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segunda-feira, 10 de junho de 2024

Cristãos no Brasil celebram o Dia do Pastor



No Brasil, os cristãos escolheram o segundo domingo de junho para celebrar o Dia do Pastor.


Em todo segundo domingo de junho, comemora-se o Dia do Pastor Evangélico no Brasil. O líder cristão tem um grande desafio nas mãos, que é discipular, ensinar, aconselhar e até mesmo advertir os fiéis que estão sob a responsabilidade espiritual dele. No salmo 23, Davi compara-se a uma ovelha e Deus a um pastor, função que ele desempenhou desde jovem. O futuro rei de Israel sabia que, assim como as ovelhas, ele também era indefeso, tinha medo de muitas coisas, vivia melhor coletivamente e precisava de uma direção para viver.

Qual é a origem do Dia do Pastor?

Em 5 de maio de 1955, o Jornal Batista publicou um artigo falando sobre o assunto, no qual também pedia uma oferta para líderes cristãos aposentados que precisavam da complementação da renda. Porém, o pedido de auxílio aconteceu para celebrar o Dia da Junta da Beneficência e não foi bem atendido. Então surgiu a mudança do nome da data para Dia do Pastor, já que a maioria dos que receberiam a assistência era ministro do evangelho. No entando, no segundo domingo de maio já acontecia o Dia das Mães, logo entenderam a necessidade de alterar também o mês da celebração, e por isso ficou decidido que no segundo domingo de junho seria comemorado o Dia do Pastor Evangélico.

Como é o trabalho de um pastor da Igreja Perseguida?

O trabalho de um pastor na Igreja Perseguida é repleto de desafios e riscos. Em Efésios 4.11, a Bíblia afirma que Deus deu dom aos homens e um dos listados é o de pastorear. Por isso, ser pastor não é um atributo conquistado por esforços humanos, mas sim um chamado para edificar a igreja de Jesus por meio do serviço e da liderança.

O pastor sírio George Moushi, da Alliance Church, em Qamishli, sabe que o lugar dele é onde as ovelhas estão. Por isso, apesar da guerra na Síria e os bombardeios na cidade onde mora, ele permaneceu no local apoiando os cristãos nas mais diversas necessidades. "Nós vemos pessoas remexendo lixeiras em busca de algo para comer. Coisa que nunca tínhamos visto antes", contou em entrevista à Portas Abertas.

Diante de tanta necessidade, a igreja do pastor George tem funcionado como um Centro de Esperança. Não importa se a pessoa é cristã ou não, ela recebe comida, roupas, combustível e até moradia, e isso tem servido como testemunho do amor de Deus por ela. Nem mesmo a pandemia de COVID-19 impediu que o líder cristão e a igreja continuassem a amparar as pessoas que mais precisavam de socorro.

Quais os riscos de ser um pastor da Igreja Perseguida?

Os riscos enfrentados pelos pastores incluem pressão, violência e podem até perder a própria vida por amor a Jesus. É comum que muitos deles sejam presos e torturados até que prometam não falar mais do amor de Cristo e nem se reunir com outros cristãos.

Inthy* é um pastor do Laos que ficou isolado em uma cela escura com as mãos e os pés algemados por 49 dias. O "crime" cometido por ele foi "interromper a unidade da comunidade e reunir pessoas para adoração sem permissão prévia".

A devoção dele a Jesus já o levou para a cadeia três vezes, mas a vida do pastor Inthy é testemunho para todos. "Para mim, meu pai é meu herói. Ele trabalhava arduamente todos os dias para garantir que fôssemos alimentados física e espiritualmente. Ele também é como o apóstolo Paulo da Bíblia. Está sempre preocupado em satisfazer a vontade e agradar a Deus, independentemente da perseguição que enfrentará", afirma o filho do pastor, Kikeo*.

Quais as consequências de ser um pastor da Igreja Perseguida?

As consequências para os pastores muitas vezes afetam suas famílias e comunidades. O pastor Leopoldo do México sabe quanto custa ser líder de uma igreja em uma região onde há perseguição. Ele e a família foram expulsos da comunidade onde viviam porque decidiram compartilhar o evangelho com amigos e vizinhos e deixar de seguir os rituais e costumes religiosos do vilarejo.

Antes de serem expulsos, os cristãos foram proibidos de comprar alimentos e remédios nos comércios locais. Também tinham os cultos interrompidos frequentemente e os filhos do pastor Leopoldo eram hostilizados na escola. Além disso, o líder cristão foi agredido por uma multidão e ficou quatro dias preso.

Em 2017, ele veio ao Brasil e contou o testemunho dele em diversas igrejas espalhadas pelo país. "Estou grato ao Senhor, porque esse testemunho nos mostrou a vontade dele e hoje podemos dizer que há gratidão em nós, porque Deus nos permitiu viver tal situação para que o nome dele fosse glorificado e proclamado por cada um daqueles que passam pela perseguição", reconhece o pastor.

Quais desafios os pastores da Igreja Perseguida enfrentam?

Os pastores da Igreja Perseguida enfrentam uma variedade de desafios, como risco de ser preso e até perder a vida por causa da fé em Jesus. Por exemplo, o pastor Zachariah teve sua fé abalada após perder esposa e filho em um ataque de extremistas fulanis a seu vilarejo na Nigéria. Mas, após receber cuidados pós-trauma, ele continua a liderar e encorajar sua congregação, lembrando que Deus não abandona aqueles que confiam nele. O Domingo da Igreja Perseguida (DIP 2024) uniu mais de 17 mil igrejas em oração pela África Subsaariana, destacando a importância de apoio espiritual para esses líderes.

Qual o privilégio de ser um pastor da Igreja Perseguida?

O maior privilégio de ser um pastor da Igreja Perseguida é poder ver e participar ativamente da obra de Deus em todo o mundo. Na Nigéria, o pastor Jeremiah viu a vila onde mora ser atacada por militantes fulanis. A igreja onde ele e outros cristãos se reuniam também foi incendiada, mas pela graça de Deus não ficou completamente destruída.

Apesar das mortes e da destruição, o pastor Jeremiah crê no poder do Deus que livrou outras pessoas e ele no incidente. Por isso crê na conversão dos agressores: "Oramos para que os extremistas entre os fulanis mudem os maus caminhos, porque alguns deles foram forçados a isso, enquanto outros endureceram os corações para fazer isso, mas nada é difícil para Deus".

O pastor Jeremiah continua liderando os cristãos locais em direção à esperança. Ele lembra cada sobrevivente da graça de Deus e de que o Senhor tem planos para a vida deles. "Devemos dar glória a Deus. Ele está vivo e nos ajudará", completa.

Assim como há o Dia do Pastor, muitas igrejas comemoram o Dia da Esposa do Pastor. Boa parte do trabalho do líder cristão é influenciada pelo relacionamento que ele tem com a família. Junto com os problemas familiares há os desafios de ser esposa de pastor.

  • Nomes alteados por segurança.

Fonte: Portas Abertas via Folha Gospel

sábado, 9 de março de 2024

A perseguição contra as mulheres em locais hostis ao cristianismo


Violências psicológica, física e sexual são usadas como arma para fazer as cristãs desistirem de sua fé


A valorização e respeito à mulheres é praticamente inexistente quando se trata de mulheres cristãs em locais onde há perseguição religiosa. De acordo com a Portas Abertas, mulheres e meninas cristãs que vivem em um dos países elencados na Lista Mundial da Perseguição (LMP) 2024, são perseguidas duplamente, tanto por ser mulher, como por ser cristã.


Em algumas culturas, pessoas do gênero feminino são tratadas como objetos que pertencem aos homens da família, sejam pai, marido, irmão, tio ou primo. Eles têm o direito legal sobre a menina ou mulher, inclusive o de castigá-las ou matá-la. Quando essas mulheres decidem deixar a fé dos antepassados para seguir a Jesus, a situação pode ficar ainda pior e na maioria dos casos, elas não têm a quem recorrer.


A violência contra as mulheres cristãs costuma ser por meio de sua desonra sexual e familiar. Elas costumas ser forçadas a se casar ou divorciar, são agredidas sexual, física e psicologicamente e raptadas.


De acordo com os dados da LMP 2024, em 84% dos paises onde há perseguição religiosa, as mulheres e meninas cristãs têm maior risco de serem obrigadas a se casar com homens da religião predominante no local. Em diversos casos, elas são coagidas a se casar com muçulmanos mais velhos que tenham algum tipo de autoridade religiosa ou sejam comprometidos com a fé, forçando-as a abandonar o cristianismo.


Quando casadas, muitas são obrigadas a se divorciar, a deixar sua casa e família e perdem a guarda dos filhos. O objetivo é que elas percam o respeito social, e sem o apoio e a proteção de um homem da família ficam mais sujeitas à violência física e sexual por parte de vizinhos, criminosos e fanáticos religiosos.


As mulheres casadas com cristãos também não estão isentas de todos esses ataques, algumas são atacadas física e sexualmente justamente para atingir os homens cristãos. Há inúmeros relatos de casos de sequestros de esposas e filhas de pastores ou líderes de igrejas que se tornam escravas sexuais e muitas vezes são obrigadas a se casar com integrantes de grupos extremistas.


A situação de meninas e mulheres cristãs que vivem em regiões de guerras, como no Sudão e Síria e conflitos armados no México, Colômbia e África Subsaariana, é ainda mais crítica. A violência sexual é uma tática de guerra que busca dominar, submeter, oprimir e espalhar o terror. Nesse contexto, a falta de um Estado para coibir os crimes e punir os agressores pode criar uma cultura de impunidade, que normaliza a violência e inibe as denúncias.


 

Com informações Portas Abertas via CPAD News

sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

Série de ataques coloca a Nigéria em vigilância



Segundo a Portas Abertas, o país é o 7º na Lista Mundial da Perseguição 2022


Entre os dias 17 e 18 de dezembro, cristãos foram vitimas de uma série de ataques na Nigéria. Os primeiros incidentes aconteceram na área do governo local de Kaura, Sul do estado de Kaduna, enquanto que a segunda série de ataques aconteceu no Sul do estado de Enugu, ao redor da cidade de Eha Amufu.


Nos primeiros ataques, várias comunidades cristãs foram alvos da ação de extremistas fulanis. Mais de 37 pessoas foram assassinadas e muitas casas foram incendiadas e demolidas. Em Sokwong, mais de 100 residências foram destruídas pelo fogo.


Segundo o líder cristão Baba Yoyok, os agressores eram jovens armados que, ao entrar nas aldeias, começaram a atirar e gritar Allahu Akbar (Alá é o maior). A onda de violência em Kaduna tem causado o deslocamento de milhares de cristãos nigerianos.


Em Enugu, dez pessoas morreram. Há suspeitas de que esse incidente também seja de responsabilidade de extremistas fulanis. Há uma semana, outras 25 pessoas foram assassinadas na mesma área.


A região norte do estado de Zamfara também foi alvo das investidas de quatro grupo armados. Foram reunidos homens armados em motocicletas. Porém, não chegaram a concluir o plano porque o exército atacou os criminosos com o apoio de um caça.


Fonte: CPAD News


Com informações: Portas Abertas (26.12.22)

sexta-feira, 14 de outubro de 2022

A força da luz do contrabandista de Deus: cristãos árabes choram a morte do irmão André


Líderes reunidos no encontro de evangélicos do Oriente Médio relembram conversas e livros do irmão André que moldaram seus ministérios.

Quando chegou ao Oriente Médio, o “contrabandista de Deus” entrou pela porta da frente. Já conhecido por esconder Bíblias na traseira de seu Volkswagen, quando cruzava a Cortina de Ferro, o irmão André agora simplesmente as entregava a terroristas. Juntamente com sua devoção à igreja palestina, o fundador da missão Portas Abertas abalou o status quo cristão ocidental.

E os evangélicos árabes o amavam por isso.

Ele tinha um coração que se comovia por aqueles que sofrem, pelos perseguidos e por aqueles geralmente considerados como os que são do outro lado, como o inimigo”, disse Jack Sara, coordenador geral da Aliança Evangélica para o Oriente Médio e o Norte da África. “Ele estava disposto a entrar em lugares difíceis e a conversar com pessoas difíceis, sem jamais comprometer a mensagem do evangelho.”

A notícia da morte de Anne van der Bijl, no dia 27 de setembro aos 94 anos, abalou os participantes durante a segunda assembleia geral da Aliança Mundial Evangélica (WEA) na região árabe. David Rihani, presidente do Conselho Evangélico da Jordânia, relembrou as palavras de seu pai, que recebia com frequência o evangélico holandês.

Este homem é um exemplo de um verdadeiro líder cristão”, dizia o primeiro pastor evangélico jordaniano ao filho. “Ele escreve livros, compartilha conhecimento e se preocupa com todos, sem discriminação.”

Rihani elogiou a cooperação ecumênica do irmão André. Desenvolvendo relacionamentos com líderes tradicionais católicos e ortodoxos da região, por décadas a Portas Abertas tem relatado a perseguição contra todas as denominações cristãs. E, à medida que a luta do grupo crescia em 60 países e passava a incluir a situação dos fieis de outras tradições religiosas, o contrabandista de Bíblias também ganhava o respeito da comunidade de direitos humanos em geral.

Ele lutou incansavelmente pela liberdade religiosa, [foi] uma fonte de esperança para comunidades cristãs perseguidas em todo o mundo”, tuitou o embaixador-geral dos EUA, Rashad Hussain, um muçulmano. “Sou grato porque seu legado sobreviverá no trabalho de @OpenDoors [conta em inglês da missão Portas Abertas].”

Mas foram seus livros que a princípio construíram a fama mundial do irmão André. O contrabandista de Deus, escrito em 1967, vendeu mais de 10 milhões de cópias e foi traduzido para 35 idiomas, incluindo o árabe.

Irmão André, coautor da obra “O contrabandista de Deus”.
Image: Open Doors International

Irmão André, coautor da obra “O contrabandista de Deus”.

Maher Fouad, presidente da Sociedade Geral das Igrejas Evangélicas Nacionais do Iraque, foi mais tocado por E Deus mudou de ideia (1990). Chamando o irmão André de “santo abençoado”, ele se lembra de ter lido o livro em 1991, quando chefiava o ministério de oração da Igreja Evangélica Nacional de Bagdá.

Esse livro me redirecionou completamente”, disse Maher. “Ele sabia como entrar pouco a pouco na presença de Deus, e só então encontrar respostas de oração.”

A publicação de Força da luz, em 2004, destacou para o mundo a crescente atenção que o irmão André dedicava ao mundo muçulmano. Aclamado por ser tão cativante quanto a obra contrabandista de Deus, sua dependência da oração ficava evidente em sua preocupação prática com a igreja do Oriente Médio.

Meu propósito é encorajar e fortalecer os crentes locais para serem uma Força da Luz” ou um exército da Luz, escreveu ele, “uma alternativa ao poderio militar”.

Ele próprio, porém, era o primeiro exemplo disto.

Em 1992, quando 415 militantes do Hamas foram expulsos por Israel, para a encosta de uma montanha em Marj al-Zohour, no sul do Líbano, irmão André viu ali uma oportunidade de colocar em prática Mateus 25. Ele doou tendas, alimentos e remédios.

Não há terroristas — apenas pessoas que precisam de Jesus”, escreveu ele mais tarde em sua obra Força da Luz. “Enquanto enxergarmos qualquer pessoa — seja ela muçulmana, comunista, terrorista — como um inimigo, então, o amor de Deus não pode fluir através de nós para alcançá-la.

O ativismo do irmão André desconcertava muitos cristãos — tanto crentes locais quanto apoiadores ocidentais. Ele frequentemente criticava o apoio dos evangélicos dos EUA às guerras no Afeganistão e no Iraque, vendo isso como falta de fé deles no poder das missões. Ele defendia os refugiados e orou por Osama bin Laden — cuja morte ele chamou de “assassinato”.

Ele também condenava os “assassinatos” de seus “amigos” em Gaza. Em 2004, os militares israelenses mataram o Sheikh Ahmad Yassin, fundador do Hamas, que sete anos antes havia recebido o fundador da missão Portas Abertas em sua casa. Apenas o evangelho do amor, como o irmão André consistentemente pregava, poderia ser a resposta para o impasse do conflito no Oriente Médio.

Irmão André e Sheikh Yassin, fundador do Hamas.
Image: Open Doors International

Irmão André e Sheikh Yassin, fundador do Hamas.

A melhor maneira de ajudar Israel”, dizia ele, rebatendo seus críticos na obra Força da Luz, “é levando seus inimigos a Jesus Cristo”.

E fazendo isso com os crentes locais. Esforçando-se para que os cristãos locais escapassem de sua “mentalidade de vítima”, ele também ajudou no crescimento de pessoas e instituições que poderiam levar outros a Cristo.

Agradecemos a Deus por colocar uma pessoa tão grandiosa à nossa frente, e nos convidar a imitá-lo”, disse Bassem Fekry, presidente da Comunidade de Evangélicos do Egito. “Ele está agora entre a grande nuvem de testemunhas.”

Fekry lembrou do irmão André contando suas histórias de contrabando de bíblias para uma multidão, na Igreja Salvação das Almas, que fica no denso bairro urbano de Shubra, no Cairo. Com seus 20 e poucos anos na época, o líder egípcio foi inspirado para uma vida de serviço.

O irmão André estava sempre em busca de novos rebeldes e radicais dispostos a ir aos lugares mais sombrios da Terra, correndo risco de morrer, para mudar o mundo”, escreveu David Curry, CEO da missão Portas Abertas EUA, em uma homenagem esta semana. “E ele ficava grato por todos que se juntavam à sua causa.”

Jack Sara é um desses que se juntaram à causa. O irmão André visitava regularmente sua igreja em Jerusalém, quando Sara era um jovem crente, em 1992, e também mais tarde, quando passou a ser líder da mesma congregação. No meio tempo, porém, quando o fundador da missão Portas Abertas ouviu do pastor que crentes pobres haviam prometido enviar Jack Sara às Filipinas para estudar em um seminário, ele tirou todo o dinheiro que tinha no bolso — o que correspondia exatamente à quantia para completar o financiamento necessário.

Jack Sara só descobriu isso dois anos depois, quando perguntou de onde viera o dinheiro para seus estudos. Doações regulares continuaram a desenvolver o ministério do Bethlehem Bible College (BBC) — que dava continuidade ao controverso ministério palestino do holandês, por meio de conferências regulares chamadas Cristo no posto de fronteira.

Cada cantinho do BBC tem o toque do irmão André”, disse Jack Sara, agora presidente da faculdade. “Ele se preocupava com o testemunho dos cristãos em nossa comunidade.”

Irmão André e Jack Sara, presidente do Bethlehem Bible College (BBC).
Image: Cortesia de Jack Sara

Irmão André e Jack Sara, presidente do Bethlehem Bible College (BBC).

Outro desses indivíduos é Salim Munayer, fundador do ministério Musalaha, com sede em Jerusalém. De volta do Seminário Fuller, em 1985, para ser o primeiro professor local contratado pelo BBC, sua visão de estimular a reconciliação centrada em Cristo entre judeus messiânicos e evangélicos palestinos — que mais tarde se expandiria para toda a sociedade na Terra Santa — recebeu seu primeiro financiamento da missão Portas Abertas.

Mais tarde, ele se juntou ao irmão André e ao presidente fundador do BBC, Bishara Awad, para uma tensa viagem de táxi por estradas secundárias até Hebrom. Sob o toque de recolher israelense na época, Munayer havia carregado uma caixa cheia de Bíblias e traduções para o árabe da obra O contrabandista de Deus, no segundo veículo locado. O primeiro, sabendo do destino, recusou-se a levá-los.

Ao chegarem à cidade da Cisjordânia, uma multidão de mais de 100 apoiadores do Hamas estava reunida no local. O líder local os acalmou, dizendo que o irmão André certa vez os socorreu em um momento de necessidade. Distribuindo livros e pregando sobre como o amor de Deus exige amar também o “irmão”, Munayer — que agora era o coordenador de rede da Rede de Paz e Reconciliação da Aliança Evangélica Mundial — lembrou como o holandês falava com clareza sobre a cruz.

Ele foi uma das poucas pessoas que podia dizer aos líderes do Hamas: ‘Sou cristão e seguidor de Cristo, e ajudo pessoas que passam por aflição'”, disse ele. “Ele construiu um histórico de confiança entre eles.

Irmão André e Yasser Arafat.
Image: Open Doors International

Irmão André e Yasser Arafat.

O irmão André conseguiu a permissão de Yasser Arafat para abrir uma livraria bíblica em Gaza, e para falar sobre o cristianismo na Universidade Islâmica do enclave costeiro.

Hanna Massad, que serviu 12 anos como pastor da Igreja Batista de Gaza, chamou o irmão André de “herói da fé”. Foi por seu cuidado genuíno que irmão André conquistou o direito de falar — e longe dele ser ingênuo sobre as realidades locais.

Se não fôssemos até eles com o amor de Cristo”, lembra Massad da convicção do evangelista, “eles viriam até nós com suas armas”.

Mas o irmão André não estava interessado apenas em cultivar boas relações. A obra Cristãos secretos, publicada em 2007, tinha por subtítulo: O que acontece quando muçulmanos se convertem a Cristo.

Até o fim da vida, disse Curry, o irmão André manteve acesa essa paixão. Aos 90 anos, ele viajou para o Paquistão, à procura de conhecer líderes do Talibã. O homem que, antes da própria conversão, matou a tiros muçulmanos inocentes na Indonésia, quando serviu como soldado do exército holandês, estava determinado a demonstrar amor para essa geração de extremistas.

O irmão André podia ver o que outros não podiam”, disse Munayer, “e com voz profética ele não apenas proclamou a verdade, mas a viveu, fielmente”.

Traduzido por Mariana Albuquerque

Editado por Marisa Lopes

Fonte: Cristianismo Hoje

quarta-feira, 18 de maio de 2022

CEO da Portas Abertas é nomeado para Comissão de Liberdade Religiosa dos EUA

David Curry pediu orações aos cristãos devido à nova função para a qual foi nomeado


O CEO da Missão Portas Abertas, Dr. David Curry, foi nomeado pelo governo dos EUA para liderar a Comissão de Liberdade Religiosa dos Estados Unidos (USCIRF, na sigla em inglês). A entidade, criada pelo congresso americano, é independente do governo federal. Ela tem como objetivo monitorar, analisar e informar sobre a liberdade religiosa em ao redor do mundo.

A instituição missionária celebrou o anúncio como uma importante conquista na luta pelos direitos religiosos.

"Eu estava na África Oriental e testemunhei em primeira mão a intolerância vivida pelas minorias religiosas. O governo dos Estados Unidos tem um papel a desempenhar no incentivo e apoio à liberdade religiosa em todo o mundo, e espero ajudar a USCIRF enquanto aconselho o governo nesse papel", detalhou David Curry, após a nomeação.

Para exercer a nova função, ele pediu oração aos cristãos. "Desejo suas orações enquanto sirvo nesta Comissão, tanto para mim quanto para meus colegas Comissários – para que ajudemos a fazer a diferença para que todos, independentemente de fé ou não, possam viver suas vidas em paz".

David lembrou que em muitos países, atualmente, exercer o direito fundamental de praticar sua fé tem um preço terrível. "As pessoas em todos os lugares devem ter liberdade para adorar e viver suas convicções religiosas pacificamente, sem medo de governos, extremistas ou pressão cultural. Estou honrado em servir nesta comissão bipartidária".

Cabe ao presidente ou a liderança dos partidos políticos, no Senado e na Câmara, designar os representantes que serão os comissários da Comissão de Liberdade Religiosa. O trabalho deles é fazer recomendações de política externa, que tenha foco no combate à perseguição e promova os direitos de religião, ao Presidente, ao Secretário de Estado e ao Congresso.

"Essas nomeações não poderiam vir em melhor hora. A liberdade religiosa é um direito que pertence a todos, em todos os lugares, o tempo todo, e é um direito que está constantemente sob ataque", opinou Sam Brownback, ex-embaixador-geral dos EUA para a Liberdade Religiosa Internacional e o membro sênior da Portas Abertas.

Sam Brownback analisou que a "USCIRF desempenha um papel fundamental ao relatar ao Congresso e à Administração as violações da liberdade religiosa em todo o mundo e ao fazer recomendações de políticas para lidar com essas violações".

Fonte: Comunhão com informações de Portas Abertas EUA via Folha Gospel

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

Morre Elmira Pasquini, fundadora da Portas Abertas no Brasil


A "guerreira de oração pela Igreja Perseguida", como era conhecida, fundou o escritório em 1978.


Aos 95 anos, completados no dia 1º de janeiro, Elmira Pasquini entrou para o descanso do Senhor neste dia 25 de fevereiro. Foi por iniciativa e grande empenho dessa guerreira de oração que o escritório da Portas Abertas foi fundado no Brasil em 1978.

O primeiro contato dela com a realidade da Igreja Perseguida foi com a leitura do livro "O Contrabandista de Deus", best-seller do Irmão André, que havia fundado a Open Doors em 1955 na Holanda.

Em uma conferência da International Hospital Christian Fellowship (Aliança Cristã Hospitalar Internacional, IHCF), na Áustria, em 1972, ela conheceu o Irmão André pessoalmente. Quando teve oportunidade de conversar com ele, perguntou: "Quando você irá para o Brasil?", e a resposta imediata foi: "Ore".

Em 1977, Elmira recebeu a informação de que o Irmão André passaria pelo Brasil e falaria no Maracanã. Ela foi para o Rio de Janeiro para participar do evento e conseguiu marcar uma reunião com o Irmão André em São Paulo. Ela também organizou uma reunião de oração pelos cristãos perseguidos com a presença do Irmão André na Igreja Batista da Liberdade. O encontro, que contou com mais de mil pessoas, foi um marco de oração pela Igreja Perseguida.

As ofertas levantadas nas visitas do Irmão André foram destinadas ao estabelecimento do ministério da Portas Abertas no Brasil, que se deu oficialmente em 1º de maio de 1978. Durante um bom tempo, a organização funcionou na casa da Irmã Elmira.

Apoio constante

Elmira fez parte da diretoria da Portas Abertas Brasil por pelo menos mais três anos. Mas mesmo depois de se desligar da diretoria, sempre fez questão de acompanhar o trabalho de perto. Era leitora assídua da Revista Portas Abertas.

Ao longo dos anos, ela ligava para o escritório da Portas Abertas regularmente. Mesmo já com as limitações devido à idade avançada, ela via os nomes de quem participou na produção da revista e pedia pra falar com cada um. Ela queria saber como os colaboradores estavam e se preocupava com o bem-estar do secretário-geral.

"Sou grato a Deus pela vida e o legado da irmã Elmira. Sentirei saudades dela. Nossas conversas por telefone, no escritório da Portas Abertas e em sua casa em Atibaia me farão falta. Ela sempre tinha uma palavra de encorajamento. Fazia questão de saber como estava a família, o trabalho da Portas Abertas e a equipe. Lembrava-se de alguns nomes e compartilhava comigo como ainda falava sobre a Igreja Perseguida em sua igreja e sempre que tinha uma oportunidade", testemunha Marco Cruz, secretário-geral da Portas Abertas.

Ela acompanhava o andamento do ministério e se importava com o número de parceiros no Brasil, pois era uma intercessora ativa e fazia todo o possível para que a causa dos cristãos perseguidos fosse conhecida por mais pessoas. Certa vez, ela disse: "Conhecer a Portas Abertas foi o maior privilégio que eu tive".

Com certeza, nós podemos dizer: conhecer a irmã Elmira foi o maior privilégio para a causa da Igreja Perseguida no Brasil. "Sou grato a Deus pela vida e legado da irmã Elmira. Fará falta neste mundo. Oramos e pedimos o consolo do Espírito Santo para a família, amigos e para nós todos", completa o líder.

Fonte: Portas Abertas via Folha Gospel

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