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quarta-feira, 30 de abril de 2025

EPAFRODITO, UM OBREIRO DISCRETO, UM EXEMPLO A SER SEGUIDO




EPAFRODITO, UM OBREIRO DISCRETO, UM EXEMPLO A SER SEGUIDO (FP. 2.25-30) - O Currículo De Um Obreiro Fiel Aprovado Por Deus - Por Pr. José Verneques

Por: Pr. José Verneques Santos


INTRODUÇÃO

     O nome Epafrodito é derivado da união das palavras gregas "epi", que significa "sobre" ou "acima", e "Aphrodite", referente à deusa do amor e da beleza, Epafrodito tem sua raiz na mitologia grega e significa: "agradável a Afrodite ou, dedicado a Afrodite", carrega consigo uma história mitológica fascinante, sendo o nome derivado de "Aphrodite", a deusa grega do amor, da beleza e da sensualidade. Segundo a mitologia, Epafrodito era filho de Afrodite com Hermes, o mensageiro dos deuses. Sua beleza e graça eram tão excepcionais que até os próprios deuses se encantavam com ele. 

     Deixando de lado questões mitológicas, quero me deter apenas ao texto bíblico descrito por Paulo em Filipenses 2.25-30, onde o apóstolo nos apresenta Epafrodito como uma pessoa que deu uma contribuição fundamental para o crescimento do evangelho naqueles dias de perseguições à igreja. Epafrodito era um obreiro discreto e "servo nos bastidores" no bom sentido do termo. Era um obreiro que se empenhava em não aparecer ou estar sob holofotes, e buscava agir de modo discreto a serviço do Reino de Deus. Paulo tinha por ele um cuidado especial, tendo em vista a prova de sua fidelidade para com Deus, a igreja e o apóstolo, num momento crucial da vida desse último.

UM OBREIRO DISCRETO QUE CONTRIBUIU COM EXCELÊNCIA PARA O REINO DE DEUS

     Epafrodito foi enviado pela igreja de Filipos para levar até Paulo na prisão uma oferta de amor da parte daquela comunidade para ajudá-lo a suprir suas necessidades e aliviá-lo de suas dores pelo peso do cárcere. Sua missão era ficar mais tempo com o apóstolo confortando-o e auxiliando-o. Mas Paulo ainda que sofrendo as intempéries de uma prisão, não deixou de perceber a importância que aquele servo tinha para aquela igreja e, por conta disso não o manteve consigo, mas deu-lhe ordens expressas para que voltasse até a comunidade local que o enviara. A grandeza de espírito do principal dos apóstolos é aqui notada, Paulo não pensou em si mesmo, ainda que tivesse todo o direito de fazê-lo. Ele renunciou a suas prerrogativas pensando no bem-estar da igreja de Cristo em primeiro lugar.

     Diferente da cultura eclesiástica ensinada e praticada em muitos lugares por muitos obreiros destes dias, onde a filosofia costuma ser: "Em primeiro lugar Deus, em segundo a familia e, em terceiro lugar a igreja". Paulo demonstra um contraste nítido em seu pensamento com relação ao pensamento supracitado. Ele sabia mais que qualquer outra pessoa que ao ser chamado por Deus para servi-lo como apóstolo, essa distinção era impossível, primeiro porque Deus não chama alguém que não cuida de sua família (1Tm. 5:8); segundo, porque não há sensatez em viver dizendo que "ama" a Deus mas não tem obrigação de amar e servir a sua igreja, tal filosofia é incompatível com a vocação ministerial exposta nos evangelhos e nas cartas paulinas.

     Vemos claramente que as qualificações de Paulo e Epafrodito vão de encontro a essa forma de praticar o serviço cristão, posto que ambos se deram pelo Reino de Deus mais do que por si mesmos e em nenhum lugar da Escritura acha-se algum tipo de reprovação a eles por parte de Deus. Obviamente que as Escrituras Sagradas nos exorta a cuidarmos de nós mesmos, pois que se negligenciarmos e não atentarmos para as fragilidades e necessidades do corpo físico e mental, da nossa realidade social, produziremos muito menos do que poderíamos produzir para o Reino de Deus, sendo assim, buscar o equilíbrio é o caminho mais sensato. Por outro lado, o discurso presunçoso de que para servir a Deus não é preciso se desgastar na sua obra, como se fora possível cumprir a vocação ministerial sem renúncia, constitui-se em falácias reproduzidas por acadêmicos preguiçosos que não simpatizam com a evangelização, que não têm disposição de sair de seu lugar de conforto em busca dos perdidos, primando por teorias evangelicais. Não foi à toa que Jesus, ao escolher doze homens para dar seguimento ao seu projeto de igreja, passou pelas "academias teológicas" daqueles dias e preferiu escolher pescadores em sua maioria, com calos nas mãos, experimentados nos trabalhos e acostumados a acordarem cedo para enfrentar o labor do dia. Sem trabalho, tudo se desfaz.

     Voltemos a Epafrodito. Ao examinar o texto, percebe-se que ele contém no seu bojo uma riqueza de detalhes não somente para aqueles dias, mas também para os dias atuais, tão conturbados que são. Nele o apóstolo dos gentios revela qualidades de excelência na vida daquele servo fiel que são fundamentais para a comunhão entre os irmãos e para a doutrina eclesiástica desses dias:

"Julguei, contudo, necessário mandar-vos Epafrodito, meu irmão e cooperador, e companheiro nos combates, e vosso enviado para prover às minhas necessidades".

Note: "Julguei, contudo, necessário mandar-vos Epafrodito..." a frase paulina denota uma ordem imperativa – mandar-vos. Mandar aqui em relação a Epafrodito está no sentido de enviar, mas de modo geral a palavra tem o sentido de dar ordens, constata-se que muitas pessoas atualmente têm enormes dificuldades com esse verbo, muitas delas se sentem humilhadas quando alguém lhes dá uma ordem, seja numa condição hierárquica de instituição secular ou religiosa, pública ou particular. No caso em questão estamos falando da igreja, sobretudo da comunidade cristã local, posto que nela haja não poucos obreiros com sérias dificuldades de aceitar a hierarquia estabelecida.

     Comumente, é naturalmente bíblico que dentro da igreja haja, sob o prisma organizacional, pessoas escolhidas para supervisionar os trabalhos concernentes ao serviço cristão realizados nas comunidades cristãs e essas pessoas naturalmente darão ordens a outras para que o serviço propriamente dito seja feito com excelência e produza frutos para o Reino de Deus, tudo isso dentro de um clima de amor e igualdade entre a irmandade, sem que haja grandeza de coração entre aqueles que foram escolhidos para supervisionar a obra de Deus e tenham sido colocados sobre outros. O Senhor Jesus nos deixou o exemplo (Mc. 10:43,44); e antes de ascender ao céu deu ordens expressas aos discípulos para que fizessem novos discípulos e os instruíssem em tudo quanto foram ensinados (Mt. 28:18-20); na mesma linha Paulo nesta mesma carta exorta aos irmãos de Filipos a nada fazer para o Senhor senão por humildade:

"Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade; cada um considere os outros superiores a si mesmo." ( Fp. 2:3) 

O RECONHECIMENTO PÚBLICO POR PAULO AFIRMOU O VALOR DO TRABALHO DE EPAFRODITO

    "[...] Meu irmão..."  Antes de comunicar a necessidade eclesiástica, Paulo fez questão de destacar a convivência pessoal e da amizade fraternal que ele tinha com Epafrodito. Aquele obreiro ia além de seu valor funcional para Paulo, ele o tinha como alguém que traspassava os limítrofes eclesiásticos e se aproximava de sua amizade pessoal, para o apóstolo dos gentios Epafrodito era tido como um irmão, sua proximidade permitia que ele conhecesse as necessidades do apóstolo, suas fraquezas e temores, aspectos que somente os mais chegados podem perceber; que são obtidos apenas por aqueles que se amam em Cristo e se respeitam fraternalmente. No Novo Testamento a palavra phileo é usada para expressar o amor de pai e mãe e de filho e de filha (Mt.10:37). É usada também para revelar o amor de Jesus por Lázaro (Jo. 11:3,36), phileo ainda revela a comunhão estreita que Jesus tinha com João, o discípulo amado (Jo. 20:2).

     Amar o próximo como a si mesmo é um mandamento atemporal (Mt. 22:39). Além do amor ágape, o amor fraternal, conhecido como amor phileo é também o amor dado por Deus para que os irmãos amem-se uns aos outros independente de suas posições eclesiásticas ou sociais, é aquele amor que sentimos pelos nossos amigos, especialmente os mais íntimos. O amor fraternal está ligado a um afeto profundo e um compromisso mútuo entre os membros da igreja de Jesus, testificando desse modo ao mundo a união na comunidade e o zelo no relacionamento entre aqueles que seguem a Cristo, este é o amor que faz o mundo crer que nós somos discípulos de Cristo:

"Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros." (Jo. 13.35)

     Como Paulo, os pastores precisam de obreiros amigos em quem ele possa confiar e contar suas dificuldades enfrentadas no ministério, na lida pastoral o pastor por vezes é um crente solitário, se torna alguém com poucos amigos e, consequentemente, com poucas pessoas para compartilhar suas dores, decepções, frustrações e fraquezas, quando encontra alguém com as características de um Epafrodito, certamente estará diante dele alguém que o ajudará de forma extraordinária não somente na vida ministerial, principalmente na vida emocional. Para Paulo Epafrodito era antes de tudo, um irmão, e isso fez uma diferença exorbitante naquele momento de seu ministério. Roguemos a Deus para que Ele levante muitos Epafroditos nestes dia de liquidez e frieza relacional entre irmãos.

     "[...] E cooperador..." Epafrodito era um obreiro dado à obra do Senhor, em primeira mão Paulo o chama de cooperador: (Com o operador), ou seja, aquele obreiro era alguém que andava com o dono da Igreja, tinha sintonia com o Senhor, certamente essa era a razão maior de seu excelente caráter e de seu compromisso com a comunidade cristã. Cooperar com alegria e disposição no serviço cristão é se colocar à disposição do Reino de Deus tendo-o em alta conta, quem assim o faz pode colher os frutos de seu trabalho com satisfação e consciência tranquila, pois sabe que todas as vezes que o Senhor o convocou ele pode dizer: "Eis-me aqui, envia-me a mim."

     Apesar de Epafrodito não se preocupar em aparecer, e se entregar ao serviço do Senhor de todo o seu coração, o apóstolo Paulo faz questão de afirmar o valor de seu trabalho, como era de seu costume Paulo não tinha ciúmes de alguém que se dispusesse a fazer a obra de Deus, ele aliás orava ao Senhor por eles. É muito bom quando a liderança eclesiástica não se sente insegura pelo despontamento de algum irmão que com afinco se destaca no serviço de Deus, posto que estes precisam ser acolhidos e incentivados a continuarem usando seus talentos para o crescimento da igreja de Cristo, tentar tolhê-los é uma atitude pequena demais para alguém que está na posição de liderança.

     "[...] E companheiro nos combates..." Dentre muitas qualidades, Paulo destaca também que Epafrodito era mais que amigo, era um companheiro e um obreiro destemido no que tangia ao serviço do Senhor. A palavra companheiro vem do latim "companio, aquele que compartilha o pão", (cum = com + panis = pão), tem a ideia de alguém que divide a comida, demais atividades e, por fim, a vida. Epafrodito era um obreiro completo, não recuava por ouvir ameaças e/ou críticas, ele não desistia do propósito pelo qual era enviado por coisas banais e corriqueiras e, no que dependesse dele, o trabalho de Deus seria feito, ainda que isso lhe custasse a vida. Que exemplo de obreiro fiel!

     Companheiro nos combates não significa ser um soldado adestrado para lutar as batalhas carnais, pelo contrário, tais combates estavam no âmbito espiritual, nisso Epafrodito também se identificava com Paulo, que era acostumado a enfrentar pelejas teológicas e espirituais, sem em nenhum momento negar o nome de Cristo ou deixar de defender a doutrina da graça dada pelo Senhor, Paulo combateu legitimamente todas as guerras pertencentes à fé cristã e foi o principal propagador do Reino de Deus no cristianismo: "Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé." (2 Tm. 4:7).

PAULO O RECONHECE COMO OBREIRO FIEL E DE SUMA IMPORTÂNCIA PARA O REINO DE DEUS

     "[...] E vosso enviado para prover às minhas necessidades..." Epafrodito não é apenas apresentado como cooperador, ele também é colocado por Paulo como Apóstolo (no sentido de ser enviado), verdade é que na mente paulina não havia uma distinção no propósito do uso dos dons como vemos hoje, para além disso, no que concerne ao Reino de Deus o apóstolo é um cooperador como todos os demais irmãos (Rm. 16:21; 1 Tss. 3:2), Paulo não tinha em mente a "hierarquia eclesiástica pentecostal", mas sim a igualdade entre os irmãos no serviço prestado a Deus. Com isso não faço uma crítica a hierarquia pentecostal, somente busco aclarar a mente do leitor para o sentido que o texto está de fato mostrando. Para além disso, a dedicação e eficácia do mensageiro é digna de ser louvada.

     Aqui também chama a atenção que, mesmo num passado remoto onde a comunicação era precária, aquele obreiro cumpriu na íntegra a ordem recebida. Diferente dos dias atuais onde a comunicação é farta mas há uma dificuldade enorme de ser transmitida ou cumprida de forma eficaz. Desse modo, mais que nunca cabe aqui a frase de Lacan: "Você pode saber o que disse, mas nunca o que o outro escutou" (LACAN) , pois que, se por um lado temos uma cadeia enorme de veículos de comunicação de massa, por outro lado temos também uma rede sem fim de falsas informações, capazes de levar incautos a cometer coisas horríveis, resta-nos peneirá-las e extrair as confiáveis e verdadeiras e, na medida do possível, usar o método cartesiano para checar a origem das informações. 

     Além do amor fraternal manifestado por Paulo, percebe-se que Epafrodito também tinha um amor especial e um compromisso inigualável com a igreja de Cristo naquela região, a qual estava sempre a seu serviço.

"Porquanto tinha muitas saudades de vós todos, e estava muito angustiado de que tivésseis ouvido que ele estivera doente." (2.26).

A saudade que Epafrodito nutria pelos irmãos de Filipos era muito grande, mas ele foi impedido de retornar em tempo hábil por ter sido acometido por uma enfermidade. Seu coração se angustiou mais ainda quando soube que a igreja foi informada de sua enfermidade, ou seja, Epafrodito se angustiou porque soube que a igreja estava triste ao saber que ele estava enfermo. Que obreiro especial, que coração cheio de amor pelo Reino de Deus! Em meio a tudo isso, Paulo o recomenda à igreja, para que essa o receba do modo digno que ele deve ser recebido: "Recebei-o, pois, no Senhor com todo o gozo, e tende-o em honra" (2.29), em outras palavras, a comunidade de Filipos deveria recebê-lo no Senhor, como usam fazer os santos. Era o mínimo a ser feito por um obreiro comum, porém digno de grande honra e estima.

CONCLUSÃO

     Epafrodito nos deixou um grande exemplo a ser seguido, com ele aprendemos que para prestar um serviço de excelência ao Reino de Deus não é necessário ser alguém conhecido ou famoso, não é preciso trilhar por um caminho que tenha holofotes ou aplausos humanos como um meio ou um fim, mas sim, basta aplicar o coração para servir a Deus com amor genuíno, sem se preocupar em ser visto, apenas dedicar-se ao serviço de Deus com um coração agradecido e fiel.


SOLI DEO GLÓRIA.



Pr. José Verneques Santos
Presidente da AD - Ministério Paulista
Primeiro Secretário da COMADESPE
Graduado em Teologia IBAD/FABAD
Pós-graduado em Ciências da Religião FATEMIG/IBEMIG
Autor dos Livros:
.Jornada Ministerial
.A Suficiência do Evangelho de Cristo para Sua Igreja
.Igreja e Política, Caminhos Paralelos Para Alvos Diferentes
.Por um Discipulado Segundo Jesus Cristo
.O Deus Homem, A Incomparável História de Jesus Cristo

domingo, 1 de dezembro de 2024

O Líder como Pastor e Administrador




Refletindo sobre a função do Líder como Pastor e Administrador



Quando se fala em duas atividades distintas para uma só pessoa, a primeira impressão que se tem é a de "acúmulo de funções", o que no caso das leis trabalhistas compreende algumas implicações, entre elas, além da capacitação exigida, o pagamento da devida remuneração. Em algumas profissões, há inclusive discussões sindicais com correntes de pensamentos divergentes sobre a viabilidade ou não dessa modalidade.

Não é diferente no caso do Líder como pastor e administrador, (A isso o mundo acadêmico eclesiástico denomina de Bivocação) aliás, a primeira murmuração registrada na Igreja Primitiva foi por conta desse tema. A Igreja estava em seu início, quando surge a murmuração dos helenistas contra os hebreus, sob a alegação de que suas viúvas não estavam sendo bem atendidas na distribuição diária dos suprimentos, uma espécie de discriminação não proposital, mas motivada pelo acúmulo de funções dos apóstolos, senão vejamos o texto.

"Naqueles dias, aumentando o número dos discípulos, houve murmuração dos helenistas contra os hebreus, porque as viúvas deles estavam sendo esquecidas na distribuição diária. Então os doze convocaram a comunidade dos discípulos e disseram: — Não é correto que nós abandonemos a palavra de Deus para servir às mesas. Por isso, irmãos, escolham entre vocês sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, para os encarregarmos desse serviço. Quanto a nós, nos consagraremos à oração e ao ministério da palavra. O parecer agradou a todos. Então elegeram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau, prosélito de Antioquia. Apresentaram estes homens aos apóstolos, que, orando, lhes impuseram as mãos". Atos 6:1-6 NAA

O crescimento da Igreja era de tamanha proporção, que os apóstolos realmente admitiram ter sentido a murmuração em tese, sendo necessário resolver o problema. Considerando que não lhes era possível acumular tais funções, manifestaram então as qualificações exigidas e a Igreja, portanto, fez a escolha e, eles impondo-lhes as mãos, delegaram aos diáconos o trabalho da administração social. Diante de tal iniciativa, tiveram tempo suficiente para se dedicarem exclusivamente ao trabalho espiritual de se consagrarem à oração e à Palavra. Naquele momento o problema foi totalmente resolvido com resultados positivos à Igreja, tanto que o crescimento doravante atesta o sucesso da resolução.

Até hoje, algumas Igrejas históricas, principalmente as de governo congregacional mantém esse sistema, onde há conselhos formados por diáconos e/ou presbíteros que se encarregam da administração material e financeira, enquanto seus pastores se dedicam exclusivamente às coisas espirituais. Em alguns casos os pastores presidem esses conselhos, e em outros nem deles participam.

Inicialmente, parece ser uma combinação com o custo-benefício perfeito, porém, sem fazer qualquer juízo de valor dos sistemas eclesiásticos, não é o caso da maioria das Igrejas Pentecostais, sejam elas clássicas ou não, onde os pastores lideram, auxiliados por um corpo diretivo que com ele cooperam nessa administração.

No primeiro momento temos a impressão de que o modelo implantado pelos apóstolos perdurou durante toda a existência da Igreja primitiva, mas não foi o que aconteceu. Se analisarmos os conselhos de Paulo a Temóteo, em sua primeira carta, provavelmente entre 10 e 15 anos após  a eleição dos primeiros 07 diáconos, já existiam presbíteros que presidiam, além de se dedicarem também na pregação e no ensino da Palavra: “Devem ser considerados merecedores de pagamento em dobro os presbíteros que presidem bem, especialmente os que se esforçam na pregação da palavra e no ensino. Pois a Escritura declara: "Não amordace o boi quando ele pisa o trigo." E, ainda: "O trabalhador é digno do seu salário." 1 Temóteo 5:17-18 NAA

Paulo chega a orientar que eles sejam dignos de duplicada honra e/ou pagamento em dobro, pois tinham a incumbência de administrar, pregar o evangelho e ensinar o rebanho. Não se sabe exatamente como e nem quando aconteceu essa mudança, ou se foi acontecendo paulatinamente com o crescimento da Igreja. O certo é que houve a contextualização do sistema, por necessidade, senão de todas, mas de algumas congregações. Possivelmente havia igrejas que mantiveram o sistema original e outras que se adequaram à nova realidade por conta da sua necessidade. Paulo diz: "os presbíteros que presidem bem...", eram casos específicos, mas é certo que já havia alguns nessa condição de presidir, pregar e ensinar.

É lógico que, em sendo possível o Pastor se manter às atividades do ministério pastoral, como orar, se preparar exclusivamente para a pregação e o ensino, é algo extraordinário, porém, se na Igreja Primitiva já se tinha tal problema, imaginemos o grau de complexidade do tema nos tempos modernos.

É necessário lembrar que, quando falamos na função pastoral, não se restringe apenas à direção de cultos, pregação e ensino da Palavra, mas há de se levar em conta também o atendimento pastoral à membresia, como visitas, aconselhamentos à jovens, casais, famílias, e outras moderações entre os membros que requerem a presença do pastor da igreja, e isso não pode ser descuidado.

Usando o profeta Ezequiel, Deus falou aos pastores infiéis de Israel: "Vocês não fortaleceram as fracas, não curaram as doentes, não enfaixaram as quebradas, não trouxeram de volta as desgarradas e não buscaram as perdidas, mas dominam sobre elas com força e tirania. Assim, elas se espalharam, por não haver pastor, e se tornaram pasto para todos os animais selvagens. As minhas ovelhas andam desgarradas por todos os montes e por todas as colinas. As minhas ovelhas andam espalhadas por toda a terra, sem haver quem as procure ou quem as busque." – Ezequiel 34:4 NAA.

Mesmo delegando tais responsabilidades a líderes auxiliares e Departamentos específicos, é natural que em muitas situações a presença e fala do pastor da igreja são necessárias.

Naturalmente, em uma igreja madura, com mais tempo de fundação e uma membresia maior, há uma melhor compreensão, o que facilita uma melhor administração de  tais situações, onde se pode filtrar os casos de menor importância através de auxiliares devidamente preparados, conforme o conselho de Jetro, o sogro de Moisés: "Procure entre o povo homens capazes, tementes a Deus, homens que amam a verdade e odeiam a corrupção. Coloque-os como chefes do povo: chefes de mil, chefes de cem, chefes de cinquenta e chefes de dez, para que julguem este povo em todo tempo. Toda causa grave trarão a você, mas toda causa pequena eles mesmos julgarão; assim será mais fácil para você, e eles o ajudarão a levar essa carga. Se você fizer isto, e se essa for a ordem de Deus, então você poderá suportar e também todo este povo voltará em paz ao seu lugar. Moisés atendeu às palavras de seu sogro e fez tudo o que este lhe tinha dito". Êxodo 18:21-24 NAA

Outro ponto a se considerar é que, em que pese, dependendo do tamanho da igreja, termos a possibilidade de muitos presbíteros e pastores, o pastor da igreja será sempre um. Paulo escrevendo à igreja de Éfeso, declarou: "E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo". – Efésios 4:11-12 NAA, no entanto, no livro do Apocalipse, quando o Senhor Jesus se revelou ao apóstolo João escrevendo às 07 igrejas da Ásia, as endereçou ao pastor de cada uma em particular. Ao final, a palavra era sempre a mesma: "Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas", mas o endereçamento e responsabilidade recaía sobre o "anjo da igreja", ou seja, ao "pastor da igreja".

Espiritualmente, como vimos no texto acima, a igreja como organismo é assim que funciona e, do ponto de vista administrativo, como organização, também assim o é. Como organização, na constituição civil, através do estatuto, CNPJ e outros instrumentos dos órgãos públicos, a igreja sempre está atrelada ao CPF do seu principal líder, no caso o pastor da igreja.

A Igreja como corpo de Cristo não é propriedade do pastor, mas a responsabilidade da condução espiritual, segundo a Palavra de Deus é dele: "Obedeçam aos seus líderes e sejam submissos a eles, pois zelam pela alma de vocês, como quem deve prestar contas.(o grifo é meu) Que eles possam fazer isto com alegria e não gemendo; do contrário, isso não trará proveito nenhum para vocês". – Hebreus 13:17 NAA. Do mesmo modo, muito embora a personalidade jurídica da igreja não seja de sua propriedade, a responsabilidade da condução dessa, de acordo com as leis do país também é sua.

Em que pese muitos interpretarem de forma adulterada princípios elementares, a Bíblia não mudou, sendo que, o líder como Pastor ou Administrador, ou ambas as coisas, não passam de mordomos daquilo que é de Deus, ou seja, o verdadeiro dono da Igreja: "Cuidem de vocês mesmos e de todo o rebanho no qual o Espírito Santo os colocou como bispos, para pastorearem a igreja de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue". (o grifo é meu) Atos 20:28 NAA.

Vimos até aqui muito claramente que,  não se trata de uma tarefa fácil administrar tais responsabilidades. É necessário ter capacitação espiritual e de vida. No mundo secular, qualquer profissional precisa provar, normalmente, apenas a sua capacitação técnica, mas no caso daqueles que são chamados por Deus, essa capacitação vai muito além, e não para por aí, é preciso cuidar também e ter o domínio da sua família: "Fiel é a palavra: se alguém deseja o episcopado, excelente obra almeja. É necessário, pois, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, moderado, sensato, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar;3 não dado ao vinho, nem violento, porém cordial, inimigo de conflitos, não avarento;4 e que governe bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito.5 Pois, se alguém não sabe governar a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?" – 1 Temóteo 3:1-5 e ainda: "Se alguém não tem cuidado dos seus e, especialmente, dos da própria casa, esse negou a fé e é pior do que o descrente". – 1 Temóteo 5:8 NAA

Todos os cuidados acima são inerentes àqueles a quem Deus chamou para a função pastoral, agindo assim terão o respeito tanto dos que estão de dentro como dos que estão de fora, e isso em todos os âmbitos, ou seja, o líder, tanto como pastor e também como administrador, deve ser considerado. Seu currículo espiritual, teológico, conjugal, familiar, comercial, financeiro e administrativo deve ter boa aprovação diante de todos. Segundo a Palavra de Deus, deve ser o "Exemplo dos Fiéis": "Ninguém o despreze por você ser jovem; pelo contrário, seja um exemplo para os fiéis, na palavra, na conduta, no amor, na fé, na pureza". 1 Temóteo 4:12 NAA

O jovem pastor Temóteo não deveria ser rejeitado, muito menos desrespeitado pela sua tenra idade, em contrapartida, o preço a ser pago por ele, seria ser o exemplo dos fiéis em todas as coisas: "na palavra, na conduta, no amor, na fé, na pureza". Qualquer deslize em um desses quesitos o inviabilizaria como líder e pastor.

O líder da igreja, quer como pastor ou como administrador, normalmente é escolhido dentro do rebanho do Senhor, portanto, trata-se de um dos seus servos. Não é comum, muito menos bíblico, pessoas estranhas ao organismo para tais serviços, mas de entre os Ministros de Cristo e, para tanto, existem as qualificações pertinentes e, entre elas, a fidelidade também é de vital importância: "Assim, pois, importa que todos nos considerem como ministros de Cristo e encarregados dos mistérios de Deus. Ora, além disso, o que se requer destes encarregados é que cada um deles seja encontrado fiel". 1 Coríntios 4:1-2 NAA.

O líder que se encontra encarregado de tais responsabilidades, não deve ser um impostor que vive dando "carteirada" nos outros, mas deve ser considerado e respeitado naturalmente pela sua fidelidade ao Senhor e à igreja. Deve ser dotado de autoridade espiritual: "ser apegado à palavra fiel, que está de acordo com a doutrina, para que possa exortar pelo reto ensino e convencer os que contradizem este ensino." – Tito 1:9 NAA

O líder como pastor e administrador deve ter cuidado de si mesmo:  "Cuide de você mesmo e da doutrina. Continue nestes deveres, porque, fazendo assim, você salvará tanto a si mesmo como aos que o ouvem". 1 Temóteo 4:16 NAA – um detalhe muito importante no conselho acima ministrado pelo apóstolo Paulo a Temóteo é que, antes de cuidar da doutrina e dos outros e aqui acrescento, da administração, tenha cuidado de si mesmo.

Se o líder não estiver bem com sua saúde física, mental e espiritual, não tem como cuidar das demais coisas do Reino de Deus. O acúmulo de tarefas, sem o devido equilíbrio, poderá acarretar prejuízos fatais à vida pessoal, família e ao ministério. Existem cuidados que o líder precisa tomar, e para isso é necessário muito equilíbrio, no sentido de que a obra de Deus não se torne mais importante do que o Deus da obra.

O acúmulo de tarefas pastorais e administrativas, como direção de cultos, atendimentos pastorais, reuniões, viagens, convenções, simpósios e eventos diversos, já são normalmente acima do natural, mas  acrescentando-se ainda que, em a igreja crescendo, pode ganhar relevância e protagonismo, fazendo com que o líder seja muito mais procurado e absorvido por aquilo que naturalmente representa. A Igreja Primitiva se tornou relevante na sociedade de sua época, por conta da obra que realizava: "Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso, o Senhor lhes acrescentava, dia a dia, os que iam sendo salvos". (O grifo é meu) Atos 2:46-47.

Nos dias de hoje, quando isso acontece, o assédio social é muito  grande, seja pelas instituições e/ou autoridades civis, pelos compromissos ministeriais e denominacionais e até mesmo aqueles que veem a igreja meramente como um público consumidor, os quais marcam agendas que o líder finda atendendo por educação, mas praticamente  sem qualquer resultado concreto. Se não houver atenção e equilíbrio, tais compromissos afastam o líder de bons momentos de oração, meditação na Palavra de Deus, devocionais, descanso e momentos com a família. Relembrando Paulo: "Cuide de você mesmo".

Há líderes que além de pastorear e administrar a igreja, também tem a tarefa de ensinar, atuando como escritores de livros, artigos, comentaristas de revistas para escolas bíblicas,  palestrantes em Escolas de Obreiros e Escolas Teológicas, enfim, atividades que requerem tempo para estudos, pesquisas e meditação, um verdadeiro esforço hercúleo para se administrar.

É necessário muito equilíbrio. Poderíamos dizer que, do ponto de vista humano, numa linguagem contábil: "a contabilidade não zera" ou "o balancete não fecha", é preciso algo a mais, é preciso fazer a nossa parte e ainda acreditar no sobrenatural de Deus.

Enfim, para ser um Líder como Pastor e Administrador, não é para quem quer, mas sim para quem é chamado por Deus, valendo o conselho do escritor aos Hebreus: "E ninguém toma esta honra para si mesmo, a não ser quando chamado por Deus, como aconteceu com Arão". Hebreus 5:4 NAA

Se, fazendo tudo conforme a Palavra, com toda a sabedoria, discernimento e equilíbrio, e sobrar algum espinho na carne que venha nos esbofetear e tenhamos que suportá-lo, o Mestre tem o mesmo consolo dado ao apóstolo Paulo: "A minha graça é o que basta para você, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza." De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo". 2 Coríntios 12:9 NAA



Pr. Carlos Roberto Silva 
Líder da Assembleia de Deus Ministério de Cubatão SP • Presidente da COMADESPE – Convenção dos Ministros das Assembleias de Deus no Estado de São Paulo e Outros  Relator do Conselho de Doutrina da CGADB

Artigo do publicado originalmente na edição de número 108 da Revista Obreiro Aprovado da CPAD



Revista Obreiro Aprovado publica artigo do Pr. Carlos Roberto Silva





Refletindo sobre a função do líder como pastor e administrador - Artigo do Pr. Carlos Roberto Silva é publicado pela Revista Obreiro Aprovado




Revista Obreiro Aprovado publica artigo do Pr. Carlos Roberto Silva Refletindo sobre a função do líder como pastor e administrador, a matéria traz uma visão bíblica, social e atual da dupla vocação. A difícil função do pastor assembleiano como administrador, tendo a missão de conciliar suas múltiplas tarefas mantendo a essência espiritual, é o tema do novo artigo do Pr. Carlos Roberto Silva, publicado na edição de número 108 da Revista Obreiro Aprovado.

A publicação editada pela CPAD – Casa Publicadora das Assembleias de Deus, editora oficial da denominação é atualmente umas das mais relevantes tendo como público-alvo os ministros evangélicos do país, com pautas que abordam os desafios do obreiro assembleiano, testemunhos e conselhos de pastor para pastor.

O pastor Carlos Roberto Silva imprime no artigo "O líder como pastor e administrador" sua experiência de quase 40 anos de ministério pastoral, servindo a igreja de Cubatão, à Comadespe (Convenção dos Ministros as Assembleias de Deus no Estado de São Paulo e Outros) e a CGADB (Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil). Antes de ser chamado pelo Senhor e viver integralmente em favor do ministério, fez carreira profissional no Banco Bradesco, chegando ao posto de gerente. No exercício ministerial, encontrou o desafio da conciliação de ser um "bom gestor" e, ao mesmo tempo, um "bom pastor".
Apesar da bi-vocação ser mais observada no exercício sacerdotal assembleiano, a dupla responsabilidade dos ministros não é uma exclusividade da denominação e é observada ao longo da história da igreja, bem antes de Daniel Berg e Gunnar Vingren pisar em solo brasileiro.

No artigo, o autor justifica que apesar do modelo que distingue o pastor do administrador estabelecido pelos apóstolos em Atos 6, na ocasião da eleição dos 7 diáconos, com o crescimento exponencial da igreja os próprios apóstolos passaram a admitir a necessidade dos líderes exerceram as duas funções. A primeira carta de Paulo a Timóteo, por exemplo, demonstra claramente haver no descritivo do cargo de presbítero ambas as atribuições. Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina (1Tm 5.17). Na abordagem do articulista, ao destacar a expressão "principalmente os que", o apóstolo Paulo está distinguindo ministros que se limitavam à função pastoral, daqueles que também se dedicavam a presidir por completo a igreja e isso envolvia a sua administração.

A bivocação passou não somente a ser admitida, mas também aderida por muitas igrejas. Esse modelo de governo, chamado de Episcopal misto, foi abraçado pela Assembleia de Deus, senão de forma expressa, mas na prática exercida. Obviamente, a depender do porte do ministério, as funções ficam melhor distribuídas, mas há de se admitir que a realidade de muitas igrejas com pouca ou quase nenhuma estrutura, finda entregando aos líderes responsabilidades diversas, acumulando seus compromissos. 

Apesar de a dupla função ser já uma realidade dos ministros assembleianos, é preciso observar alguns cuidados necessários que devem ser adotados pelo próprio líder. Se por um lado a bi-vocação promove dinamismo nas atividades eclesiásticas e administrativas da igreja, por outro a carga mais pesada pode provocar sequelas quando o sacerdote não se atenta aos princípios bíblicos de autocuidado e a fidelidade a Palavra; "Cuidem de vocês mesmos e de todo o rebanho no qual o Espírito Santo os colocou como bispos, para pastorearem a igreja de Deus, a qual Ele comprou como seu próprio sangue" Atos 20.28. Para o Pr. Carlos Roberto Silva, uma vez ciente da responsabilidade aferida pelo duplo compromisso do pastoreio e da administração da igreja, o ministro poderá exercer com excelência o chamado ministerial, contribuindo para que a igreja seja edificada.

A revista Obreiro Aprovado está disponível para compra nas plataformas digitais da CPAD, nas lojas da editora e nas melhores livrarias evangélicas. Além do artigo O líder como administrador do Pr. Carlos Roberto Silva, o leitor encontrará outras matérias assinadas por líderes relevantes como o Pr. Eduardo Leandro Alves, Rayfran Batista da Silva, além de uma entrevista com o Pr. Ezequias Soares, Presidente do Conselho de apologética da CGADB e também Presidente do Conselho Deliberativo da Sociedade Bíblica do Brasil (SBB).

Por Jorn. Almir Júnior

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