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quinta-feira, 21 de maio de 2020

TVs aceitam baixar aluguel da grade para evangélicos, em meio a crise do coronavírus


Ricardo Feltrin
colunista do UOL

Praticamente todas as igrejas evangélicas que ocupam horários nas TVs abertas conseguiram um desconto de até 70% no "aluguel" que pagam às TVs abertas.
As igrejas vinham pressionando as emissoras desde abril, de acordo com Ricardo Feltrin, colunista do UOL. Algumas igrejas ocupam esses horários há décadas.
Com os cultos esvaziados por causa da pandemia de coronavírus, e com cada vez menos doações de fiéis —que perderam os empregos ou tiveram seus salários suspensos— líderes religiosos pressionaram para que as TVs baixassem o valor do "aluguel" da grade. E conseguiram.

Segundo executivos de emissoras ouvidos pela coluna do Ricardo Feltrin, as TVs não tiveram saída: ou davam descontos ou perderiam uma importante de renda durante o momento de maior crise econômica da história do país (e do mundo).
RedeTV, Band e Gazeta estão dando vultosos descontos para não perder as "clientes" Igreja Universal, Igreja Internacional, Vitória em Cristo, Assembleia de Deus e Comunidade Cristã Paz e Vida.
Um dos maiores beneficiados foi o pastor R.R.Soares, da Igreja Internacional da Graça, que compra cerca de uma hora diária da Band e da RedeTV em horário nobre.
Soares obteve desconto temporário de cerca de 70% no "aluguel" da grade dessas emissoras, afirma Feltrin.
A Universal também conseguiu um bom desconto do valor que paga mensalmente à Band pelo aluguel diário de 22 horas da rede 21, emissora UHF do Grupo Band.
Demissões em massa
Além de baixar o custo do aluguel que pagam às emissoras, as igrejas evangélicas acima citadas (e outras) estão promovendo demissões em massa em suas equipes de mídia —de rádio, TV e jornais.
No início de abril, a Igreja Renascer demitiu dezenas de funcionários da Rede Gospel desde o início da pandemia.
Também suspendeu ou demitiu vários músicos de sua orquestra.
A Igreja Internacional também promoveu demissões em suas equipes de TV e rádio em São Paulo, Rio e Belo Horizonte.
Embora jamais comente a respeito, os repasses mensais da Universal à Record, que na década passada chegaram até a estimados R$ 700 milhões hoje caíram para menos da metade disso.
Há décadas a Globo cede uma hora semanal para a Igreja Católica celebrar a Santa Missa em Seu Lar, mas não cobra nada por isso.
Apesar de ter sido assediado inúmeras vezes nos últimos anos, o SBT é hoje a única emissora em São Paulo que não tem nenhuma igreja em sua programação.
No entanto boa parte de suas afiliadas Brasil afora tem.
A necessidade premente de baixar custos não é só de igrejas. As próprias emissoras também estão cortando salários, tentando baixar o valor pago a prestadores de serviços como a Kantar Ibope, tentando adiar pagamento de dívidas trabalhistas entre outras ações.
Fonte: Ricardo Feltrin – colunista do UOL via Folha Gospel

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Pastor ligado ao PSOL pede o fim de programas evangélicos na TV e ataca conservadorismo

O pastor Henrique Vieira, ligado ao PSOL, afirmou que é contra a presença de programas evangélicos na TV e defende a revisão da isenção tributária para igrejas.
O fundador da Igreja Batista do Caminho, que realiza cultos em Niterói e Rio de Janeiro (RJ), se define como um "defensor de causas progressistas", evocando líderes religiosos como o o pastor Martin Luther King, dom Hélder Câmara e Francisco de Assis como inspiração.
Para ele, as atuais lideranças evangélicas são "ultraconservadoras", com posturas "que se distanciam muito da beleza e do caráter generoso do evangelho de Jesus". Na entrevista à jornalista Marilia Neustein, do Estadão, Vieira falou mais sobre sua atuação como um líder religioso com visão política de esquerda.
"Temos [na Igreja Batista do Caminho] um grupo de mulheres que estudam e fazem teologia feminista, e agora um grupo ao qual demos o nome de 'Um novo homem possível, desconstruindo a masculinidade tóxica' – sempre a partir da teologia, da Bíblia", afirmou, exemplificando sua atuação religiosa com viés progressista.
Sobre as opiniões divergentes das que muitos pastores sustentam, Vieira afirmou que "existe um referencial evangélico hegemônico que é de fato preocupante", já que algumas denominações se tornaram gigantescas.
"Refiro-me a algumas lideranças com muito poder econômico, político e midiático. São pessoas que têm uma enorme capacidade de reverberar aquilo que dizem e acabam sendo a principal referência do que é ser evangélico".
Para ele, esses líderes conduzem "um empreendimento empresarial de fé", e se distanciaram do conceito de "comunidade de fé e acolhimento". Em seguida, Vieira usa essa constatação para, ele próprio, vender a visão que mais se amolda a seus valores, acusando as igrejas evangélicas de formarem um ambiente "antidemocrático" e "hostil para mulheres, negros, fiéis das religiões de matriz africana, militantes dos direitos humanos".
"Não gosto de ser colocado como um pastor exótico. [] Sou de uma linhagem comprometida com a causa da justiça social, do respeito à diversidade, do diálogo ecumênico inter-religioso, da busca pelo bem comum", afirmou.
Sobre a imunidade tributária, Henrique Vieira acredita que há espaço para a revisão desse conceito, que foi construído a partir do direito de liberdade religiosa, previsto na Constituição e na Declaração Universal dos Direitos Humanos.
"A previsão constitucional de não cobrar imposto do que não tem natureza lucrativa me parece razoável. O que algumas igrejas fazem é outra coisa. Acho que deveria haver uma auditoria sobre alguns empreendimentos de fé que operam numa lógica mais mercadológica e de lucro do que de um serviço comunitário", disparou.
Em outro trecho da entrevista, pregou contra o direito de igrejas adquirirem canais e realizarem programas evangélicos na televisão: "Sou contra. Pode ser uma visão meio radical, mas é que essas concessões são obscuras, desiguais e desproporcionais. À medida que você liga a televisão e só vê uma narrativa, isso está necessariamente inviabilizando e apagando outras memórias. Acho isso errado", concluiu.
Fonte: Gospel+

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Justiça derruba ação do MPF que pretendia censurar igrejas e restringir programas evangélicos na TV


O juiz Djalma Moreira, da 25ª Vara Federal de São Paulo, derrubou um pedido do Ministério Público Federal para que emissoras de TV que vendessem grandes faixas de sua programação para Igrejas fossem punidas por isso, já que todas são de concessão pública.
A decisão foi feita no último dia 11 de maio, mas só foi promulgada nesta sexta-feira (18). Segundo o magistrado, o fato de serem canais com concessão pública não retira a liberdade das emissoras de definirem o conteúdo que vão ao ar.

O Ministério Público Federal fez o pedido em 2014, se baseando na programação de canais nanicos como CNT e Rede 21, que venderam 22 horas de sua programação para a Igreja Universal do Reino do Deus.
Segundo o MPF, tal vendagem de tanto tempo da programação é contra a constituição brasileira, que estipula apenas 25% de conteúdo para a publicidade ou vendagem de horários para terceiros. Além disso, o MPF afirma que um canal de TV recebe a concessão da União para fazer bom uso, o que não acontece nos casos de CNT e Rede 21.
A dificuldade do MPF começou pela própria União, que nos autos dizia que o Ministério das Comunicações desconhecia irregularidades na vendagem de horários, além de dizer que "possíveis problemas no conteúdo de terceiros são de responsabilidade da geradora dele".
Por fim, a União comentou que não poderia dizer se existe irregularidade nestes fatos, se não se teve acesso de contrato de arrendamento entre a Igreja Universal do Reino de Deus e as duas emissoras citadas no processo. Já CNT, IURD e Rede 21 se defenderam dizendo que existia "impossibilidade jurídica" no pedido e defenderam que a grade de programação possa ser objeto de venda.
Tendo em vista tais argumentos, o magistrado deu ganho de causa para as emissoras. Para ele, a tese do MPF não se sustenta por dois motivos claros. O primeiro deles é que "o conceito de publicidade comercial não deve ser confundido com a comercialização da grade de programação", segundo Djalma Gomes.

domingo, 6 de maio de 2018

Lula tem reclamado da quantidade de programas religiosos na TV aberta

O ex-presidente Lula cumpre pena em uma sala da Polícia Federal em Curitiba há 30 dias

Segundo a coluna de Mônica Bergamo da Folha de São Paulo, o ex-presidente Lula tem não está satisfeito com o que tem visto na TV e reclamou da quantidade de programas religiosos nesses canais. Com acesso à TV na sala onde está preso há 30 dias em Curitiba (PR), Lula só pode assistir os canais abertos que são SBT, Globo, Record, Rede TV!, Gazeta, Band e outros.
Com exceção da Globo e do SBT, todas as demais emissoras da TV aberta alugam parte de seus horários para igrejas evangélicas como a Igreja Universal do Reino de Deus, que é a denominação com maior quantidade de horários, a Igreja Internacional da Graça de Deus e outras que contratam principalmente as madrugadas ou as manhãs dos sábados.
Uma pesquisa antiga do jornalista Ricardo Feltrin, também da Folha, chegou a declarar que as igrejas mantinham pelo menos 140 horas semanais de programação na TV, locações essas que levam as emissoras a lucrarem mais de R$ 1 bilhão.
A exibição desses programas, porém, não desagradam apenas o ex-presidente condenado por corrupção passiva, mas outras autoridades e ativistas que declaram que a locação desses horários fere a Constituição Brasileira, pois as demais religiões não conseguem pagar para ter programas exibidos.
Fonte: JM Notícia
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