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sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

Juristas evangélicos repudiam cancelamento de curso com temática cristã na USP


Com aulas previstas para fevereiro, o curso “Parto e Espiritualidade Cristã” teria 4 encontros promovidos pela Escola de Artes, Ciências e Humanidades.


A Associação Nacional de Juristas Evangélicos (ANAJURE) emitiu uma Manifestação Pública sobre o cancelamento do curso de extensão "Parto e Espiritualidade Cristã", que seria oferecido a enfermeiros e outros profissionais e estudantes de obstetrícia da Universidade de São Paulo (USP).

Em 16 de janeiro, a universidade cancelou o curso coordenado pela Dra. Joyce da Costa Silveira de Camargo (PhD em Ciências de Enfermagem pela Universidade do Porto), cujas aulas estavam previstas para fevereiro, com quatro encontros promovidos pela EACH (Escola de Artes, Ciências e Humanidades).

O curso propunha reflexões sobre a junção entre a espiritualidade cristã e o processo de parto em suas diferentes fases, com aulas ministradas para a atualização de profissionais da área obstétrica e enfermagem, tendo em vista a humanização do atendimento através de uma abordagem holística que busca compreender a integralidade do paciente.

Segundo comunicado, a USP declarou que o cancelamento teve como propósito "preservar a natureza pública e laica da Universidade de São Paulo". A nota ressalta que a decisão foi tomada pela Comissão de Cultura e Extensão da Escola, entidade responsável pelas atividades de extensão na USP.

Para a ANAJURE, "tal afirmação, além de violar a carga valorativa do princípio constitucional da laicidade (art. 5º, VI, da Constituição Federal) e desrespeitar o pluralismo de ideias (art. 206, da Constituição Federal), também contradiz a conduta anterior da Universidade, que promoveu múltiplos cursos dedicados a temas de outras confissões religiosas."

Violação à laicidade

"A proteção dos direitos fundamentais é a característica basilar do Estado Democrático de Direito, sendo as instituições do Estado e o sistema jurídico projetados para assegurar o exercício pleno e efetivo das liberdades individuais e coletivas", diz a ANAJURE.

"No que se refere à laicidade, em termos doutrinários, esta não se concretiza, por si própria, enquanto um direito fundamental; antes, ela atua como um princípio garantidor que possibilita a devida proteção a outros direitos fundamentais, como a liberdade religiosa, a liberdade de expressão, a liberdade de cátedra, etc.", continua.

A entidade diz que é preciso distinguir entre o modelo de laicidade adotado pela Constituição da República, também denominado de laicidade positiva ou aberta, e o laicismo restritivo vigente em países como a França.

"Este último se caracteriza pela hostilidade e perseguição às manifestações do fenômeno religioso no espaço público, buscando restringi-lo à esfera privada dos indivíduos, independentemente da confissão religiosa", afirma.

E lembra que "a laicidade não significa descrença ou extermínio do religioso da esfera pública; antes, simboliza a abertura do espaço público para a diversidade de crenças da comunidade."

A ANAJURE afirma que o caso viola o princípio da laicidade, tal como constitucionalmente previsto.

"Ao adotar uma compreensão distorcida e excludente do conceito de laicidade, a administração da USP impediu a exploração acadêmica de uma dimensão do fenômeno religioso – a interseção entre a espiritualidade cristã e o processo de parto – fundamentada tão somente em sua rejeição à presença do discurso religioso no espaço público da Universidade de São Paulo. Desse modo, é evidente a violação à neutralidade religiosa do Estado em face da manifesta hostilidade que busca excluir o fenômeno religioso do espaço da universidade."

Conduta discriminatória

Para os juristas evangélicos, a conduta da Universidade de São Paulo foi discriminatória.

"Questiona-se sobre a existência de possível caráter discriminatório do cancelamento do curso de extensão em 'Espiritualidade Cristã e o Parto'. Deve-se ressaltar que esta não é a primeira ocorrência de cancelamento de eventos acadêmicos que abordam a interseção entre a fé cristã e áreas do conhecimento. Em 2014, a USP cancelou o Curso Faraday-Kuyper de Ciência, Tecnologia e Religião, que ocorreria na Escola Politécnica da USP, sob o argumento de que sua realização feriria a laicidade do Estado", lembrou.

E continuou: "Poder-se-ia considerar o cancelamento do curso de extensão universitária, com base em objeções ideológicas laicistas, como uma ofensa à laicidade e à liberdade religiosa em sua hostilidade ao fenômeno religioso em geral. Contudo, uma consulta ao histórico da Universidade de São Paulo mostra que a promoção de cursos e atividades acerca da intersecção de áreas do conhecimento com outras religiosidades não foi vista como problemática em outras ocasiões."

E exemplifica:

"Apenas no ano de 2023, a USP ofertou os seguintes cursos: '270400296 – A costura do sagrado: trajes de umbanda, candomblé e de folguedos derivados de ritos afro-brasileiros' e '80402270 – Cursos de Inverno da FFLCH 2023 – Mitologia dos orixás femininos na poesia', e No Caminho do Alabê, que aborda as manifestações musicais relacionadas ao culto dos orixás".

A ANAJURE menciona outros cursos ofertados pela universidade que incluem as religiões budista e xintoísta.

"Ora, se o suposto caráter 'laico' da instituição a impede de ofertar um curso de extensão sobre espiritualidade cristã e parto, a mesma compreensão deveria ser posta em prática no que tange a outros cursos com propostas diversas de intersecção entre o ensino e a religiosidade", questiona.

E chama o cancelamento do atual curso com referência ao cristianismo de discriminação religiosa.

A ANUJURE declarou que repudia a discriminação religiosa.

A ANUJURE declarou que repudia a discriminação religiosa manifesta no cancelamento do referido curso e que "enviará ofício à USP, repudiando a medida adotada e requerendo explicações e a apuração da devida responsabilidade, bem como adotará outras medidas cabíveis diante do caso."

Fonte: Guia-me com informações de ANAJURE via Folha Gospel

quinta-feira, 6 de maio de 2021

Estudante de homeschooling proibida de ingressar na USP ganha bolsa de estudos nos EUA


A jovem Elisa Flemer, de 17 anos, foi impedida pela justiça de se matricular na USP, mesmo sendo aprovada no vestibular, por não ter diploma do Ensino Médio.

A estudante Elisa Flemer, de 17 anos, que foi proibida de ingressar na USP por ter estudado em casa por regime de homeschooling, ganhou uma bolsa para fazer um curso de curta duração no Vale do Silício, nos Estados Unidos.

A oportunidade foi oferecida por uma empresa, que pagará todos os custos do curso de duração de uma semana. A instituição também deu um curso online de Business Administration (administração de empresas) em uma faculdade dos Estados Unidos e convidou a estudante para integrar seu grupo de estagiários.

“Fiquei muito feliz em ganhar essa bolsa e poder fazer essa imersão no Vale do Silício. Com toda certeza assim que for possível viajar para lá eu irei. Já com relação ao convite de estágio ainda não aceitei porque a minha prioridade é estudar e estou aguardando alguns resultados de universidade norte-americanas", disse a estudante em entrevista ao UOL.

Por causa do fechamento das fronteiras devido à pandemia da Covid-19, Elisa ainda não sabe quando poderá viajar para fazer o curso na Califórnia.

A jovem também está concorrendo a bolsas de estudos em universidade nos EUA e aguarda as respostas. Em quatro delas, Elisa está na lista de espera.

“Esse é o meu sonho e estou torcendo muito para que dê certo", afirmou.

Fonte: Guiame

domingo, 25 de abril de 2021

Jovem adota homeschooling e é proibida de iniciar curso na USP

Elisa de Oliveira Flemer tem 17 anos

A Justiça proibiu que uma estudante de Sorocaba (SP) ingresse no curso de Engenharia na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) porque ela trocou o Ensino Médio na escola para estudar por conta própria em casa.

Elisa de Oliveira Flemer, de 17 anos, não frequenta a escola desde 2018. Ela estuda seis horas por dia em casa, seguindo um método próprio.

Quando decidiu estudar por conta própria, Elisa estava no primeiro ano do Ensino Médio.

Ao portal G1, ela disse que aprendia a matéria lendo a apostila minutos antes da aula.

– Fazia a lição ali em 20 minutos e ficava o resto da aula lendo, divagando, escrevendo, desenhando – contou a estudante.

A jovem começou a prestar vestibulares com 16 anos e foi aprovada em várias provas. Ela conquistou o 5º lugar no curso de engenharia civil da Escola Politécnica da USP, por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu).

Como não tem um diploma, visto que não completou o Ensino Médio em uma escola tradicional, Elisa não consegue ingressar em uma faculdade.

Em outubro do ano passado, o Ministério Público foi favorável a conceder a liminar para que ela seja aceita em um curso de Ensino Superior. Mas o pedido de liminar acabou sendo negado.

Segundo a juíza Erna Tecla Maria, o homeschooling não está previsto na legislação e não foi admitido como ensino apto para certificar o estudante.

Uma opção seria Elisa fazer o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja), que só pode ser realizado por pessoas maiores de idade.

No Brasil, a educação domiciliar (homeschooling) não é permitida. Um projeto do Governo Federal para permitir essa modalidade está em andamento no congresso.

Fonte: Pleno News

domingo, 15 de abril de 2018

Alunos da USP discriminam calouros entre 'crentes' e 'judeus' em mapa ideológico


Lista era um documento de acesso particular do Centro Acadêmico, mas acabou vazando e causando revolta nas redes sociais


Um documento interno com uma planilha elaborada por alunos da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), no Largo de São Francisco vazou e acabou causando repúdio no ambiente acadêmico. A revolta foi causada pelo "mapeamento ideológico" contido no documento, que separava os calouros por seus interesses políticos, gostos musicais e até mesmo religião.
Os dados foram obtidos a partir das "páginas curtidas" que cada estudante tem em seu Facebook e seriam usados para mapear novos alunos com interesses políticos semelhantes aos do grupo que hoje ocupa o Centro Acadêmico, a fim de aproximá-los da organização.
Elaborada por integrantes do Coletivo Contraponto, com membros ligados à juventude do Partido dos Trabalhadores (PT), a lista mostra o nome do estudante, uma indicação sobre sua origem (de qual cidade veio e onde estudou), um "mapa de likes" (com uma análise de quais páginas o estudante curte no Facebook para tentar identificar sua orientação política), um link para a página pessoal do calouro na rede social e também a pessoa que seria a "responsável" no centro acadêmico em fazer o contato com o calouro, para tentar atraí-lo para o grupo.
Entre os "apelidos" e rótulos dados aos alunos, estavam "velhão", "progressista", "judeu", "crente", "bolsominion" (apoiador do candidato à presidência Jair Bolsonaro), "maconheiro de esquerda", "ideologia desconhecida, judia", "liberal de m****" e até "não tem Facebook, maluca total".
Após a lista vazar em um grupo dos estudantes, diversos alunos começaram a manifestar repúdio nas redes sociais.
"Rotular as pessoas sistematicamente de acordo com sua crença, gostos pessoais e amizades para futura captação política beira o fascismo", comentou o estudante Vitor Fuks, que teve seu texto compartilhado até por um docente.
O advogado Renato Stetner, que é ex-presidente do Centro Acadêmico, afirmou que a lista é, de fato, preconceituosa e usa de meios incorretos para alcançar objetivos partidários.
"Há evidentemente uma manifestação de preconceito e de abuso de poder. Estão usando uma instituição que é pública, dos alunos, para atingir fins políticos particulares", disse o jurista em entrevista ao Estado de S. Paulo
As críticas também continuaram em um grupo fechado de estudantes da Universidade.
"Isso é sintomático de uma política distante da disputa de consciência e pautada na abordagem individual personalista. E isso nunca vai ser uma vergonha pra vocês, mas para o movimento estudantil de esquerda deste lugar que acaba tendo de se ver representado assim", postou um dos estudantes.
Já o presidente Centro Acadêmico do 11, Luís Fernando Gonçalves, disse ao Estado que o Coletivo Contraponto pede desculpas pelo vazamento, mas ainda assim defendeu o documento.
"Como movimento estudantil, uma das tarefas centrais é de conseguir fazer com que outras pessoas entrem nessa engrenagem. Por meio desse mapa, buscamos identificar em qual espectro ideológico o aluno se identifica mais", disse.
Luís Fernando ainda reconheceu que parte dos membros do coletivo é ligada ao PT, mas disse que há diferentes correntes na gestão.
Em nota oficial, o diretor da Faculdade de Direito, Floriano de Azevedo Marques Neto, disse que "rejeita veementemente qualquer tipo de preconceito, segregação, intolerância ou classificação desabonadora a membros da comunidade ou em detrimento de quem for".
Em nota oficial, o Coletivo Contraponto pediu desculpas e admitiu sua 'postura inaceitável'
"Entendemos o constrangimento de ter uma descrição associada ao seu nome em uma tabela a que nem mesmo se tem acesso, bem como repudiamos a presença de termos ofensivos no nosso mapa, e por isso reiteramos, mais uma vez, nossas mais sinceras desculpas", diz o texto do grupo.
Fonte: CPADNews

sábado, 23 de setembro de 2017

USP assina convênio com a Catedral Evangélica de São Paulo para cessão de órgão de tubos


No dia 16 de setembro, a USP e a Catedral Evangélica de São Paulo assinaram um convênio que possibilitará a instalação de um órgão de tubos, cedido pela Universidade, na sede da instituição religiosa, no bairro da Consolação, em São Paulo. O instrumento deverá ser instalado no local até o final do ano de 2018.
O estabelecimento do acordo foi aprovado pelo Conselho Universitário, na sessão realizada no dia 4 de julho deste ano, e tem como objetivos apoiar, incentivar, assistir, desenvolver e promover a cultura, a educação e tornar a música acessível para parcelas maiores e mais carentes da população.
O convênio prevê a montagem, instalação, utilização e manutenção do órgão e estabelece a elaboração e execução de projetos de incentivo à música e de educação musical. Além disso, a parceria com a Escola de Comunicações e Artes (ECA) permitirá o desenvolvimento de atividades didático-acadêmicas com alunos e docentes do Departamento de Música da Escola.
O órgão, fabricado pela empresa de origem alemã Gerhard Grenzing e adquirido pela USP em 2013, é composto por cinco corpos, 3.400 tubos de metal e 175 tubos de madeira. Inicialmente, o instrumento seria instalado no Centro de Convenções, no campus de São Paulo. Entretanto, por conta das restrições orçamentárias da Universidade e da suspensão das obras, o processo de construção do Centro foi interrompido. No final de 2015, o Conselho Universitário havia aprovado a instalação do órgão na Catedral Metropolitana de São Paulo, na Praça da Sé, o que não se efetivou por questões de ordem técnica.

Bem público

A cooperação com a ECA e o relacionamento da Universidade com a sociedade foram os pontos destacados pelo reitor da USP, Marco Antonio Zago, em seu discurso. "As catedrais sempre foram locais privilegiados para a prática musical e para a educação artística. Assim é, também, esta catedral: um ambiente que valoriza a arte. Nosso acordo beneficiará a população paulista, com a promoção de audições, concertos e festivais abertos ao público em geral e, principalmente, nossos estudantes, que poderão aperfeiçoar sua formação".

O pastor titular da Catedral, Valdinei Aparecido Ferreira, também comemorou a iniciativa. "Neste dia, estamos participando do nascimento de algo novo em nossa cidade e que une a vocação das instituições. Celebramos um convênio para abrigar, neste templo, um bem público e para zelar para que ele sirva à comunidade, sem qualquer distinção. Para que os alunos aprendam, mais do que notas musicais, a fazer soar os sons da igualdade, da cidadania, da fraternidade", afirmou.
Também estavam presentes ao evento o vice-presidente do Conselho da Primeira Igreja Presbiteriana Independente de São Paulo, Ítalo Francisco Curcio, e o presidente do Conselho Curador da Fundação Mary Harriet Speers, Osni de Lima.
O encerramento da cerimônia foi marcado pela apresentação musical da Camerata de Cordas do Projeto Soarte, desenvolvido pela Fundação, e do Coro da Catedral, e contou com a participação dos professores do Departamento de Música da ECA, Luís Afonso Montanha e José Luís de Aquino.
Assista, a seguir, ao vídeo produzido pela equipe da Catedral a respeito da cessão do uso do órgão.


Fonte: Jornal da USP
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