o nome de "cristianismo descolado" às práticas da igreja, que se manifesta na estética, a presença nas redes sociais - principalmente dos pastores - e uma nova forma de lidar com doutrinas.

O cristão perde as suas caricaturas e se mostram indistintos da cultura local, com uma forma mais livre de se vestir, se posicionar, pregando um igualitarismo, indistinção e, principalmente, a casualidade.

"É uma maneira de se distinguir dentro do próprio grupo evangélico e religioso, o que marca uma aproximação com o estilo que Cristina chama de 'cosmopolitismo', essas tendências de se entender como cidadão do mundo. Isso não significa que se é menos religioso do que antes — e esse é um ponto importante a se marcar. Em vez de vermos uma resistência, uma forma de fugir ou negar o mundo, vemos um passo em direção à acomodação", afirma Nina.

E esse passo em direção as práticas do mundo, além de ser vista como uma maneira de atrair o público jovem é também "permitir que esses jovens permaneçam, construam suas identidades, busquem grupos de apoio e vivam a experiência da juventude no contexto contemporâneo", segundo Nina.

A busca pela juventude está funcionando. Segundo o IBGE, quando se olha por faixa etária, o percentual de evangélicos sobe entre os mais jovens. Entre os brasileiros de 10 a 14 anos, 31,6% se declaram evangélicos. Entre os adolescentes de 15 a 19 anos, são 28,9%.

Infográfico - Religiões por faixa etária, segundo o Censo 2022. — Foto: Arte/g1



Por Deslange PaivaLetícia Dauer, g1 SP — São Paulo

Fonte: G1


MEU COMENTÁRIO:

Em que pese o portal fonte da notícia pertença a um grupo que, via de regra, não defenda os evangélicos, nem demonstre qualquer simpatia por essa ala da sociedade, particularmente, não percebo juízo de valor por parte da jornalista que pesquisou e escreveu sôbre o fato.

Entre os especialistas em ciência da religião e o pastor entrevistado, fica clara a coerência em seus comentários, por ser realmente o que se comenta entre nós evangélicos, entre discordâncias e concordâncias. 

Quanto ao que penso, desde já antecipando que sei que existem quem discorda, afinal de contas ainda estamos tentando viver uma democracia com liberdade de expressão, ainda sou do tempo em que crente era crente, descrente era descrente, ímpio era ímpio e desviado era desviado, profano era profano e sagrado era sagrado, portanto não havia mistura.

Crente se portava como crente, dava testemunho de crente e o que passasse disso, era de procedência maligna. Quem aceitava a Jesus, se portava como tal automaticamente, sem qualquer problema, apenas ouvindo o ensinamento da Palavra de Deus através de seus pastores locais. Assim a igreja cresceu e chegou até aqui. Simples assim...

São temas polêmicos dos dias de hoje, mas ao mesmo tempo são tão simples, que não carecem de qualquer discussão para quem pensa diferente, tem igreja para todo gosto; lá na frente, no grande Dia do Senhor, todos veremos se essa conta fecha ou não.

Para que possamos analisar, ressalto e reverbero abaixo, somente que os próprios entrevistados acima declararam:

"Em vez de vermos uma resistência, uma forma de fugir ou negar o mundo, vemos um passo em direção à acomodação", afirma Nina;

"E esse passo em direção as práticas do mundo, além de ser vista como uma maneira de atrair o público jovem é também "permitir que esses jovens permaneçam, construam suas identidades, busquem grupos de apoio e vivam a experiência da juventude no contexto contemporâneo", segundo Nina;

"Ao mesmo tempo em que Anéas também reitera que há uma perda dos valores primordiais do protestantismo. "O mundo evangélico é cada dia menos, senão nada, protestante. Porque no protestantismo, a rigor, você não tem sagrado e profano. Tudo é sacralizado", conclui.

Analiso que, com toda essa pluralidade e liberdade, em pese continuemos crescendo, o que se projetava de "maioria evangélica" no Brasil para 2030, já se adia para 2.050, isso é, se o índice de crescimento não diminuir, assim como na última década.

Ora, se esse crescimento não for fundamentado na Palavra, de forma que produza novas criaturas (¹⁷ Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo. - 2 Coríntios 5:17), já avistamos o risco eminente de uma enfermidade chamada "inchaço", por falta de essência.

Como um crente assembleiano, para não ficar só nas minhas palavras, vou deixar alguns versículos da Bíblia para a nossa meditação:


Consagração a Deus. Humildade e fidelidade no uso de seus dons"¹ Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. ² E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus".  - Romanos 12: 1-2

"¹¹ Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens, ¹² ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, justa e piamente, ¹³ aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo,"  - Tito 2:11-13

Cada um deve levar a sua cruz - "²³ E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me. ²⁴ Porque qualquer que quiser salvar a sua vida perdê-la-á; mas qualquer que, por amor de mim, perder a sua vida a salvará. ²⁵ Porque que aproveita ao homem granjear o mundo todo, perdendo-se ou prejudicando-se a si mesmo? ²⁶ Porque qualquer que de mim e das minhas palavras se envergonhar, dele se envergonhará o Filho do Homem, quando vier na sua glória e na do Pai e dos santos". - Lucas 9:22

Perseverança no meio das provações, segundo o exemplo de Cristo - "¹ Portanto, nós também, pois, que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo embaraço e o pecado que tão de perto nos rodeia e corramos, com paciência, a carreira que nos está proposta, ² olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus. ³ Considerai, pois, aquele que suportou tais contradições dos pecadores contra si mesmo, para que não enfraqueçais, desfalecendo em vossos ânimos. ⁴ Ainda não resististes até ao sangue, combatendo contra o pecado. ⁵ E já vos esquecestes da exortação que argumenta convosco como filhos: Filho meu, não desprezes a correção do Senhor e não desmaies quando, por ele, fores repreendido; ⁶ porque o Senhor corrige o que ama e açoita a qualquer que recebe por filho. ⁷ Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque que filho há a quem o pai não corrija? ⁸ Mas, se estais sem disciplina, da qual todos são feitos participantes, sois, então, bastardos e não filhos. ⁹ Além do que, tivemos nossos pais segundo a carne, para nos corrigirem, e nós os reverenciamos; não nos sujeitaremos muito mais ao Pai dos espíritos, para vivermos? ¹⁰ Porque aqueles, na verdade, por um pouco de tempo, nos corrigiam como bem lhes parecia; mas este, para nosso proveito, para sermos participantes da sua santidade. ¹¹ E, na verdade, toda correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas, depois, produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela." - Hebreus 12:1-11

Vosso conservo em Cristo
Pr. Carlos Roberto Silva
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