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domingo, 24 de junho de 2018

Papa Francisco pede que católicos e evangélicos “derrubem as barreiras” de 500 anos

Papa Francisco participou da reunião ecumênica na sede do Conselho Mundial de Igrejas

Esta semana, o papa Francisco foi à Genebra, Suíça, participar de uma reunião ecumênica na sede do Conselho Mundial de Igrejas (CMI). O encontro visava celebrar os 70 anos desta instituição, criada depois da II Guerra Mundial.
O CMI é a maior organização mundial do movimento ecumênico, reunindo 345 grupos em 110 países. Reúne segmentos de reformados, luteranos, anglicanos metodistas, batistas, ortodoxos e outras igrejas. Ele representa mais de 500 milhões de fiéis em todo o mundo. Com 1,3 bilhão fiéis, a Igreja Católica Romana não é membro pleno do CMI, mas seu representante atua como "observador".

    Durante a reunião de oração, Francisco exortou os cristãos na quinta-feira (21) a "derrubar as barreiras da suspeita e do medo" que os dividiram durante o movimento da Reforma Protestante do século 16 e a trabalharem juntos para ajudar os mais necessitados.
    "Depois de séculos de conflito… a caridade permite que nos unamos como irmãos e irmãs", disse ele em Genebra, cidade onde o reformador João Calvino viveu. O pontífice exortou os cristãos de todas as denominações a encontrar "a coragem de mudar o curso da história, uma história que nos levou à desconfiança e ao estranhamento mútuo".
    O papa pediu mais trabalho em equipe entre as denominações cristãs para divulgar os valores do evangelho e cooperar mais em questões como combater a pobreza e a injustiça e defender o meio ambiente.
    "A credibilidade do evangelho é posta à prova pela maneira como os cristãos respondem ao clamor de todos os que, em todas as partes do mundo, sofrem injustamente da propagação sinistra de uma exclusão que, ao gerar pobreza, fomenta conflitos", disse.
    Encerrou dizendo: "Depois de tantos anos de empenho ecumênico, peçamos ao Espírito que revigore o nosso passo. (…) Que as distâncias não sejam desculpas! É possível, já agora, caminhar segundo o Espírito. Rezar, evangelizar, servir juntos: isto é possível. Caminhar juntos, rezar juntos, trabalhar juntos: eis a nossa estrada-mestra […] que tem uma meta concreta: a unidade".
    Com informações de Vatican News e Reuters via Gospel Prime

    sábado, 25 de novembro de 2017

    Igreja Luterana da Suécia muda liturgia e tratamento para Deus é “pai e mãe”

    Objetivo da Igreja Luterana em abandonar a utilização os pronomes 'Senhor' e 'Ele' é para ser mais inclusiva

    A Igreja Nacional da Suécia, de confissão luterana, aprovou uma nova redação no seu "Manual da Igreja", que estabelece como serão feitos cultos, batismos, casamentos e funerais. O livro aborda questões como linguagem, liturgia, teologia e música sendo, portanto, fundamental para as atividades eclesiásticas.
    Na primeira grande alteração desde 1986, a nova versão já causa controvérsia, pois ficou decidido que as referências masculinas a Deus – chamado tradicionalmente pelos pronomes "Ele" e "Senhor" – serão descartados em detrimento de uma linguagem mais “inclusiva”.
    Apesar das pesadas críticas de organizações como a Academia Real da Suécia, e de muitos líderes cristãos mais tradicionais dentro da igreja luterana, os pastores e bispos são instruídos pelo Manual a referir-se a Deus de "uma maneira neutra". Ou seja, Deus deve ser chamado tanto de "Mãe" quanto de "Pai" nas orações.
    De acordo com as diretrizes do manual, elas podem se iniciar assim: "Deus, Santíssima Trindade, Pai e Mãe, Filho, Irmã e Irmão, e Espírito, nosso salva-vidas e inspirador, nos conduza à sua riqueza de sabedoria e conhecimento".
    Sofia Camnerin, vice-presidente da Ecumênica da Suécia, defendeu que essa "linguagem inclusiva" na igreja "é baseada em uma consciência sobre os diferentes tipos de discriminação e desigualdade em nossa sociedade". Para ela, "chamar Deus de 'Senhor' apenas consolida as hierarquias [de gênero] e a subordinação das mulheres no contexto patriarcal branco ocidental".
    Camnerin justifica que "Os teólogos da libertação, juntamente com os teólogos feministas e pós-coloniais, têm sido cruciais para identificar como as hierarquias de legitimação levam à violência e à subordinação".
    E a Trindade como fica?
    Por outro lado, a pastora Helena Edlund expressou sua preocupação com as novas diretrizes linguísticas. "O risco é que não percebemos as pequenas mudanças que, gradualmente ao longo do tempo, resultam em mudanças drásticas que nunca teríamos aceitado se elas fossem colocadas logo de cara".
    Ela diz que era impossível alguns anos atrás as pessoas fazerem orações na igreja chamando a Deus de "mãe", mas essa proposta do manual oficial da igreja torna isso desejável.
    Opinando sobre a aprovação da nova linguagem litúrgica, o pastor Mikael Löwegren, líder da igreja em Småland Ljungby, disse que essa decisão significa que a Igreja Nacional da Suécia "deixou de existir como uma comunidade espiritual coerente".
    "Sob o disfarce da 'diversidade', nossa sociedade está sendo dividida em diferentes grupos", afirmou. Para ele, a recomendação que Deus seja apresentado de uma forma neutra em termos de gênero, "leva a Igreja para muito longe da sua fundação". Afinal, lembra o pastor, "a doutrina mais básica do cristianismo sustenta que existe um Deus trino – Pai, Filho e Espírito Santo".
    Influência da sociedade
    A questão de uma linguagem neutra e inclusiva reflete na Igreja algo que vem sendo debatida na sociedade. Conforme reportou recentemente a rede CNN, há um forte movimento na Suécia para se usar nas escolas o pronome neutro "hen" para todos os alunos, independentemente do seu sexo.
    "Hen" é um novo pronome, que seria um meio-termo entre "han" (ele) e "hon" (ela). Ele é utilizado para fazer referência a uma pessoa sem revelar seu gênero, seja porque é desconhecido, porque a pessoa é transgênero ou porque quem fala ou escreve considera supérfluo referir-se ao gênero.
    Com informações de Breitbart via Gospel Prime
    MEU COMENTÁRIO:
    É simplesmente uma desconstrução da sociedade e da própria igreja. É a Igreja se adaptando precocemente ao "espírito do anticristo", enfim, é a Igreja sendo tudo menos igreja.
    Justamente a pioneira da protestantismo, adulterando e contrariando todos os marcos e pilares do cristianismo, infelizmente no ápice das comemorações dos 500 anos da Reforma Protestante.
    Simplesmente triste e lamentável...

    quarta-feira, 15 de novembro de 2017

    "O que é que nós evangélicos temos a ver com a Reforma Protestante, diz o Pr. Abílio Santana - PODE ISSO?


    O conhecido e renomado pastor Abílio Santana, publicou no facebook, um vídeo (assista abaixo), criticando a divulgação e homenagens das igrejas evangélicas, em comemoração pelos 500 anos da Reforma Protestante, com a data base de 31.10.2017.

    No início da sua fala, faz, no meu entender a infeliz pergunta:

    "O que é que nós evangélicos temos a ver com a Reforma Protestante?"

    Meus amados, registro o fato por ser notícia, porém nem quero comentar seu conteúdo por considera-lo uma aberração.

    Será que esse pastor não teria uma outra forma melhor para aparecer num cenário já tão conturbado?

    Creio que uma melancia na cabeça, seria mais ético e menos polêmico.

    ASSISTA AQUI


    domingo, 5 de novembro de 2017

    Coral Cristolândia no Concerto da Reforma - Músicos da Osadec (AD Cubatão) participaram.



    Assista um trecho emocionante do Coral Cristolândia da Missão Batista, cantando no Concerto da Reforma, realizado em 02/11/2017 na Sala São Paulo em comemoração aos 500 anos da Reforma Protestante.

    Nós da AD Cubatão fomos representados na orquestra regida pelo maestro Roberto Minczuk, que também é evangélico, pelo Maestro Rubens Matos (Tuba), Thiago Araújo (Trompete) e Caroline Matos (violino), membros da nossa OSADEC que participaram do concerto.

    Parabéns!

    ASSISTA AQUI


    sábado, 21 de outubro de 2017

    Reforma Protestante: Coral de 500 vozes se apresenta em Curitiba

    Com duração de 5 dias, evento faz parte das comemorações dos 500 anos da Reforma Protestante

    A Expo Renault será palco de uma grande celebração em comemoração aos 500 anos da Reforma Protestante. De 27 a 31 de outubro várias atividades culturais, de lazer e de saúde, serão promovidas no Parque Barigui, Curitiba, culminando na apresentação de um coral com 500 vozes formado por cantores de várias denominações religiosas.
    Além do coral, a apresentação contará com uma orquestra regida pelo maestro Martinho Lutero Klemann, atores e dançarinos que contarão a história da Reforma Protestante. Ao todo, serão mais de 600 artistas todos voluntários oriundos das igrejas participantes.
    "Há muita gente motivada (inclusive eu) para fazer um belo espetáculo com música vocal e instrumental, dança e teatro, que celebra e conta a história do que foi este movimento de olhar para dentro da Bíblia, extraindo dali um modo novo de enxergar a Deus", explica o maestro.
    O planejamento do evento começou ainda em 2016 com uma celebração na Ópera de Arame, marcando a contagem regressiva para os 500 anos da Reforma Protestante. Daí surgiu a ideia de realizar um evento maior.
    Durante este ano outros eventos, em comemoração à importante data, passaram por Curitiba como a Marcha Para Jesus, e a "Exposição do Museu da Bíblia e a Evolução da Indústria Gráfica" na FIEP.
    A abertura do evento, na noite de sexta-feira 27 de outubro, será liderada pelo Ministério de Pastores Jovens. Serão disponibilizados 5 mil lugares por noite no salão da Expo Renault Barigui.
    Durante as tardes, atividades esportivas, gincanas, brincadeiras para crianças, orientações à saúde, distribuições de materiais, dentre outras, serão ministradas pelos grupos Atletas de Cristo, Médicos para Cristo, Ministério de Pastores Jovens, Reage, Repass e Compacta.
    Fonte: Gospel Prime

    sexta-feira, 13 de outubro de 2017

    Católicos fazem campanha para que evangélicos voltem pra “casa”


    Pastor Augustus Nicodemus rebate: ''A Igreja Católica Romana nunca foi a casa dos cristãos

    A Reforma Protestante, iniciada por Martinho Lutero e que mudou a história da civilização ocidental, completará 500 anos dia 31 de outubro. Quando afixou suas 95 teses na Catedral de Wittenberg, Alemanha, a intenção do frade agostiniano era modificar a Igreja Católica, fazer uma reforma, não causar uma divisão.
    O papa não aceitou as cobranças e críticas, que mostravam à luz da Bíblia como a Igreja Católica havia se tornado algo muito diferente do que Jesus havia pretendido.
    O movimento religioso que deu origem aos evangélicos também se tornou político, influenciando reis e nações inteiras. Acabou resultando na excomunhão de Lutero e dos seus seguidores e, mais tarde, foi o estopim para guerras sangrentas entre países europeus.
    Mas esse clima de união não existe na maioria dos países. No Brasil, o centro católico Dom Bosco lançou uma campanha para tentar convencer os evangélicos a "voltarem para casa", ou seja, a Igreja Católica.
    Pela internet, eles estão divulgando um selo comemorativo, que vem acompanhado do texto:

    "Estamos nos aproximando de uma das fases mais tristes da história. Em 31/10/1517, Martinho Lutero iniciou uma revolta sem precedentes contra a Igreja fundada por Jesus Cristo ao criar a primeira seita protestante, o Luteranismo. De lá para cá, incontáveis denominações foram aparecendo no Ocidente, aprofundando-se ainda mais a divisão. Nos próximos 70 dias faremos uma campanha para que os protestantes Voltem para Casa, cumprindo assim a vontade de Cristo quando nos convocou a sermos um com Ele (Jo 17,21)!".
    Também publicaram um vídeo onde comparam os protestantes/evangélicos com o filho pródigo da famosa parábola contada por Jesus em Lucas 15.
    A maioria dos evangélicos ignorou a campanha. Contudo, nesta quinta-feira (12), quando os católicos do Brasil celebram sua "padroeira", o reverendo Augustus Nicodemus decidiu comentar o assunto.
    Tido como um dos mais influentes teólogos reformados do país, Nicodemus foi incisivo ao comentar a campanha "Protestantes, Voltem para Casa".

    Ele escreveu em seu perfil no Facebook:
    "Já fizemos isso em 1517. A Igreja Católica Romana nunca foi a casa dos cristãos, mas uma prisão que acorrentou suas consciências à doutrinas e práticas inventadas por homens desprovidos da verdade bíblica".
    Milhares de evangélicos curtiram, comentaram  e compartilharam a postagem, mostrando que o assunto ainda incomoda muita gente. Enquanto muitos concordavam com o reverendo, uma parcela dos evangélicos aproveitou para criticar algumas denominações evangélicas (incluindo os luteranos) por não terem mantido os princípios da Reforma, introduzindo em muitas igrejas práticas iguais àquelas que os católicos praticam, como a promessa de bênção em troca de dinheiro e o distanciamento do princípio bíblico de que somente é necessária para a salvação da alma.

    Fonte: Gospel Prime

    MEU COMENTÁRIO:
    Depois de 500 anos ficará um tanto difícil.
    Será que ainda vai caber tanta gente nessa casa?
    Só pra descontrair... rsrsrrs
    ASSISTA AQUI

    sábado, 7 de outubro de 2017

    Quinteto Metal Arte faz concertos em comemoração aos 500 anos da Reforma Protestante

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    No mês de outubro o Quinteto Metal Arte homenageará os quinhentos anos da Reforma Protestante. Serão três concertos com músicas de compositores cristãos reformados, cujos arranjos foram especialmente preparados pelo Maestro Roberto Farias.

    Os ouvintes terão o privilégio de apreciar peças de Lutero, Vulpius, Neander, Borgeois e Bach. O destaque fica para o famoso "Castelo Forte" de Lutero, que também dá o tema e nome ao primeiro CD do Grupo.


    Quinteto Metal Arte

    Formado pelos músicos Silvio Flórido Jr. (trompete), Thiago Araújo (trompete), Francisco Duarte (trompa), Reginaldo Thimoteo (trombone) e Rubens Mattos (tuba), o Quinteto Metal Arte tem como proposta popularizar a música de concerto, executando composições originais e arranjos cuidadosamente preparados, assim como adaptações e transcrições  de peças importantes do repertório sinfônico.

    Será uma oportunidade ímpar poder ouvir um grupo de tamanha qualidade artística com entrada franca.

    Para mais informações sobre o Quinteto, ou contato com o grupo, basta acessar a página no Facebook.

    Confira abaixo os horários e endereços.

    Para visualizar melhor clique no banner

    Com informações: Cidinha Brito via Café Musical 

    sexta-feira, 15 de setembro de 2017

    Pastores e teólogos se unem para assinar “Confissão Católica Reformadora”


    Mais de 250 líderes protestantes assinaram a declaração com o objetivo de demonstrar unidade entre as diferentes denominações cristãs.



    Um mês antes do 500º aniversário da Reforma Protestante, mais de 250 pastores e teólogos assinaram um documento denominado "Confissão Católica Reformadora" na última terça-feira (12) com o objetivo de demonstrar unidade entre as diferentes denominações protestantes.

    A declaração tem como objetivo mostrar que os protestantes são mais católicos do que os próprios católicos romanos ou cristãos ortodoxos. Com base na tradução grega do termo "católico", que é derivado da palavra "universal", alguns teólogos defendem que todos os evangélicos são considerados católicos, já que o Evangelho de Jesus é universal.

    Até agora, a confissão já recebeu signatários de diversas denominações protestantes, como Russell Moore, presidente da Comissão de Ética e Liberdade Religiosa e Ed Stetzer, diretor do Centro de Evangelismo Billy Graham. Pastores brasileiros de igrejas como Assembleia de Deus, Metodista, Presbiteriana e Batista também fizeram parte das assinaturas.

    Os idealizadores da declaração fazem parte de uma aliança de pensadores protestantes que pretendem produzir uma prova positiva da unidade protestante para homenagear os 500 anos da Reforma.

    A ideia originou-se com Jerry Walls, professor de filosofia na Universidade Batista de Houston. Enquanto pesquisava sobre a catolicidade da Reforma, Walls observou que "uma série de teólogos protestantes estavam em busca de uma recuperação e renovação da catolicidade".

    Quanto ao motivo da confissão ser chamada "católica", Walls explica que sentiu a necessidade de recuperar a palavra. "A Igreja de Roma simplesmente se chama 'Igreja Católica'. Mas ela não é a igreja católica", disse ele ao site The Christian Post.

    "Queremos deixar claro que 'católica' é uma palavra muito mais ampla do que a Igreja de Roma. Queremos que os protestantes entendam que quando eles são fiéis à sua própria herança, e as suas próprias raízes, eles são 'católicos' também", acrescentou.

    A declaração tem como objetivo ser um "denominador comum" para a teologia protestante, de acordo com Walls. Segundo a própria confissão, o objetivo não é "substituir as declarações confessionais das várias tradições e igrejas representadas, mas sim expressar nossa identidade teológica compartilhada".


    Embora a confissão não seja vinculada à Igreja Católica Romana e à teologia ortodoxa oriental, por ser organizada "de acordo com os princípios protestantes da fé (sola scriptura, sola gratia, sola fide)", a declaração não tem a intenção de colocar seus signatários contra os outros, mas afirmar a "tradição espiritual em comum para a qual o cristianismo é testemunha eloquente".

    A confissão se concentra em grandes temas da teologia protestante, como a Trindade, as Escrituras, Jesus e sua obra expiatória na cruz, o Espírito Santo, e batismo e outros. Todos os tópicos da declaração são defendidos pelas diversas tradições teológicas que assinaram o documento.

    O comitê tem grandes expectativas para a Confissão Católica Reformadora, como forma de unificar os cristãos protestantes e comemorar o 500º aniversário da Reforma.

    Opinião

    O que gera estranhamento sobre o caráter "comemorativo" desta declaração com relação à Reforma Protestante, é justamente o objetivo de negar a própria Reforma e retroceder à Igreja cristã como somente católica.

    Ao que tudo indica, assinar tal declaração é como invalidar todo o trabalho de reformadores, como Martinho Lutero e João Calvino, que lutaram e sofreram para combater problemas contundentes que a igreja Católica Romana se negava em resolver na época, como a idolatria e a venda de indulgências.

    De fato, há que se manter o respeito entre as religiões, sobretudo entre aqueles que se declaram e se denominam cristãos, porém isto não torna a Igreja Protestante conivente com tudo aquilo que ela sempre se empenhou em protestar contra.

    Seria este o sinal de que a própria Igreja Protestante já necessita de uma nova Reforma?

    * Notícia com colaboração de João Neto

    Fonte: Guiame

    domingo, 4 de junho de 2017

    Obra faz homenagem a Martinho Lutero, um dos líderes da Reforma Protestante



    O luxuoso volume da Bíblia de Estudo da Reforma, de 2.304 páginas, abre com minuciosa biografia do monge agostiniano alemão que rachou a Igreja Católica no século 16.

    O mais novo lançamento da Sociedade Bíblica do Brasil (SBB) é uma homenagem a Martinho Lutero, por sua dedicação às Escrituras Sagradas, centro e base de sua espiritualidade e de sua teologia. O luxuoso volume da Bíblia de Estudo da Reforma, de 2.304 páginas, abre com minuciosa biografia do monge agostiniano alemão que rachou a Igreja Católica no século 16 e inaugurou uma nova comunidade cristã, embora não fosse sua intenção se separar de Roma.

    Além da vida de Lutero, ilustrada por belas gravuras dele, de sua mulher Catarina von Bora, de seus pais e de vários personagens da época, aliados ou adversários, com fotografias das casas, conventos e igrejas, essa edição da Bíblia reproduz os prefácios que o reformador escreveu para cada livro do Antigo e do Novo Testamento.

    É uma edição rica na apresentação, capa em couro sintético, e riquíssima no conteúdo. Mais de 40 mil notas de rodapé, cerca de 120 quadros, mapas e diagramas, 220 artigos e introduções aos textos bíblicos e citações dos pais ou padres da igreja, a começar por São Jerônimo, autor da Vulgata, em latim, são fruto do trabalho de tradutores e revisores da Sociedade Bíblica do Brasil.

    O original de todo esse material é da The Lutheran Study Bible, publicado em 2009 pela Concordia Publishing House, nos Estados Unidos. A tradução do texto bíblico é de João Ferreira de Almeida, revista e atualizada. O mesmo texto, portanto, usado em todas as edições SBB.

    A história de Lutero narra cronologicamente em detalhes os primeiros passos de sua vocação religiosa, a rotina no convento de Erfurt, a viagem a Roma, o combate à venda de indulgências, o casamento com a ex-monja Catarina von Bora e a propagação pela Europa da doutrina evangélica que ficou conhecida como protestantismo.

    Por tabela, o texto divulga o perfil de papas, príncipes e teólogos no cenário político da Alemanha. É uma biografia densa, suficiente para dar aos leitores uma visão clara e, enquanto possível, imparcial de Martinho Luder, sobrenome que ele mudou para Lutero, ou Elêuteros, em grego, cujo significado se traduz por livre ou independente.

    "Essa edição é uma contribuição grande para as igrejas evangélicas na comemoração dos 500 anos da Reforma pelas abundantes citações de Lutero e pela transcrição de textos dele", disse o reverendo Erni Walter Seibert, secretário de Comunicação, Ação Social e Arrecadação, da Sociedade Bíblica do Brasil. Lançada em fevereiro com 11 mil exemplares, a Bíblia de Estudo da Reforma deverá dobrar a tiragem até o fim do ano.

    Conforme observa Seibert, o reformador Martinho Lutero provocou uma revolução na teologia, com repercussão na política e na educação. Sua tradução da Bíblia para o vernáculo, contribuiu para a unificação da língua alemã e deu ao povo a possibilidade de ler os textos sagrados, antes só disponíveis em latim.

    Algumas observações na narração da vida de Lutero são particularmente interessantes. Por exemplo, a suspeita de que não foi do próprio reformador, mas de seguidores seus, a iniciativa de afixar as 95 teses contra as indulgências na porta da igreja do Castelo de Wittenberg, onde ele costumava pregar. Outra informação, curiosa e honesta para um texto quase hagiográfico, é o registro da aversão de Lutero aos judeus. Depois de ter aconselhado uma mudança de atitude em relação ao povo judaico nos anos 1520, ele escreveu a obra A Respeito dos Judeus e de Suas Mentiras, publicada em 1543, na qual afirma que os judeus não passam de filhos de Satanás e que a presença deles entre os cristãos representaria um grande perigo para todos os crentes.

    "Hoje, essas ofensas que Lutero, ao final de sua vida, proferiu contra os judeus são vistas como a principal mácula na biografia do Reformador", observa o texto da Bíblia de Estudo da Reforma, acrescentando que "por ter sido tão rigoroso em seus juízos e pronunciamentos, Lutero não foi seguido em tudo, nem mesmo por seus contemporâneos e enquanto ele ainda vivia".

    O professor luterano Lauri Wirth contou à reportagem que, ao ler na sala de aula trechos do que Lutero escreveu sobre os judeus, seus alunos da Universidade Metodista de São Bernardo do Campo disseram que não sabiam quem era o autor, mas que só podia ser um nazista.

    A Bíblia de Estudo da Reforma soma-se à Bíblia Sagrada com Reflexões de Lutero, lançada em 2012 pela SBB, que também apresenta uma breve biografia, comentários sobre alguns trechos dos dois Testamentos, o Catecismo Menor para pastores e pregadores indoutos e, uma preciosidade, uma seleção de hinos compostos por Martinho Lutero, com a transcrição de letra e partitura. 


    Publicado originalmente em Sociedade Bíblica do Brasil via Notícias Cristãs

    domingo, 28 de maio de 2017

    Os 500 anos do desafio de Lutero ao Vaticano


    Publicadas meio milênio atrás, as 95 teses do líder da Reforma Protestante ainda se mostram atuais.


    A "festa conjunta para Jesus Cristo", organizada pela Federação Luterana Mundial e pelo Vaticano, é um ato notável de união depois de meio milênio de inimizade e derramamento de sangue. Ela estava em preparativos na Páscoa em toda a Europa continental, mas a festa não aconteceu. De modo geral, as comemorações neste ano do 500º aniversário da publicação, por Martinho Lutero, de suas 95 teses – o texto-chave em seu ataque ao abuso do poder e das Escrituras pelo papa – deverão passar despercebidas. O que é muito injusto com Lutero.

    Quando o novo protestantismo – palavra inventada pelos inimigos de Lutero na Dieta de Speyer em 1529 – chegou à Inglaterra, depois que Henrique VIII isolou Roma, talvez não fosse especificamente luterano, mas não teria existido se não fosse por Lutero, ao afirmar que era possível adorar a Deus seguindo as Escrituras e não o papa. O rei explorou a brecha que Lutero havia criado nas defesas de Roma para lançar uma igreja nacional, embora, de início, ajudado e incentivado por Thomas More, tenha atirado farpas contra "essa serpente venenosa" que desafiava o domínio da Igreja Católica na Europa.

    Vivemos hoje em um tempo secular, cético, científico, quando a religião é habitualmente considerada irrelevante. Por isso, Lutero tende a ser desprezado como austero, distante e bidimensional, mais adequado às páginas empoeiradas dos livros de história do que ao século XXI. Tanto que ele é muitas vezes confundido com Martin Luther King, cuja importância é compreendida muito mais facilmente.

    Como um dos formadores da Europa contemporânea, porém, e um populista que ganhou proeminência em uma onda de descontentamento com o establishment entre os que se sentiam isolados e esquecidos (parece familiar?), sua história nunca teve uma ressonância mais imediata.

    Em sua Alemanha natal, pelo menos, ainda se aprecia isso. Cerca de 30% da população continua luterana, incluindo a chanceler Angela Merkel, que é filha de um pastor luterano. Recentemente, um modelo de Playmobil do frade agostiniano segurando a sua pena e a Bíblia, tornou-se o brinquedo de vendagem mais rápida que seu fabricante já colocou no mercado local, com 34 mil vendidos nas primeiras 72 horas de comercialização.

    Um caso de celebração de um herói local? Faz parte, mas é pouco. A relevância contemporânea de Lutero para todos nós está em compreender como e por que um monge obscuro de uma universidade do interior, a anos-luz dos corredores do poder na Roma renascentista, orquestrou uma revolução tão intensa que pôs de joelhos o catolicismo até então todo-poderoso.

    Certamente, não foi por causa da originalidade de seus argumentos teológicos. Nenhum deles era novo. Tudo tinha sido aventado antes, alguns por santos, muitos pelos chamados de heréticos por Roma por sua inconveniência, que tiveram suas vidas extintas em fogueiras nas praças de maneira tão fortuita quanto as velas em seus altares dourados.

    O que Lutero fez nas 95 teses – que, incidentalmente, foram enviadas ao arcebispo local, e não pregadas a uma porta, um exagero imaginoso proposto por seus seguidores após sua morte – foi aproveitar uma profunda veia de alienação entre os pobres em uma Alemanha fragmentada. Eles estavam decepcionados não só com os excessos e a corrupção do papa e de sua Igreja, mas também com seus governantes no quebra-cabeça de Estados que formavam seu país.

    Lutero tocou um acorde em uma congregação que se sentia explorada e ignorada: de um lado, forçada a pagar por basílicas luxuosas em Roma, pela venda de peças inúteis de pergaminho conhecidas como indulgências, que "garantiam" um lugar no céu aos entes queridos (ou a si próprios), e, de outro, no mundo secular, ao ver os velhos meios de que dependia sua subsistência derrubados pela ascensão de uma economia monetária.

    As 95 teses – e grande parte do que Lutero disse posteriormente em público conforme sua mensagem se espalhava pelo continente, até sua excomunhão em 1521 – foram obra de um revolucionário clássico, que, nos termos atuais, queria secar o "pântano do Vaticano".

    Fluente na língua das ruas, o inegavelmente carismático Lutero escreveu a maioria de seus textos mais conhecidos e inflamatórios não no latim da Igreja, mas em alemão, chegando a produzir, em 1522, a primeira tradução do Novo Testamento em alemão coloquial e, em 1534, uma tradução de toda a Bíblia.

    Os que se sentavam nos bancos não precisavam mais confiar na palavra dos padres e bispos, em vez da palavra de Deus. Ele percebeu a força de apelar acima dos "especialistas" muito antes de Michael Gove descobrir isso no movimento pelo Brexit.

    Ao trabalhar com os donos de novíssimas imprensas, Lutero foi um dos primeiros a identificar o potencial do que era a rede social de sua época como um meio alternativo de disseminar seu novo Evangelho anti-establishment. Panfletos de versões editadas de seus textos se espalharam como marolas pela Alemanha, depois a Europa, Roma e até a Inglaterra. Em uma era de analfabetismo generalizado, ele garantiu o envolvimento dos que não sabiam ler incluindo ilustrações, usando xilogravuras cruas, muitas vezes satíricas, do ateliê de seu amigo e colega de Wittenberg Lucas Cranach, o Velho.

    Assim, quando ele se postou diante do sacro imperador romano-germânico e dos príncipes e prelados da Alemanha na Dieta de Worms, em 1521, defendendo seus textos sob risco de morte, Lutero tinha multidões nas ruas movidas em sua defesa, instigadas por panfletos e cartazes que enchiam a cidade.

    Por mais que quisesse se livrar daquele "monge insignificante", como o rotulou o papa Alexandre VI, a sociedade estabelecida não podia entregá-lo a seu destino por medo de incendiar uma revolta. Assim, ao contrário de possíveis reformistas anteriores, Lutero viveu para pôr em prática suas teorias.

    Todos os que atraem o apoio popular, entretanto, inevitavelmente o perdem um dia. Para Lutero, esse momento foi em 1525, quando a insatisfação que havia muito fermentava entre os pobres da Alemanha ferveu na Guerra dos Camponeses. Lutero foi obrigado a escolher um lado e apostou sua sorte com os príncipes que haviam abraçado seu protestantismo (e alguns que não o haviam).

    Não foi uma questão de autopreservação. Sua doutrina dos "dois reinos" – deixar ao Estado as questões terrenas e à Igreja as buscas espirituais, que eram o sangue vital de Lutero – era sinceramente postulada, mas sua aplicação foi considerada uma cruel traição por muitos entre os rebeldes que tinham depositado suas esperanças nele como salvador.

    As consequências da rebelião de Lutero, entretanto, não se limitaram a um período particular, à Alemanha ou mesmo a uma religião organizada. Sua mensagem essencial era que, no fim da vida, cada fiel se postava nu diante de Deus para aguardar o julgamento eterno, tendo somente a Bíblia e a fé a protegê-lo. As "boas obras" que o catolicismo encorajava – ganhar pontos por ir à missa, fazer peregrinações, rezar para relíquias e contribuir para os cofres da Igreja – eram irrelevantes na salvação.

    Ele estava assim desafiando toda a maneira medieval de fazer as coisas e o resultado foi notavelmente moderno. Pois Lutero defendia a consciência informada pela leitura das Escrituras, mais que os ditames das regras da Igreja. Leia a Escritura e tome a sua decisão. Isso, por sua vez, abriu a porta nos séculos XVII e XVIII às ideias iluministas de liberdade humana, livre expressão e até de direitos humanos, as quais moldam a Europa atual. Nossa capacidade de ler a palavra de Deus e rejeitá-la vem de Lutero – um resultado que ele não poderia ter previsto e que certamente o teria horrorizado.

    Se isso soa abstrato demais, entretanto, há um último aspecto de Martinho Lutero que lhe dá uma relevância e um apelo tridimensionais. Quanto à coragem pura e altruísta, é impossível superá-lo. Ele pode ser lembrado como um frade rechonchudo da história, mas durante mil anos, antes do surgimento de Lutero, a Igreja Católica tinha sido uma das maiores potências da Terra, tão poderosa que definiu o calendário que o mundo usa até hoje, tomando como seu eixo o nascimento de Jesus Cristo.

    Ele teve a coragem de enfrentar uma Igreja monolítica, na plena expectativa de que lhe custaria a vida, mas o fez assim mesmo, enfrentando o poderio da primeira religião realmente universal, em pessoa e muitas vezes sozinho, com uma paixão, intensidade e energia extraordinárias. O mais notável de tudo é que Lutero não apenas sobreviveu, como também triunfou, e somos todos melhores por causa dele.

    Publicado originalmente em
    The Observer via Carta Capital via Notícias Cristãs
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