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sábado, 9 de maio de 2026

CRITÉRIOS BÍBLICOS PARA SABER EM QUEM VOTAR




CRITÉRIOS BÍBLICOS PARA SABER EM QUEM VOTAR




Num primeiro momento, antes de adentrarmos ao tema central, é necessário que nos conscientizemos de alguns pontos de suma importância.

O mundo vive grande crise de polarização política, uma divisão ideológica que invadiu casamentos, famílias, grupos de amigos e até mesmo igrejas locais, provocando cisões e inimizades entre irmãos biológicos e de fé.

A bem da verdade, durante muitos anos a máxima de que "crente não se envolve com política" ou "política é coisa do diabo", fez que a maioria dos cristãos evangélicos atuais crescessem com uma visão superficial sobre a política e atingissem apenas uma filiação religiosa sobre o tema, com um histórico de a igreja não discutir política com profundidade.

Consequentemente, essa atitude formou um público evangélico que, em geral, não é bem-informado sobre o tema em foco, de maneira a ficar alienado. Entretanto, por conta da obrigatoriedade, muitos votam de forma errada ou de forma descompromissada com nossos princípios e valores. Isso nos obriga a ter que aceitar que, se o cristianismo tem pouco a argumentar sobre política, por conseguinte, também tem pouco a contribuir com ela, o que não é verdade.

Por outro lado, uma visão teocrática para a política atual onde se apela a usar o Estado para obrigar pessoas à fé cristã, não se evidencia no mundo real. Da mesma forma, silenciar e se omitir de falar da fé cristã na esfera pública curvando-se à ideologias, não se constitui um elemento hermenêutico político correto para a igreja escolher.

Igualmente, demonizar a política aferindo a ela uma posição de igualdade com qualquer coisa má, não produz benefícios à igreja e nem contribui para um crescimento politizado de seus fiéis.

Em tese, a Igreja como organismo realmente não precisa da política, ela está alicerçada e firmada em Jesus, nosso Senhor, pois ele mesmo disse: "Também eu lhe digo que você é Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela". - Mateus 16:18.

A Igreja de Cristo é aquela que não renuncia aos princípios éticos exarados nas Sagradas Escrituras e, para tanto, seguirá e servirá ao Senhor independente das circunstâncias, tempo e/ou adversidades.

Nessa perspectiva, quando falamos da igreja local, como organização, essa deve estar estabelecida de acordo com a legislação e normas vigentes do país onde está sediada, e se submeter às autoridades constituídas, cuja autoridade governamental é exercida pelos políticos.

Sobre isso a Bíblia diz: "¹Que todos estejam sujeitos às autoridades superiores. Porque não há autoridade que não proceda de Deus, e as autoridades que existem foram por ele instituídas. ² Assim, aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus, e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação. ³ Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Você quer viver sem medo da autoridade? Faça o bem e você terá louvor dela, ⁴ pois a autoridade é ministro de Deus para o seu bem. Mas, se você fizer o mal, então tenha medo, porque não é sem motivo que a autoridade traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar quem pratica o mal. ⁵ Portanto, é necessário que vocês se sujeitem à autoridade, não somente por causa do temor da punição, mas também por dever de consciência. ⁶ É por isso também que vocês pagam impostos, porque as autoridades são ministros de Deus, atendendo constantemente a este serviço. ⁷ Paguem a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra". - Romanos 13:1-7

Nessa ótica, quando o apóstolo Paulo fala sobre sujeição à autoridade, não está se referindo simplesmente a homens como pessoas físicas, mas à responsabilidade outorgada aos tais. Na velha aliança, tais funções eram outorgadas pelo próprio Deus, mas hoje, no caso do poder público, são delegadas pelos eleitores através do voto. O voto do cidadão é a procuração para que os político governem durante a gestão do seu mandato.

UM RELATO

Em 22.02.2013, a Assembleia de Deus realizou o 1º Fórum para Prefeitos e Vereadores do Projeto Cidadania AD Brasil. Participaram do evento, membros da Comissão Política da CGADB, além de vereadores e prefeitos pertencentes à igreja em todo o país.

Naquele evento, este articulista na condição de membro da comissão, defendeu que, "muito embora a igreja não precise da política, à medida em que é uma instituição formada por cidadãos e, para o exercício de suas atividades, requer a construção de templos para o exercício das suas atividades, plantas, alvarás de licença, CNPJ, contabilidade, liberdade religiosa e de expressão. Para tanto, deve exercer a cidadania por meio de representação política. Salientou ainda que a igreja precisa ter representantes para defendê-la não como organismo vivo de Cristo, mas como instituição jurídica devidamente estabelecida na nação".

Temos a impressão de que a partir daí, por falta de conscientização e/ou de uma doutrinação mais abrangente, alguns cristãos entraram na política com motivações espúrias ou duvidosas, o que proporcionou escândalos, vergonha e desestímulo nos eleitores. Em outros, a abstinência política por décadas, gerou sede desenfreada pelo poder e, por último, a polarização ideológica já aqui citada, levou muitos a exageros e até mesmo à certa idolatria.

Em que pese tenhamos a necessidade de nos posicionarmos como cidadãos, não podemos nos esquecer que a igreja não é curral eleitoral, o púlpito não é palanque e não temos votos de cabresto. Num sentido mais amplo, o que precisamos focar e ensinar a tempo e fora de tempo é que a Igreja trabalha com princípios e valores:

1. Cremos na família tradicional e somos a favor da valorização do casamento à luz das Escrituras Sagradas – Gênesis 2:24;
2. Somos contra a relativização dos valores éticos e morais, somos a favor da verdade absoluta, somos criacionistas e contra a ideologia de gênero – Gênesis 1:27;
3. Somos a favor da vida e contra o aborto – Salmos 139:13-15.

A partir desses princípios e valores estabelecidos por Deus através da sua inerrante Palavra constante na Bíblia Sagrada, nossa regra de fé e prática, começamos a revelar o espectro do pensamento ideológico daqueles em quem devemos votar.

Na esteira das grandes transformações que caracterizam o mundo atual, a Igreja precisa crescer na graça e no conhecimento de Deus, para que tenha sabedoria e discernimento na hora da escolha dos seus candidatos.

Infelizmente, há cristãos que pelos seus interesses políticos, como facilidade de legenda, quociente eleitoral e outros, se filiam a partidos que negam e trabalham contra o princípio da fé que dizem professar, e portanto, quando ganham a eleição, se esquecem do eleitorado que o elegeu, e se tornam reféns do partido que lhe proporcionou espaço e legenda.

É importante que os crentes procurem tomar conhecimento sobre o que pensam tais candidatos sobre esses e outros temas de tamanha relevância para nós. Ter aparência, vestir-se e dar "A Paz do Senhor" como um evangélico, não garante se tal candidato pensa como nós ou, em chegando lá, defenderá nossos princípios e valores.

As motivações políticas do candidato, assim como a do eleitor, não podem ser baseadas em seus interesses particulares e ou congregacionais (tipo emprego, material de construção, etc...) afinal de contas, o foco é o interesse público e nossos valores e princípios, e não de locupletação.

O início dessa jornada pode parecer lucrativo, mas o final será trágico, e é o que temos visto. A Bíblia diz: "⁸ Melhor é o fim das coisas do que o seu princípio; a paciência é melhor do que a arrogância". - Eclesiastes 7:8

Não há dúvida que é melhor e producente quando um justo governa: "² Quando os justos se multiplicam, o povo se alegra; quando o ímpio domina, então o povo lamenta". - Provérbios 29:2. A questão é saber se esse termo “justo” se aplica ao candidato escolhido.

Quando não analisamos esses fatores e votamos em candidatos que não pensam como nós e muitas vezes nem acreditam na forma como professamos, assinamos uma procuração para que sejam contra nós durante sua gestão.

Outra postura que deve ser exigida em quem pretende nos representar, é firmeza em suas convicções.

Alguns ícones da história bíblica são citados nas campanhas eleitorais, como servos do Senhor que se tornaram exemplos na vida pública, como forma de justificar a participação dos evangélicos atualmente. José como governador no Egito é um dos favoritos, mas vejamos que ele honrou a Deus nas circunstâncias mais adversas da vida, portanto: "O Senhor era com ele" – como mordomo na casa de Potifar - Gênesis 39:2-4; na prisão - Gênesis 39:21-23; na tentação - Gênesis 39:8-10

Muitos citam também os jovens hebreus, como exemplos de participação na vida pública, mas se esquecem que eles não se venderam pelas facilidades da Babilônia, senão vejamos:

"¹ No ano terceiro do reinado de Jeoaquim, rei de Judá, Nabucodonosor, rei da Babilônia, veio a Jerusalém e a sitiou. ² O Senhor entregou nas mãos dele Jeoaquim, rei de Judá, e alguns dos utensílios da Casa de Deus. Nabucodonosor levou esses utensílios para a terra de Sinar, para o templo do seu deus, e os pôs na casa do tesouro do seu deus. ³ Depois, o rei ordenou a Aspenaz, chefe dos seus eunucos, que trouxesse alguns dos filhos de Israel, tanto da linhagem real como dos nobres, ⁴ jovens sem nenhum defeito, de boa aparência, sábios, instruídos, versados no conhecimento e que fossem competentes para servirem no palácio real. E que Aspenaz lhes ensinasse a cultura e a língua dos caldeus. ⁵ O rei determinou que eles recebessem uma alimentação diária tirada das finas iguarias da mesa real e do vinho que ele bebia. Os jovens deveriam ser educados ao longo de três anos e, ao final desse período, passariam a servir o rei. ⁶ Entre eles, se achavam Daniel, Hananias, Misael e Azarias, que eram da tribo de Judá. ⁷ O chefe dos eunucos lhes deu outros nomes, a saber: a Daniel, o de Beltessazar; a Hananias, o de Sadraque; a Misael, o de Mesaque; e a Azarias, o de Abede-Nego. ⁸ Daniel resolveu não se contaminar com as finas iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia; por isso, pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não se contaminar. ⁹ E Deus concedeu a Daniel misericórdia e compreensão da parte do chefe dos eunucos". - Daniel 1:1-9

Daniel em função privilegiada e praticamente já com 80 anos de idade, não abriu mão de orar a Deus três vezes ao dia da janela do seu quarto sendo levado à cova dos leões, mas não abriu mão da sua fé. Deus não o livrou da cova, mas o livrou da boca dos famintos leões. Seus amigos, Hananias, Mizael e Azarias, não se prostraram diante da estátua do rei Nabucodonosor, colocando em risco seus cargos e a própria vida, e portanto foram lançados na fornalha. Deus não os livrou da fornalha do rei aquecida sete vezes mais, no entanto os livrou dentro da fornalha, apagando a força do fogo., cumprindo-se aí a Palavra de Deus quando diz: "² Quando você passar pelas águas, eu estarei com você; quando passar pelos rios, eles não o submergirão; quando passar pelo fogo, você não se queimará; as chamas não o atingirão". – Isaías 43:2.

Outro caso, já no Novo Testamento, citado como exemplo, foi o senador José de Arimatéia, "⁵⁷ Ao cair da tarde, veio um homem rico de Arimatéia, chamado José, que era também discípulo de Jesus. ⁵⁸ Este foi até Pilatos e lhe pediu o corpo de Jesus. Então Pilatos mandou que o corpo lhe fosse entregue. ⁵⁹ E José, levando o corpo, envolveu-o num lençol limpo de linho ⁶⁰ e o depositou no seu túmulo novo, que ele tinha mandado abrir na rocha; e, rolando uma grande pedra para a entrada do túmulo, foi embora". - Mateus 27:57-60

José de Arimatéia colocou sua imunidade parlamentar a serviço de Reino, e o que fez não foi às despensas do poder público, tanto o linho que envolveu o corpo do Senhor, como o túmulo cedido, foram frutos da sua generosidade.

Porventura os candidatos que citam tais passagens bíblicas para embasar seu pedido de voto à igreja, teriam postura e firmeza suficiente para defender sua fé nesse nível, ou se venderiam, trocando suas convicções por quaisquer benesses, envergonhando assim o evangelho e a igreja do Senhor?

Por outro lado, as fragilidades verificadas em nosso meio na atualidade, também não podem nos desencorajar a cumprir a nossa missão de "sal da terra" e "luz do mundo" em todos os seguimentos da sociedade, e isso sem dúvida alguma inclui a política.

Somos hoje milhões de cristãos nesta nação e, portanto, é necessário que tenhamos gente com base sólida e doutrinária para nos representar sem promover vexame ao nome de Jesus.

Se os justos negligenciarem, haverá ímpios suficientes que assumirão a missão. Portanto, necessário se faz colocar representantes nas esferas públicas políticas, para isso alguns critérios devem ser estabelecidos pelo eleitor:

1. Considerar o qual é a filosofia do partido do candidato;
2. Pesquisar a história política do candidato, desde o início de sua carreira política, para saber de seu pensamento sobre política e compromisso com o eleitor;
3. Averiguar os seus feitos em favor da sociedade desde sua primeira eleição;
4. Ler com atenção seu programa de governo executivo ou legislativo e detectar se ele se aproxima dos princípios e valores cristãos.

A parábola de Jotão exemplifica bem essa situação:

"⁸ Certa vez as árvores foram ungir para si um rei. Disseram à oliveira: Reine sobre nós. ⁹ Porém a oliveira lhes respondeu: Deixaria eu o meu óleo, apreciado por Deus e pelos homens, para dominar sobre as árvores ¹⁰ Então as árvores disseram à figueira: Venha você e reine sobre nós. ¹¹ Porém a figueira lhes respondeu: Deixaria eu a minha doçura, o meu bom fruto, para dominar sobre as árvores? ¹² Então as árvores disseram à videira: Venha você e reine sobre nós. ¹³ Porém a videira lhes respondeu: Deixaria eu o meu vinho, que agrada a Deus e aos homens, para dominar sobre as árvores? ¹⁴ Então todas as árvores disseram ao espinheiro: Venha você e reine sobre nós. ¹⁵ E o espinheiro respondeu às árvores: Se é verdade que querem me ungir rei sobre vocês, venham e se refugiem debaixo de minha sombra. Mas, se não, que do espinheiro saia fogo que consuma os cedros do Líbano". - Juízes 9:8-15

Creio que devemos enfrentar o desafio de não falharmos no ensino do nosso povo sobre tema de tamanha relevância. Salomão diz: "¹⁴ Não havendo direção sábia, o povo fracassa; com muitos conselheiros, há segurança". - Provérbios 11:14.

Se a igreja for devidamente esclarecida à luz das Sagradas Escrituras, não precisaremos transformá-la em curral eleitoral, nem determinarmos em quem votar, pois naturalmente ela terá discernimento, e não votará em candidatos e/ou partidos que sejam contra nossos princípios e valores. 

"Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no Reino dos Céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus". - Mateus 7:21


Pr. Carlos Roberto Silva
• Líder da AD Ministério de Cubatão SP
• Presidente da COMADESPE – Convenção dos
Ministros das Assembleias de Deus no Estado de São
Paulo e Outros
• Secretário do Conselho de doutrina da CGADB





Artigo publicado originalmente na Revista Obreiro Aprovado - Edição Ano 49 - número 113 da CPAD - Casa Publicadora das Assembleias de Deus. Edição Especial sob o tem "A IGREJA E A POLÍTICA"

segunda-feira, 20 de março de 2023

AD - Convenção CADESGO elege novo Presidente e Diretoria



Neste sábado (18), aconteceu na Assembleia de Deus em Rio Verde/GO presidida pelo pastor Wellington Rocha, a 51ª Assembleia Geral Ordinária da Convenção das Assembleias de Deus no Estado de Goiás, CADESGO, até então presidida pelo pastor Jailton Rocha.

Na ocasião, foi eleita para os próximos quatro anos a nova Mesa Diretora.


MESA DIRETORA CADESGO 2023 – 2027:

Presidente:

Pr. Wellington Carlos Almeida Rocha

1º Vice Presidente:

Pr. Jeremias Marcolino da Silva

2º Vice Presidente:

Pr. João Pereira da Silva

3º Vice Presidente:

Pr. Adjair Macedo de Carvalho

Presidente de Honra:

Pr. Jailton Pereira Rocha

Conselho Consultivo:

Pr. Domingos Jacinto Luz Junior

1º Secretario:

Pr. Celio Carlos Martins da Silva

2º Secretario:

Pr. André Custodio Moreira Junior

3º Secretario:

Pr. Aldo Soares de Souza

Secretário Executivo:

Pr. Suelo Silva Costa

Secretário-Adjunto:

Agustinho de Paulo da Silva

1º Tesoureiro:

Pr. Mauro Martins Ferreira

2º Tesoureiro:

Pr. Paulo Ferreira Araújo

3º Tesoureiro:

Ermoge Pereira Costa

CONSELHO FISCAL

Presidente:

Pr. Fabio Elias de Freitas

Membros:

Pr. Joaquim Vieira dos Santos

Pr. Saulo Rosa Goulart

Suplentes:

Pr. Oseas e Silva

Pr. Jeremias Pereira Vidal


Fonte: JM Notícia







quarta-feira, 1 de junho de 2022

Vídeo desinforma sobre número de evangélicos em pesquisa eleitoral do Datafolha


Youtuber bolsonarista espalha nas redes sociais que o Datafolha estaria promovendo “fraude”

Um vídeo viral no Facebook acusa o Datafolha de manipular pesquisas eleitorais ao entrevistar um número supostamente reduzido de evangélicos, mas a afirmação é enganosa. O instituto não estabelece cotas de religião nos levantamentos de intenção de voto para presidente, ainda que divulgue dados específicos sobre o desempenho dos pré-candidatos entre católicos e evangélicos. A metodologia leva em conta somente distribuição geográfica, sexo, idade, escolaridade e renda para garantir uma amostra representativa do País.

Na pesquisa mais recente do Datafolha, 50% dos entrevistados se declararam católicos; 27% como evangélicos; 3% como espíritas ou kardecistas; 1% cada entre adventistas, candomblé, testemunha de Jeová, umbanda e ateus; 6% responderam outras religiões; e 11% não tinham religião. Os porcentuais variam entre cada pesquisa, pois não é um elemento considerado ao decidir quem deve ser entrevistado aleatoriamente nas ruas.

A pesquisa mais recente teve a participação de 2.556 pessoas em 181 cidades brasileiras, entre os dias 25 e 26 de maio deste ano. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera com 48% das intenções de voto no 1º turno, seguido do presidente Jair Bolsonaro (PL), com 27%, e de Ciro Gomes (PDT), com 7%. Os demais candidatos não ultrapassam 2%. A margem de erro é de dois pontos porcentuais.

Os pesquisadores do Datafolha perguntam aos participantes sobre a sua religião para depois serem fornecidos dados sobre o desempenho dos pré-candidatos a presidente da República em cada segmento. O levantamento indica, por exemplo, que Bolsonaro soma 39% das intenções de voto entre os evangélicos, contra 36% de Lula. Nesse recorte, a margem de erro sobe para quatro pontos porcentuais, o que configura empate técnico entre os dois.

Boato desinforma sobre recorte evangélico

Sem provas, um youtuber bolsonarista espalha nas redes sociais que o Datafolha estaria promovendo “fraude” ao supostamente encolher o número de evangélicos entrevistados para beneficiar o pré-candidato do PT. Ele cita outro levantamento do instituto Datafolha, realizado nos dias 5 e 6 de dezembro de 2020, especificamente sobre a religião da população brasileira. Nesse caso, estimou-se que 31% da população no Brasil era evangélica. Foram realizadas 2.948 entrevistas em 176 municípios, e a margem de erro era de dois pontos porcentuais. A participação dos evangélicos se situava, portanto, entre 29% e 33%.

Ocorre que esse resultado não tem relação com a pesquisa de intenção de voto para presidente da República realizada pelo Datafolha na semana passada, entre os dias 25 e 26 de maio. O instituto não determina cotas de religião ao entrevistar as pessoas na rua, apenas coleta a informação para a análise do desempenho dos pré-candidatos em cada segmento, ou seja, posteriormente faz um recorte dos resultados.

Não temos cotas para religião”, confirmou ao Estadão Verifica a diretora do Instituto Datafolha, Luciana Chong. “Na pesquisa atual, temos 27% que se declaram evangélicos. Em março, esse índice era de 26%, por exemplo. A resposta é espontânea, e essas variações podem acontecer e estão dentro do previsto.”

Na maioria dos casos, a distribuição religiosa medida pelo Datafolha em dezembro de 2020 se aproxima da amostra da pesquisa eleitoral de maio de 2022. O porcentual de 50% (48%-52%) de católicos permaneceu exatamente o mesmo, enquanto a população sem religião era de 10% (8%-12%) e representou 11% dos entrevistados em maio.

Além dos evangélicos, houve mudança no segmento “outras religiões”: eram 2% (0%-4%) da população em dezembro de 2020, mas tiveram 6% de participação na pesquisa eleitoral recente.


Como é a metodologia do Datafolha

Qualquer pessoa pode verificar a metodologia usada pelo Datafolha em suas pesquisas eleitorais com base no registro obrigatório disponibilizado no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O levantamento do instituto realizado entre 25 e 26 de maio aparece com o código BR-05166/2022.

O instituto informa que levou em conta cinco características na seleção da amostra de 2.556 participantes a fim de representar adequadamente o eleitorado brasileiro: distribuição geográfica, sexo, idade, grau de instrução e nível econômico. São observados dados fornecidos pelo TSE e pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), além de levantamentos próprios.

Primeiro, o Datafolha realiza uma estratificação por região (Norte, Centro-Oeste, Sul, Sudeste e Nordeste) e natureza do município (capital, região metropolitana ou interior) e depois sorteia as cidades, os bairros e os pontos onde serão aplicados os questionários. As pessoas são abordadas aleatoriamente na rua, de acordo com cotas de sexo e faixa etária.

No momento da análise dos dados, o instituto pode eventualmente corrigir o “peso” das respostas caso as entrevistas resultem em porcentuais fora do padrão para alguma das características do plano amostral.

Essa etapa é importante para reduzir o risco de viés — em um exemplo grosseiro, não seria correto que uma pesquisa de abrangência nacional tivesse mais respostas de entrevistados com ensino superior, considerando que são minoria no Brasil; as diferenças são bem menores na prática por ser uma amostra aleatória e com centenas de entrevistas.

O registro no TSE informa ainda que o nível de confiança é de 95%. O termo significa que, caso fossem realizados 100 levantamentos idênticos ao mesmo tempo, a tendência é de que 95 deles apresentem os mesmos resultados, levando em conta a margem de erro máxima da pesquisa, de dois pontos porcentuais para mais ou para menos em cada resposta.

Fonte: Estadão via Folha Gospel

quinta-feira, 30 de dezembro de 2021

Cristã pode ser a primeira mulher a se tornar presidente da Hungria


Candidata a presidência na Hungria nomeada pela Forbes como a mulher mais poderosa da Hungria.

Katalin Novák, a ministra da Família da Hungria, de 44 anos, e mãe de três filhos, foi anunciada como candidata do partido Fidez para se tornar presidente da Hungria.

Se vencer, Novák se tornará a primeira mulher a ocupar a Presidência do país, e a mais jovem desde 1990.

Sua candidatura é apoiada pelo partido do primeiro-ministro Viktor Órban que tem uma grande maioria no parlamento húngaro (133 dos 199 assentos), que precisa eleger um novo presidente antes de maio de 2022. O Ministro da Família deixará seu cargo em alguns dias.

Katalin Novák é uma cristã reformada, e alguém que tem falado muito sobre uma “Hungria familiar”. Suas prioridades até agora incluíam ajudar a aumentar a taxa de natalidade no país e melhorar o apoio a crianças com necessidades adicionais.

Nossos concidadãos que vivem além da fronteira, famílias criando crianças com doenças, famílias de pais solteiros e comunidades Roma fazem parte do nosso futuro coletivo húngaro. Vou prestar atenção especial a todos eles”, disse ela segundo Evagelical Focus.

Nomeada pela revista Forbes como a mulher mais poderosa da Hungria, Novák compartilha frequentemente  imagens de sua família e a importância que o Natal e outros princípios cristãos têm para sua compreensão da cidadania e política.

Nos últimos anos, a Hungria tem entrado em conflito com a União Europeia, da qual é membro desde 2004, sobre uma série de políticas, incluindo educação sexual, refugiados e a presença de “valores cristãos” na vida pública.

Segundo o secretário-geral da Aliança Evangélica Húngara, Istvan Horvath, esses confrontos refletiram as “diferenças morais” entre diferentes regiões da Europa, e os húngaros em geral não querem adotar a abordagem liberal que agora é aceita nos países ocidentais.

Fonte: Gospel Prime

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

Nunes Marques é eleito ministro substituto do TSE, por 9 votos

Nunes Merques irá ocupar a vaga aberta com a aposentadoria do ministro Marco Aurélio Mello

Nesta quarta-feira (4), o ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi eleito para ocupar uma vaga de ministro substituto no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ele irá ocupar o posto que era do ministro Marco Aurélio Mello, que se aposentou no dia 12 de julho.

Nunes Marques recebeu 9 votos e, após ser eleito, recebeu os parabéns do ministro Luís Roberto Barroso, presidente do TSE. O ministro Alexandre de Moraes também parabenizou o colega e afirmou que o TSE “vem garantindo a democracia do Brasil e a lisura das eleições com responsabilidade, trabalho e competência”.

Após ser eleito, o ministro Nunes Marques agradeceu a indicação e disse esperar poder contribuir.

Espero que um pouco da minha experiência como advogado e dois biênios como juiz da classe jurista do TRE do Piauí possam de alguma forma contribuir para o aperfeiçoamento daquela jurisdição – ressaltou.

Fonte: Pleno News

quarta-feira, 9 de junho de 2021

Convenção da AD no PIAUÍ convoca novas eleições após morte do pastor Nestor Mesquita


CEADEP convoca novas eleições após morte do pastor presidente


A Convenção Estadual das Assembleias de Deus do Piauí (CEADEP) convoca pastores, evangelistas e missionarias para uma nova eleição.

Em 3 de junho deste ano o pastor presidente Nestor Henrique Mesquita faleceu e, pelo estatuto da convenção, uma nova eleição deve ser realizada.

Pelas redes sociais a convenção informou a todos que realizará nova eleição e enquanto isso, a CEADEP seguirá sendo liderada pelo pastor Irã Santana Mesquita de forma interina.

Fonte: JM Notícia

terça-feira, 13 de abril de 2021

Após 14 anos de governo de esquerda, Equador elege presidente conservador



Foram três tentativas até que Guilhermo Lasso conseguiu obter a maioria dos votos e se tornou o novo presidente do Equador


Na noite do último domingo (11), a população do Equador elegeu como presidente o empresário conservador Guillermo Lasso.

Foram 52,5% dos votos contra 47,50% de Andrés Arauz, esquerdista que representava o governo que há 14 anos liderava o país.

Lasso tentava a presidência pela terceira vez e obteve a vitória. “Agradeço a Deus por todas as bênçãos que concedeu ao povo equatoriano. Devemos isso a ele. Devo a ele todas as bênçãos que ele me deu durante minha vida “, disse o novo presidente durante o seu primeiro discurso.

Aborto e defesa da comunidade LGBT
 
Durante seu primeiro discurso, Lasso falou sobre temas polêmicos como a legalização do aborto.

O novo presidente diz que “acredita na vida desde a concepção” e que não pretende mudar este princípio. Ele se declara inimigo do socialismo do século 21 promovido pela Venezuela e Cuba, cujo capítulo equatoriano se identifica com a Revolução Cidadã liderada por Rafael Correa.

Aos grupos LGBT, ele disse: “Vou cumprir meu compromisso de protegê-los para evitar que sejam estigmatizados e escolhidos por seu modo de ver a vida”.

O presidente eleito encerrou seu discurso invocando a ajuda divina. “Peço a Deus que continue nos abençoando e nos dê sabedoria para governar”.

segunda-feira, 6 de julho de 2020

Justiça Eleitoral discute punir abuso de poder religioso; bancada evangélica reage


O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) iniciou no final de junho a discussão sobre incluir o "abuso de poder religioso" como motivo para a cassação de políticos.
Atualmente, o TSE entende que apenas o abuso de poder político e econômico podem resultar na perda do mandato. O debate, levantado pelo ministro Edson Fachin, ainda está em fase inicial, mas já provocou forte reação nas redes sociais e mobilizou aliados do presidente Jair Bolsonaro, que veem uma "caça às bruxas" contra o conservadorismo.
O TSE já está na mira do Palácio do Planalto por causa de oito ações que investigam a campanha de Bolsonaro à Presidência em 2018.
"A imposição de limites às atividades eclesiásticas representa uma medida necessária à proteção da liberdade de voto e da própria legitimidade do processo eleitoral, dada a ascendência incorporada pelos expoentes das igrejas em setores específicos da comunidade", disse Fachin no julgamento de ação que pede a cassação de uma vereadora de Luziânia (GO). Pastora da Assembleia de Deus, ela é acusada de usar a sua posição na igreja para promover sua candidatura, influenciando o voto de fiéis.
Relator do caso, Fachin votou contra a cassação da vereadora, por concluir que não foram reunidas provas suficientes no caso concreto para confirmar o "abuso de poder religioso". No entanto, fez uma série de observações em seu voto sobre a necessidade de Estado e religião serem mantidos separados para garantir a livre escolha dos eleitores. Ainda propôs a inclusão do abuso de poder de autoridade religiosa em ações que podem eventualmente levar à cassação de mandato de políticos, de vereadores a presidente da República.
No julgamento iniciado no dia 25 de junho, o ministro Alexandre de Moraes discordou do colega nesse ponto, já que a hipótese de "abuso de poder religioso" não está prevista expressamente em lei. "Não se pode transformar religiões em movimentos absolutamente neutros sem participação política e sem legítimos interesses políticos na defesa de seus interesses assim como os demais grupos que atuam nas eleições", observou Moraes, que vai presidir o TSE nas eleições presidenciais de 2022.
O julgamento foi interrompido por um pedido de vista do ministro Tarcisio Vieira de Carvalho. O Estadão apurou que ele deve liberar o caso para a retomada do julgamento em agosto.
A reação ao entendimento de Fachin foi imediata nas redes sociais por bolsonaristas, formada em boa parte por conservadores e evangélicos. "Fachin propôs ao TSE a hipótese de cassação de mandato por 'abuso de poder religioso'. Problema: a lei fala em abuso de poder econômico ou político. Um tribunal não pode, por ativismo, criar a nova hipótese. Mais uma brecha para perseguição ilegal de religiosos e conservadores?", escreveu a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), uma das mais próximas de Bolsonaro, no Twitter.
As críticas também vieram do procurador Ailton Benedito, uma das vozes mais conservadoras do Ministério Público Federal (MPF) e aliado do procurador-geral da República, Augusto Aras. “Fachin propõe que 'abuso de poder religioso' leve à perda de mandato. Porém, como ficariam os abusos de poder partidário, ideológico, filosófico, sindical, associativo, escolar, universitário… com o objetivo de influenciar eleitores?", questionou Benedito.
O advogado Luiz Eduardo Peccinin, especialista em direito eleitoral e autor do livro Discurso religioso na política brasileira: democracia e liberdade religiosa no Estado laico, avaliou que, se a posição de Fachin prevalecer, poderão ser enquadrados como irregular casos de candidatos que contam com apoio ostensivo de líderes religiosos. "A questão é complexa, porque por um lado não pode a lei exigir que um cidadão religioso forme suas convicções políticas separadamente de suas outras crenças pessoais, filosóficas, morais. Por outro, igrejas não podem doar recursos ou usar de sua estrutura e de seus meios de comunicação para beneficiarem candidatos", afirmou.

Bancada Evangélica
bancada evangélica do Congresso não gostou da declaração do ministro Edson Fachin sugerindo autorizar a cassação de políticos por "abuso de poder religioso".
Segundo informações da coluna Painel, da Folha de S.Paulo, o deputado Sóstenes Cavalcanti (DEM-RJ), ligado à Assembleia de Deus, disse que não há tal figura no ordenamento jurídico e que não se pode cercear a participação política de religiosos.
"Existiria também o 'abuso do poder sindical', 'abuso do poder ruralista' ou 'abuso do poder ideológico'?", questionou.
Em nota, a bancada evangélica, que oficialmente, se chama Frente Parlamentar Evangélica (FPE), disse estar preocupada com o julgamento “uma vez que inexiste na legislação eleitoral brasileira qualquer previsão referente a um "abuso de poder religioso".
A nota diz ainda que "quando o Judiciário se dispõe a criar nova figura jurídica, a despeito do já assentado pelo Legislativo, pratica nocivo ativismo judicial, gerando prejuízos significativos ao Princípio da Separação dos Poderes e, neste caso, também, à segurança jurídica."
"Pelo exposto, a Frente Parlamentar Evangélica repudia a tentativa de enquadrar a conduta religiosa em hipótese não prevista em lei, rechaçando o ativismo judicial, bem como interpretações discriminatórias quanto aos evangélicos", conclui a nota que pode ser lida abaixo.


Fonte: Estadão e A Crítica via Folha Gospel

quinta-feira, 2 de julho de 2020

Ex-líder da Assembleia de Deus torna-se novo Presidente do Malawi

Lazarus Chakwer também presidiu a Escola de Teologia Assembleias de Deus de 1996 a 2013 , na qual também foi professor.

Lazarus Chakwera, ex-chefe das Assembleias de Deus do Malawi , uma das maiores denominações cristãs do país, venceu as eleições com 58% dos votos, segundo a Comissão Eleitoral do Malawi na noite de sábado.
Ele venceu o atual presidente Peter Mutharika, que ficou em segundo lugar com 1,7 milhão de votos. A participação dos eleitores foi de 65%.
O país está fraturado após 13 meses de protestos de rua contra os resultados das eleições , mais de um ano atrás, em maio de 2019, que foram cancelados pelos tribunais.
"Aceito este chamado para servi-lo, pois tenho um dever vinculado a Deus"
Após sua vitória, o Presidente Chakwera falou sobre o sonho "que nos une, que é para desfrutarmos da prosperidade compartilhada, não apenas da liberdade".
No entanto, "chegou a hora de irmos além do sonho. Todos devemos acordar, porque é hora de sair do sono e tornar nosso sonho realidade", acrescentou.
"Prometo administrar bem o Malauí, porque essa é a recompensa mais segura que há muito tempo está em ruínas, cheia de buracos de ganância e corrupção. E, ao fazer essa promessa, estou aceitando esse chamado para servi-lo com alegria e medo do azevinho, pois sou um dever vinculado a Deus e por Deus e por todos vocês", disse ele.
Chefe e professor da Escola de Teologia Assembleias de Deus
Formado em Artes, Chakwera obteve seu bacharelado e mestrado em Teologia pela Universidade da África do Sul em 1991. Nos Estados Unidos, ele recebeu um doutorado para se tornar professor no Seminário Teológico Pan-Africano por muitos anos.
Ele também presidiu a Escola de Teologia Assembleias de Deus de 1996 a 2013 , na qual também foi professor.
Fonte: JM Notícia

sábado, 27 de junho de 2020

TSE inicia debate sobre a possibilidade de reconhecer abuso de poder religioso

Relator propõe que a autoridade religiosa seja compreendida dentro do conceito de autoridade em casos de abuso de poder

Um pedido de vista do ministro Tarcisio Vieira de Carvalho Neto suspendeu o julgamento de um recurso que discute a cassação do mandato da vereadora Valdirene Tavares dos Santos, eleita em 2016 no município de Luziânia (GO) e acusada de praticar abuso de poder religioso durante a campanha.
Até o momento, o relator do caso, ministro Edson Fachin, e o ministro Alexandre de Moraes votaram pela não cassação do mandato, conforme pedido no recurso. Apesar disso, o relator ressaltou a necessidade de separação e independência entre Estado e religião para garantir ao cidadão autonomia para escolher seus representantes políticos.
Ao final de seu voto, o ministro Fachin propôs ao Plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que, a partir das Eleições de 2020, seja possível incluir a investigação do abuso de poder de autoridade religiosa no âmbito das Ações de Investigação Judicial Eleitoral (Aijes).
A acusação
De acordo com a acusação do Ministério Público Eleitoral (MPE), houve abuso de poder religioso de Valdirene Tavares, uma vez que a então candidata teria se reunido na catedral da Assembleia de Deus, localizada na cidade, para pedir votos aos membros da congregação.
A reunião com pastores de outras filiais foi convocada pelo pai da candidata, Sebastião Tavares – pastor e dirigente da igreja no município –, e agrupou exclusivamente o público jovem masculino. Para o Ministério Público, a candidata utilizou de sua condição de autoridade religiosa – uma vez que também atuava como pastora – para influenciar a escolha dos eleitores e intervir no direito constitucional da liberdade de voto.
Voto do relator
Em seu voto, o ministro Edson Fachin destacou que a missão da Justiça Eleitoral é zelar e proteger a legitimidade do voto e, em última análise, impedir que qualquer força política possa coagir moral ou espiritualmente os cidadãos, de forma a garantir a plena liberdade de consciência dos protagonistas do pleito.
Nesse sentido, ele afirmou que "a imposição de limites às atividades eclesiásticas representa uma medida necessária à proteção da liberdade de voto e da própria legitimidade do processo eleitoral, dada a ascendência incorporada pelos expoentes das igrejas em setores específicos da comunidade"
O ministro citou jurisprudências internacionais sobre o tema e também princípios constitucionais que garantem a pluralidade política e a liberdade religiosa.
Fachin destacou que é proibida a realização de proselitismo político no interior de templos de qualquer culto, conforme determina a Lei das Eleições (artigo 37, parágrafo 4º, da Lei nº 9.504/1997). Sendo assim, afirmou que a exploração política da fé religiosa encontra obstáculo tanto no âmbito da regulação publicitária (artigo 242 do Código Eleitoral) como na regra que trata da anulação de eleições viciadas pela captação ilícita de votos, "conceito que engloba, por expressa remissão legislativa, a interferência do poder (econômico e de autoridade) em desfavor da liberdade do voto (artigo 237 do Código Eleitoral)".
Caso concreto
Apesar de sua tese sobre a necessidade de a Justiça Eleitoral impedir o abuso de poder religioso, o ministro concluiu que, no caso concreto, não é possível comprovar tal prática. Isso porque a única prova é um vídeo de menos de três minutos que mostra um único discurso dentro da igreja.
As testemunhas afirmaram que houve a circulação de listas para que os pastores indicassem nomes de membros da igreja que pudessem apoiar a candidatura de Valdirene, mas essa acusação foi descartada exatamente por falta de provas.
"Seja pelo aspecto quantitativo, seja pelo aspecto qualitativo, a solução de cassação não se justifica no caso concreto", afirmou o relator.
Divergência em parte
O ministro Alexandre de Moraes, por sua vez, concordou que não há provas suficientes para cassar o mandato, mas divergiu do relator no ponto em que trata da investigação da Justiça Eleitoral do abuso religioso. Para ele, não se deve fiscalizar mais nem menos. "Essa tensão existente entre Estado laico e liberdade religiosa, a meu ver, não se coloca na presente hipótese", disse ele.
De acordo com seu voto, considerando a inviolabilidade de crença, não parece ser possível, em virtude do princípio da legalidade, adotar uma espécie não prevista em lei, que é o abuso de poder religioso, sem que a questão religiosa seja instrumento para se chegar ao abuso de poder econômico.
"Não se pode transformar religiões em movimentos absolutamente neutros sem participação política e sem legítimos interesses políticos na defesa de seus interesses assim como os demais grupos que atuam nas eleições", disse ele, ao destacar que, se assim o entendesse, a legislação abordaria também o abuso do poder sindical, o abuso do poder empresarial e o abuso do poder corporativo.
"Qualquer atitude abusiva que acabe comprometendo ou gerando abuso de poder político e econômico deve ser sancionado pela legislação eleitoral, nem mais nem menos", asseverou.
Os demais ministros aguardam a retomada do julgamento com o voto do ministro Tarcisio Vieira de Carvalho Neto.
CM/LG, DM
Processo relacionado: Respe 8285

(Com TSE) via JM Notícia
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