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domingo, 19 de outubro de 2025

Igreja que mais cresce no Reino Unido tem sede na Nigéria, país que persegue cristãos



Denominação nigeriana, nascida em meio à perseguição religiosa, se torna uma das igrejas que mais crescem na Europa.


A Igreja Cristã Redimida de Deus (RCCG), fundada na Nigéria em 1952, tem protagonizado um movimento surpreendente de expansão no Reino Unido, onde já soma cerca de 870 congregações. O avanço, que vem ocorrendo nas últimas décadas, reflete um fenômeno de "reversão missionária", no qual igrejas africanas estão revitalizando a fé cristã em países europeus marcados pela secularização.

Fundada por Josiah Olufemi Akindayomi em Lagos, a RCCG nasceu durante um período de forte perseguição religiosa. Filho de uma família adepta das tradições iorubás, Akindayomi teve sua vida transformada após estudar em uma escola missionária cristã. Convertido ao evangelho, ele decidiu abandonar o antigo nome, Ogunribido ("Ogum tem um lugar para ficar"), adotando o nome bíblico Josiah (Josias) como sinal de sua nova fé.

Das casas simples na Nigéria às ruas de Londres

O movimento começou como um pequeno grupo de oração, a Banda de Oração Diária, reunido na casa de Akindayomi em 1947. O encontro doméstico cresceu rapidamente e deu origem à denominação que hoje está presente em mais de 190 países.

No Reino Unido, a primeira congregação surgiu em 1988, fundada por quatro estudantes nigerianos em Islington, Londres. Desde então, a expansão tem sido contínua e estratégica. Segundo a Faith Survey, entre 2010 e 2020 a RCCG implantou 296 novas igrejas — o maior crescimento registrado por uma denominação cristã no país nesse período.

Guiada pela visão de ter "uma igreja a, no máximo, cinco minutos de cada residência no mundo", a RCCG tem se tornado cada vez mais visível nas grandes cidades britânicas. "Você não consegue caminhar muito em Londres ou Birmingham sem se deparar com o logotipo da águia da igreja, seja em um outdoor, na vitrine de uma loja ou na lateral de um ônibus", relatou o jornalista George Luke, que escreveu sobre o movimento durante o Mês da História Negra.

Fé que transforma comunidades

Além do rápido crescimento, a presença da igreja tem produzido impactos sociais positivos. "No Natal, uma cesta cheia de guloseimas é depositada na porta de todas as nossas casas, com um cartão dentro convidando-nos para os cultos de Natal", contou um morador próximo a uma das congregações.

Em várias cidades britânicas, as igrejas da RCCG desenvolvem projetos sociais, creches comunitárias e clubes de apoio a famílias. Em Londres, a Jesus House, liderada pelo pastor Agu Irukwu, coordena programas de apoio ao custo de vida e acolhimento comunitário. Em Edimburgo, a Equipe de Bem-Estar do Tabernáculo da RCCG trabalha com a organização cristã Bethany Christian Trust no atendimento a pessoas em situação de rua.

O pastor E.A. Adeboye, atual líder global da Igreja Cristã Redimida de Deus, ministra durante um dos grandes eventos da denominação no Reino Unido. (Foto: RCCG)


Na Irlanda, o Projeto de Extensão Holística Hephzibah na Europa (HHOPE) atua na prevenção ao tráfico humano e no cuidado com mulheres e crianças vulneráveis.

A Dra. Nicola Brady, secretária-geral das Igrejas Unidas na Grã-Bretanha e Irlanda, elogiou a atuação da RCCG: "A igreja dá grande ênfase ao trabalho de cuidar e orar por nossos vizinhos e construir uma comunidade desde o nível local até o internacional."

Desafios e missão global

O crescimento acelerado, no entanto, também traz desafios. A adaptação do estilo vibrante e espontâneo dos cultos africanos ao contexto britânico — mais formal e pontual — é um dos pontos de atenção. Outro desafio é alcançar públicos fora da comunidade africana e fortalecer o diálogo com outras denominações históricas, como a Igreja Anglicana.

Mesmo diante dessas barreiras, a RCCG mantém sua visão global. Seu atual líder, pastor E.A. Adeboye, afirmou durante o Festival da Vida em Londres: "O cristianismo chegou até nós na África, vindo da Grã-Bretanha. Agora parece que estamos tendo uma forma inversa de missão."

Com uma presença consolidada na África, Europa e América, a Igreja Cristã Redimida de Deus representa hoje um testemunho de fé resiliente. Nascida em meio à perseguição, tornou-se um movimento global que leva esperança e transformação às nações — inclusive àquelas que um dia enviaram missionários à sua terra de origem.

Fonte: Guia-me com informações de Premier via Folha Gospel


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quinta-feira, 18 de setembro de 2025

CHINA: Autoridades invadem igreja subterrânea e removem pastor do púlpito durante culto




A Igreja Bíblica Reformada foi invadida por mais de uma dúzia de representantes de agências governamentais do Partido Comunista.


Em uma operação surpresa, autoridades chinesas interromperam um culto de domingo na filial de Tianhe da Igreja Reformada Bíblica de Guangzhou.

A pregação, que estava sendo ministrada para cerca de 20 a 30 cristãos, foi abruptamente interrompida quando agentes invadiram o local e removeram à força o pastor do púlpito.

Segundo testemunhas, mais de uma dúzia de representantes de agências governamentais – incluindo assuntos religiosos, segurança pública e segurança nacional – cercaram o espaço.

Eles exigiram documentos de identidade de todos os presentes, proibiram qualquer tipo de filmagem e declararam que a reunião era ilegal por não estar registrada conforme as novas regulamentações impostas pelo Estado.

Segundo a ChinaAid – organização dedicada à promoção da liberdade religiosa e dos direitos humanos – a ação reflete a crescente pressão sobre igrejas domésticas independentes, que não se submetem ao controle oficial do Partido Comunista.

Perseguições diversas

A Igreja Reformada Bíblica de Guangzhou, liderada pelo influente pastor Huang Xiaoning, já havia enfrentado diversas restrições e perseguições desde 2018, sendo alvo de monitoramento constante.

Em meio ao caos, os membros tentaram manter a calma, clamando por serenidade e oração, informou a ChinaAid.

Para muitos, o incidente simboliza não apenas a repressão estatal, mas também a resiliência de comunidades cristãs que insistem em se reunir livremente, apesar do risco de sanções.

Especialistas destacam que esse tipo de operação revela o endurecimento das autoridades diante do crescimento de grupos cristãos independentes, que optam por permanecer fora das estruturas controladas pelo governo.

Essa postura desafia a narrativa oficial de “liberdade religiosa com características chinesas”, promovida pelo regime.

O episódio em Guangzhou expõe, mais uma vez, as tensões entre fé e política na China contemporânea, opina a ChinaAid.

Enquanto o Estado reforça seu controle sobre práticas religiosas, cristãos não registrados continuam a buscar alternativas para viver e expressar sua fé, mesmo sob crescente vigilância e intimidação, afirma a organização cristã fundada pelo pastor Bob Fu.

Fonte: Guiame


quarta-feira, 22 de maio de 2024

Evangélicos são um dos principais grupos afetados pela Rússia na Ucrânia




Desde a invasão russa, 600 locais de culto foram destruídos, mais de 30 líderes religiosos foram mortos ou sequestrados


Mais de dois anos após o início da invasão russa na Ucrânia, as consequências em todos os níveis são devastadoras.

Um dos grupos mais visados pela Rússia na Ucrânia ocupada são os evangélicos, perdendo apenas para os membros da Igreja Ortodoxa Ucraniana.

A revista Time informou que 34% das perseguições religiosas registradas tinham como alvo os protestantes, 48% deles na região de Zaporizhzhia.

Há mais de 600 locais de culto destruídos, mais de trinta casos de religiosos mortos e sequestrados, 109 casos conhecidos de interrogatório forçado, bem como expulsões, prisões, detenções e, às vezes, até tortura.

A denominação evangélica mais afetada durante a invasão russa foi a dos batistas (13%), a terceira maior denominação da Ucrânia. Sob o controle russo, 400 congregações batistas desapareceram, 17% do total na Ucrânia, observa o relatório da revista Time.

Petro Dudnyk, pastor da Good News Church em Sloviansk, uma cidade na região de Donbas, disse à rádio Svoboda que o motivo da perseguição é que as forças de ocupação "acham que os protestantes são a fé americana, e os americanos são nossos inimigos, portanto, os inimigos devem ser destruídos", relata a Time.

Para Azat Azatyan, pastor batista de crianças e fundador do centro infantil Garne Misce em Zaporizhzhia, que passou 43 dias em cativeiro e foi torturado, "o que o Kremlin teme dos protestantes é que sigamos a lei de Deus, não a deles, e eles querem ter tudo sob seu controle".

Relatório sobre liberdade religiosa

Em fevereiro passado, a International Religious Freedom or Belief Alliance (IRFBA) publicou um relatório denunciando que "líderes e denominações religiosas considerados desleais são perseguidos por meio de acusações infundadas de espionagem, sectarismo, extremismo ou atividades missionárias ilegais".

"Os fiéis ucranianos são coagidos pelas autoridades de ocupação a se registrarem novamente, aceitarem a cidadania russa e apresentarem listas de membros da comunidade. No entanto, mesmo o cumprimento dessas exigências não garante o novo registro", acrescenta o relatório.

O IRFBA conclamou a comunidade internacional a "se solidarizar com a Ucrânia, abordar as repercussões da agressão russa e responsabilizar a Federação Russa pelas violações flagrantes do direito internacional, incluindo crimes contra a humanidade e crimes de guerra".

Conflito na Igreja Ortodoxa

Após dois anos de guerra, apenas 4% dos ortodoxos ucranianos permanecem leais ao Patriarcado de Moscou e ao seu líder, o Patriarca Kirill. A maioria mudou sua filiação para a Igreja Ortodoxa sob o Patriarcado de Kiev.

Kirill apóia abertamente o governo na guerra e prometeu a "purificação dos pecados" dos soldados russos que morrem no campo de batalha. Entretanto, alguns clérigos ortodoxos também foram acusados de questionar a guerra.

De acordo com o IRFBA, "o envolvimento do Patriarcado de Moscou, muitas vezes chamado de Igreja Ortodoxa Russa, na tentativa de legitimar a agressão russa e corroer a soberania ucraniana é inequívoco".

O parlamento ucraniano está trabalhando em um projeto de lei que proibiria as organizações religiosas controladas por um país que esteja praticando agressão armada contra a Ucrânia.

Perseguição dentro da Rússia

A pressão de Putin sobre grupos religiosos minoritários também continuou dentro da Rússia.

Em agosto passado, um tribunal proibiu a atividade do principal grupo de vigilância da liberdade de religião e crença, o SOVA, por "violações graves e irreparáveis".

Em março de 2023, várias pessoas foram multadas por citarem a Bíblia para "desacreditar as forças armadas" e, um mês depois, um pastor batista russo em Bryansk foi condenado por "trabalho missionário ilegal".

Fora da Rússia, Yury Sipko, um conhecido pastor batista russo que serviu no passado como líder da União Evangélica Batista Russa, foi forçado a fugir para o exílio na Alemanha e não se espera que tenha permissão para voltar para casa.

Além disso, um membro de uma igreja evangélica livre em Vladivostok, perto da fronteira entre a China e a Coreia do Norte, foi condenado a dois anos e seis meses de prisão por se recusar a lutar pela Rússia na Ucrânia.


Folha Gospel com informações de Evangélico Digital

quarta-feira, 14 de junho de 2023

Médico cristão é demitido por não usar pronome trans



David Mackereth disse que é impossível uma pessoa mudar de sexo



O médico cristão David Mackereth, demitido por não usar pronomes trans para se referir a alunos, disse que seu caso não é isolado. A demissão ocorreu em 2019, e o docente britânico se manifestou apenas nesta segunda-feira, 12, em entrevista à Fox News.

Mackereth disse também que pediu a médicos e profissionais de fé que "se levantem" e "afirmem a verdade" nas batalhas contra a ideologia de gênero. O professor tem 60 anos e perdeu o emprego de médico de pronto-socorro depois de se recusar a usar os pronomes preferidos de um paciente transexual.

"Disse a eles: 'Como um cristão em boa consciência, eu não poderia fazer isso'", contou o médico, referindo-se ao episódio que culminou em sua demissão. Seu empregador da época disse que, se o professor deixasse de usar os pronomes preferidos dos pacientes, tal atitude seria considerada "assédio" pela Lei de Igualdade do Reino Unido de 2010.

Médico demitido por não usar pronomes trans diz que é impossível para alguém mudar de sexo

médico trans
Pronomes de preferência transexual foram a causa da demissão do médico britânico David Mackereth | Foto: Freepik

Mackereth entrou com uma ação no Tribunal do Trabalho contra seu ex-empregador por discriminação religiosa. Três meses depois, o médico saiu derrotado da disputa judicial. A Corte decidiu que suas crenças bíblicas sobre gênero eram "incompatíveis com a dignidade humana".

"Se o Cristianismo não é protegido pela Lei da Igualdade aqui no Reino Unido, então certamente a Lei da Igualdade é inútil", disse Mackereth.

O veredicto foi parcialmente anulado em maio de 2022, pelo Tribunal de Recursos do Trabalho. Porém, o Judiciário ainda considerou que sua demissão foi justificada. O médico é assessorado juridicamente pelo Centro Jurídico Cristão, uma empresa privada que defende a liberdade religiosa.

Mackereth acredita que a "ideologia transgênero" precisa ser combatida no Ocidente e argumenta que seu caso é importante para todos, no que se refere à liberdade de expressão. "Como um médico cristão, coloco a verdade no fundamento do que faço", disse. "É simplesmente impossível para uma pessoa mudar de sexo. Então, não posso concordar com isso."

Fonte: Revista Oeste


quinta-feira, 13 de outubro de 2022

“Não há mais um lugar seguro para ser cristão na China”, denuncia relatório


O governo chinês não permite a religião, exceto na medida em que pode manipular

O governo chinês está reprimindo cada vez mais as igrejas sancionadas pelo Estado, bem como as igrejas clandestinas, não deixando nenhum "lugar seguro" para os cristãos, de acordo com a International Christian Concern (ICC).

Um novo relatório da ICC rastreia a perseguição de cristãos na China desde julho de 2021 e registra 32 casos de prisões e detenções, cinco batidas em escolas cristãs e 20 casos de sinicização de igrejas – onde as igrejas são forçadas a alinhar sua fé com o social e mensagens políticas do Partido Comunista Chinês (PCC).

O ICC disse que os números exatos provavelmente serão muito maiores devido aos desafios de receber informações da China.

"O escrutínio dos cristãos pelo governo é parte de um esforço mais amplo para sinicizar o país, coagindo grupos religiosos a se submeterem à ideologia comunista do PCC", disse o relatório.

"O Escritório de Assuntos Religiosos e o PCC têm um único objetivo em relação à religião: impedir que a influência religiosa ameace seu controle comunista".

Igrejas sancionadas pelo Estado são especialmente suscetíveis aos esforços de Sinicização do governo chinês.

"Todas as igrejas aprovadas pelo Estado são obrigadas a levantar a bandeira nacional, colocar regulamentos sobre o culto, incorporar valores socialistas centrais aos sermões e manter a cultura tradicional chinesa", disse o relatório.

O relatório da ICC diz que uma nova medida implementada pelo governo chinês em junho, chamada de 'Iniciativa Comum das Organizações Religiosas Nacionais para Cultivar a Frugalidade e Abster-se da Extravagância', permitiu "apertar seu controle" sobre as principais religiões na China.

"As igrejas sancionadas pelo Estado hoje estão cada vez mais à mercê de leis e regulamentos não legislativos introduzidos pelo governo", disse a ICC.

"As igrejas controladas pelo Estado decidiram seguir os regulamentos, pressionando assim as igrejas não registradas a seguir o exemplo."

"As igrejas Three-Self fazem parte da estrutura legal que o PCCh usa para restringir sistematicamente o cristianismo. Se uma igreja não for registrada como uma igreja sancionada pelo estado, ela está violando a lei e o PCC pode intervir a qualquer momento para fechar, processar indivíduos e colocar enorme pressão social sobre os participantes."

"Com a intensificação da repressão contra as igrejas – tanto controladas pelo Estado quanto clandestinas – não há mais um lugar seguro para ser cristão na China."

O Covid-19 também teve um impacto duradouro na liberdade religiosa na China, pois a pandemia foi usada como pretexto para introduzir mais restrições à atividade religiosa.

"As restrições à atividade religiosa se espalharam como resultado da pandemia de Covid-19. Enquanto locais públicos e comerciais, como shoppings, mercados, restaurantes e bibliotecas, foram autorizados a abrir, as atividades da igreja foram proibidas pelo governo."

Um relatório revelou que o estado usou a prevenção da epidemia como pretexto para impedir que as igrejas se reunissem para celebrar o Natal nas províncias de Shandong, Anhui e Guangdong”, disse o relatório.

Até mesmo o encontro online se tornou difícil depois que o governo chinês anunciou em março que estava proibindo atividades religiosas online.

Sob a proibição, as igrejas e organizações religiosas chinesas devem se registrar no estado e receber permissão para postar conteúdo religioso online.

"O regulamento foi estabelecido para garantir que todas as atividades religiosas estejam alinhadas com a agenda do Partido Comunista", disse o ICC.

Os dados do relatório foram extraídos principalmente do ICC, ChinaAid, Union of Catholic Asia News e Radio Free Asia.

"O relatório do incidente do ICC continua a ser um testemunho da intensificação da repressão da China contra os cristãos e igrejas chinesas, apesar da repetida afirmação de Pequim de que 'respeitar e proteger a liberdade de crença religiosa é a política básica do PCC e do governo chinês ao lidar com a religião'", disse Gina Goh, gerente regional da ICC para o Sudeste Asiático.

"Em todos os aspectos da vida religiosa de um cristão, o PCC quer interferir e inserir sua ideologia, um controle que é prejudicial à liberdade religiosa da China".

Jay Church, gerente de advocacia da ICC para o Sudeste Asiático e coautor do relatório, disse que a comunidade internacional "deve prestar atenção à campanha em andamento da China contra a religião".

"Não há desculpa para a inação contínua", disse Church.

"O governo chinês não permite a religião, exceto na medida em que pode manipular a religião em uma ferramenta para aumentar o poder do PCC".

"Esperamos que este relatório sirva para aumentar o volume de uma questão que é muitas vezes ignorada silenciosamente nos salões do poder ao redor do mundo."

Folha Gospel com informações de The Christian Today

terça-feira, 11 de outubro de 2022

Nova modalidade de perseguição na China: governo força despejo de cristãos

Vários membros da Igreja do Pacto da Chuva Temporã, na China, receberam avisos de despejo sem motivo declarado de seus proprietários que parecem estar sob pressão do governo comunista. Esse é um novo capítulo de perseguição religiosa no país.

A Early Rain Covenant Church (ERCC, na sigla em inglês, ou Igreja do Pacto da Chuva Temporã) vem sofrendo forte perseguição do Partido Comunista Chinês (PCCh) nos últimos anos.

Um dos casos de despejo é o de Shu Qiong e seu marido, casal que frequenta a ERCC com sede em Chengdu. Eles receberam avisos de despejo, de acordo com informações obtidas pela International Christian Concern (ICC).

Quando o casal cristão recebeu um telefonema do proprietário sobre o despejo, eles perguntaram se ele estava sendo ameaçado pelo governo para forçá-los a sair, mas ele negou, oferecendo o reembolso da multa e do aluguel.

De acordo com informações do portal The Christian Post, Shu disse ao proprietário que entendia que ele também estava sob pressão: "Só peço a Deus que se lembre de suas queixas. Eu posso entender a pressão que você está sofrendo", teria dito a fiel ao proprietário.

"Eu sou cristã e, embora seja pobre, tão pobre que precise alugar uma casa […] ainda sei que não é agradável a Deus cobiçar dinheiro injusto dessa maneira", acrescentou Shu ao recusar sair até que o contrato terminasse, pois não haviam infringido nenhuma lei.

Ela e o marido se disseram preparados para enfrentar as consequências legais de sua decisão: "A repressão contínua da China contra a ERCC é o principal exemplo de como Pequim continua a desconsiderar a liberdade religiosa para seu povo, mesmo que a Constituição garanta esse direito", disse anteriormente Gina Goh, gerente regional da ICC para o Sudeste Asiático.

"Desde o encarceramento do pastor Wang Yi, da ERCC, e do ancião Qing Derfu em 2018, o governo não cessou seu assédio e perseguição à igreja doméstica. O objetivo do governo é ver todas as igrejas domésticas extintas para que possam controlar totalmente o cristianismo na China", recapitulou, ecoando uma queixa recorrente dos cristãos chineses.

A Missão Portas Abertas, que monitora a perseguição de cristãos em mais de 60 países, estima que a China tenha mais de 97 milhões de cristãos, muitos dos quais cultuam em igrejas clandestinas não registradas ou “ilegais”.

Os cinco grupos religiosos sancionados pelo Estado na China são a Associação Budista da China, a Associação Taoísta Chinesa, a Associação Islâmica da China, o Movimento Patriótico das Três Autonomias Protestante e a Associação Católica Patriótica Chinesa. Mesmo as organizações afiliadas às cinco religiões autorizadas podem estar sujeitas a vigilância e limitações.

A ICC documentou mais de 100 incidentes de perseguição cristã na China entre julho de 2020 e junho de 2021, quando o regime comunista do país procurou converter à força grupos religiosos independentes em mecanismos do Partido Comunista Chinês.

Fonte: Gospel+

terça-feira, 30 de agosto de 2022

China: igreja histórica é fechada por se recusar a ser controlada pelo Estado


O governo chinês quer impor que todas as igrejas façam parte do movimento patriótico conhecido como “Igreja das Três Autonomias”.

Na China, os líderes cristãos estão se preparando para enfrentar uma pressão cada vez maior por parte do governo.

Em meio à evidente perseguição religiosa, as autoridades fecharam mais uma igreja por discordar de suas políticas.

No dia 19 de agosto, a igreja histórica conhecida como "Igreja da Abundância", em Xian, província de Shaanxi, foi fechada porque se negou a fazer parte da "Igreja das Três Autonomias" — um movimento patriótico chinês.

A conhecida igreja já funcionava há 30 anos, mas agora foi apontada pelas autoridades como uma seita e também foi acusada de supostamente recolher doações ilegais.

As autoridades chinesas consideram qualquer igreja livre como uma ameaça ao Estado. Quando uma organização cristã se nega a fazer parte do Partido Comunista Chinês, ela é considerada "ilegal".

Conforme explica a organização de direitos religiosos Bitter Winter, com sede na Itália, o fechamento da Igreja da Abundância parece fazer parte do apelo do presidente Xi Jinping contra os grupos religiosos.

Desde dezembro de 2021, o líder ditador passou a obrigar todos os cristãos protestantes a fazer parte do sistema conhecido como "Igreja das Três Autonomias" como forma de "legalização da religião".

Na verdade, a "legalização" é só uma forma de controle e manipulação por parte do governo e também um disfarce para a perseguição religiosa que acontece no país de forma cada vez mais descarada.

Infelizmente, a Igreja da Abundância foi condenada a cessar suas atividades, caso contrário os pastores e membros estariam sujeitos à prisão, de acordo com informações do Morning Star News.

O pastor Lian Changnian e seu filho Lian Xuliang — que também é pastor — foram colocados sob "vigilância doméstica", num local que as autoridades determinaram.

O grupo de direitos cristãos, China Aid, informou que o Escritório de Assuntos Civis e o Escritório de Assuntos Religiosos anunciaram que as acusações contra os cristãos da Igreja da Abundância foram registradas como "arrecadação ilegal de fundos e registro ilegal".

Há notícias também que as autoridades chinesas têm como alvo de perseguição a China Gospel Association, que faz parte de uma rede de igrejas domésticas no país.

Abuso físico

A esposa de um dos pastores presos afirmou, de acordo com a China Aid, que o pastor Lian Xuliang tinha uma grande contusão na cabeça, proveniente de uma pancada que levou.

"Seus olhos estavam vermelhos e havia sangue seco no canto dos olhos. Sua máscara facial também tinha manchas de sangue. Seus braços e mãos estavam machucados e inchados. Houve, sem dúvida, abuso físico por esses chamados agentes da lei", ela relatou.

As esposas dos pastores e alguns membros da igreja também foram presos no mesmo dia, mas somente os pastores permaneceram na prisão. Os demais foram liberados no mesmo dia.

O paradeiro do pregador Fu Juan é desconhecido e sua esposa ainda não recebeu nenhuma notificação oficial de detenção.

Enquanto isso, as autoridades continuam invadindo as igrejas que se recusam a ingressar na "Igreja das Três Autonomias", desde dezembro de 2021, quando Xi Jinping impôs essa ordem na Conferência Nacional do PCC sobre Trabalho Relacionado a Assuntos Religiosos.

Outros casos de perseguição a cristãos

No mesmo dia em que a Igreja da Abundância foi invadida e fechada por policiais chineses, cerca de 100 policiais armados em Linfen, província de Shanxi, cercaram 70 membros da "Covenant Home Church" que participavam de um acampamento entre pais e filhos. Na ocasião, vários adultos foram presos.

Os policiais também vasculharam as casas dos membros da igreja Han Xiaodong. Li Jie e sua esposa Li Shanshan tiveram livros e documentos cristãos apreendidos.

No domingo seguinte, dia 21 de agosto, na cidade de Changchun, província de Jilin, a polícia também invadiu um culto de uma igreja doméstica conhecida como Igreja Reformada Changchun Sunshine.

"Como demonstrado pelos vídeos divulgados pelos crentes, aqueles que compareceram ao culto foram espancados pelos agentes", disse um representante do Bitter Winter.

"Duas mulheres tiveram ataques cardíacos e tiveram que ser hospitalizadas", continuou. Além disso, os oficiais também prenderam 9 cristãos, incluindo o pastor Guo Muyun, o pastor Qu Hongliang e o irmão Zhang Liangliang, que foram acusados ​​de administrar uma organização religiosa ilegal.

No dia 14 de agosto, em Pequim, uma igreja conhecida como "Igreja de Sião" foi invadida. "Os computadores foram confiscados e o pastor, Yang Jun, junto de 9 membros da igreja foram detidos, embora tenham sido liberados posteriormente", relatou o Bitter Winter.

A China ocupa o 17º lugar na Lista Mundial da Perseguição de 2022, conforme a Portas Abertas. Vale lembrar que, no dia 1º de janeiro deste ano, entrou em vigor o novo "Regulamento sobre a Construção de Segurança Pública", em Xinjiang. Este é um alerta de que, por pior que seja a situação, ela ainda pode piorar.

Fonte: Guia-me com informações de Mornig Star News e Bitter Winter via Folha Gospel

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