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quarta-feira, 24 de junho de 2026

Número de igrejas evangélicas dobra em uma década e chega a 4.800 na Espanha



Crescimento evangélico ganha força na Espanha, impulsionado por imigrantes e por ações evangelísticas, como o Festival Esperança.


A Espanha vive um crescimento visível do movimento evangélico, impulsionado principalmente pela chegada de imigrantes latino‑americanos e pela maior presença pública de grandes eventos.

O avanço, que já vinha se consolidando ao longo da última década, ganhou novo destaque com a realização do Festival da Esperança em Madri.

Milhares de pessoas cantaram, ergueram as mãos e acompanharam o evento realizado nos dias 30 e 31 de maio no Palácio Vistalegre, dirigido pelo evangelista Franklin Graham, presidente da Associação Evangelística Billy Graham.

“A Espanha precisa de esperança, e essa esperança encontra-se em Jesus Cristo”, afirmou Graham perante o público.

Quase 4.800 igrejas

Segundo a Euronews, a Espanha registrou 4.763 templos evangélicos em 2025, quase o dobro do número existente em 2011.

A Catalunha concentra atualmente 1.010 igrejas evangélicas, seguida da capital, Madri, com 855, da Andaluzia com 744 e da Comunidade Valenciana com 510.

O crescimento tem sido especialmente visível na região de Madri. Dados do Observatório indicam que o número de igrejas evangélicas passou de cerca de 662 para 855 em apenas uma década, mostrando a força da expansão no principal centro urbano do país.

O que durante décadas esteve associado a pequenas congregações de bairro hoje é capaz de lotar alguns dos maiores espaços da Espanha.

Aumento de templos

Embora a Igreja Católica siga amplamente majoritária, com 22.922 locais de culto registrados, as igrejas evangélicas já representam mais da metade de todos os centros religiosos pertencentes a confissões não católicas.

Organizações evangélicas estimam que a comunidade no país reúna cerca de 1,5 milhão de pessoas, embora não existam estatísticas oficiais precisas sobre o número de fiéis.

O avanço não aparece apenas no aumento de templos.

Segundo várias organizações evangélicas, a presença das igrejas também cresceu em universidades, associações de moradores, meios de comunicação, eventos públicos e redes sociais – um salto de visibilidade muito maior do que o observado há apenas duas décadas.

O Festival Esperança, liderado por Franklin Graham em Madri, reuniu milhares de pessoas em meio ao crescimento evangélico na Espanha. (Foto: Franklin_Graham/X)

Eventos públicos

O festival liderado por Graham reuniu quase 19 mil pessoas e mobilizou 840 igrejas de diferentes regiões. Cerca de 9.800 pessoas participaram ainda em atividades de formação e evangelização realizadas nos meses anteriores.

A preparação incluiu meses ainda a formação de voluntários, evidenciando a capacidade organizativa e o alcance do movimento.

O evento não foi isolado. Semanas antes, outro o The Change Madrid havia reunido 35 mil pessoas, reforçando a presença crescente dos evangélicos no espaço público espanhol.

Recentemente, outro evento público em ruas de diversas cidades espanholas também mobilizou os evangélicos.

Milhares de pessoas participaram de 45 encontros de oração em locais públicos e templo de diferentes cidades.

A iniciativa España Oramos por Ti realizou um dia nacional de oração que mobilizou o país. Segundo os organizadores, 45 encontros simultâneos ocorreram em diversas cidades da Espanha, configurando uma das maiores mobilizações de oração dos evangélicos espanhóis nos últimos anos.

Latino-americanos

Por trás dessa expansão aparece, de forma recorrente, o mesmo fator: a imigração latino‑americana.

Dados recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que a Espanha continua registrando máximos históricos de população, impulsionados sobretudo pela chegada de residentes nascidos no exterior.

Entre as nacionalidades que mais cresceram nos últimos anos figuram a colombiana e a venezuelana.

Muitos vêm de países onde as igrejas evangélicas têm uma presença muito mais ampla do que na Europa.

Colômbia, Venezuela, Honduras, Guatemala, Brasil e República Dominicana registraram, durante décadas, um forte crescimento das igrejas evangélicas e pentecostais.

Para muitos imigrantes, especialmente latino‑americanos, as igrejas funcionam como rede de apoio social, oferecendo acolhimento, comunidade e assistência prática, além da dimensão espiritual.

Essa combinação tem contribuído para a expansão contínua do movimento e para a multiplicação de templos em todo o país.

Fonte: Guiame

quarta-feira, 22 de maio de 2024

Espanha, Irlanda e Noruega reconhecem o Estado da Palestina




Reconhecimento oficial dos três países de um Estado Palestino independente entrará em vigor na terça-feira (28)



A Noruega, a Espanha e a Irlanda anunciaram o reconhecimento de um Estado Palestino independente nesta quarta-feira (22). Foi a primeira vez desde o início da guerra entre Israel e o Hamas em 7 de outubro.


Os primeiros-ministros da Espanha, Pedro Sánchez, e da Irlanda, Simon Harris, e o ministro das Relações Exteriores da Noruega, Espen Barth Eide, disseram que formalizarão o reconhecimento na próxima terça-feira (28).


A decisão conjunta foi tomada depois de a Assembleia Geral da ONU ter aprovado, no início do mês, uma resolução que abre caminho para o reconhecimento da Palestina como Estado membro da organização — atualmente, a Palestina tem status de “Estado Observador Permanente”. Segundo os premiês da Espanha e da Irlanda e o ministro da Noruega, o anúncio dos três países pode gerar também uma onda de novos reconhecimentos.


O ministro das Relações Exteriores de Israel, Israel Katz, afirmou que a decisão de reconhecer um Estado Palestino “minou o direito de Israel à autodefesa e os esforços para devolver os 128 reféns detidos pelo Hamas em Gaza”.


No último dia 10, a Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou uma resolução que abre caminho para que a Palestina se torne membro das Nações Unidas e concede “novos direitos e privilégios” aos palestinos.


O texto pede que o Conselho de Segurança da ONU aprove que a Palestina se torne o 194º membro das Nações Unidas. Até o momento, sem contar Irlanda, Espanha e Noruega, 143 membros da ONU reconhecem a existência do Estado Palestino, incluindo o Brasil.

 

Com informações: G1 (22.05.24) via CPAD News

quarta-feira, 31 de janeiro de 2024

Pintura de Jesus Cristo seminu gera polêmica na Espanha



A obra contratada para a “Semana Santa de Sevilha” gerou inúmeras críticas e advogados cristãos estudam medidas legais.


O cartaz oficial da "Semana Santa de Sevilha", cidade no sul da Espanha, gerou polêmica e indignação entre meios de comunicação cristãos, que pediram sua remoção por considerá-lo ofensivo.

Na obra, que foi apresentada no sábado (20), o artista espanhol Salustiano García retrata Jesus Cristo coberto por um pano branco nas regiões da pélvis e da anca.

A organização da "Semana Santa de Sevilha", que reúne cristãos para a festividade católica local, destacou, em comunicado, que a obra reflete "a parte luminosa da Semana Santa" no "mais puro estilo deste renomado pintor".

No entanto, a opinião não foi unânime, e a peça, originalmente destinada à exposição em diversos locais da cidade, onde as tradições católicas ainda são profundamente enraizadas, gerou uma grande controvérsia nas redes sociais. Inúmeros internautas, juntamente com uma associação católica ultraconservadora, criticaram o caráter “sexualizado” da imagem.

Dez mil pessoas assinaram petição

O Instituto de Política Social, uma entidade que defende os "símbolos cristãos" e é contrária ao aborto, classificou o cartaz como "uma verdadeira vergonha e aberração", por retratar um Cristo com características "efeminadas".

A instituição solicitou a retirada da obra e exigiu um pedido público de desculpas do autor, argumentando que essa representação não está de acordo com o espírito da Semana Santa.

O líder do partido Vox, Javier Navarro, também se uniu às críticas, declarando na rede social X [antigo Twitter] que o cartaz "procurava a provocação" e se afastava de seu propósito original de "encorajar a participação devota dos fiéis na Semana Santa de Sevilha".

Além disso, na segunda-feira, mais de 10 mil pessoas assinaram uma petição pública na plataforma Change.org, solicitando a defesa da "tradição" e do "fervor religioso" de Sevilha contra a pintura, e advogados cristãos estudam medidas legais.

Autor "surpreendido com politização" do quadro

Em entrevista ao jornal ABC, o autor da obra defendeu que sua pintura é "gentil, elegante e bonita" e foi realizada com "respeito".

Salustiano García afirmou: "É preciso estar doente para ver sexualidade no meu Cristo", argumentando que "não há nada" em sua pintura que "não esteja representado em obras de arte de há muitos séculos".

O artista, cujas obras estão em exposição em galerias ao redor do mundo, explicou que utilizou seu filho como modelo para o cartaz.

"Nós dois rimos com essa polêmica e estamos muito surpresos com a politização que está sendo feita em torno do quadro", afirmou o artista.

Ele contou com o apoio do líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) da Andaluzia, Juan Espadas, que defendeu o cartaz e denunciou "as expressões de homofobia e ódio" que surgiram em resposta à obra.

Fonte: Guia-me com informações de JN e La Razón via Folha Gospel

sábado, 23 de dezembro de 2023

Espanha atinge pela primeira vez 1.000 cidades com igreja evangélica




Novos dados apontam para a imigração como um elemento-chave no crescimento das igrejas espanholas na última década.


O número de evangélicos na Espanha, bem como a quantidade de igrejas plantadas, continua aumentando, segundo números de 2023 publicados pelo ministério Evangelismo em Profundidade (EVAF), que estuda a evolução estatística do evangelicalismo desde 1996.

Seu diretor, Máximo Álvarez, confirmou ao site de notícias espanhol Protestante Digital que o crescimento evangélico tem sido notável nos últimos anos, mas expressou sua esperança de que os materiais que estão distribuindo ajudem as igrejas a “se tornarem conscientes” da grande necessidade de evangelizar e plantar novas congregações.

Duas décadas de forte crescimento

Em termos de décadas, o crescimento mais forte ocorreu principalmente nas duas primeiras décadas do século XXI, graças especialmente à chegada de migrantes da América Latina, África e Europa. Iniciativas conjuntas de evangelização e plantação de igrejas também estão impulsionando este crescimento constante.

"Há muitas décadas existem igrejas e ministérios com esta visão de plantar igrejas onde ainda não há local de culto evangélico", explicou Álvarez.

A EVAF salienta que já existem mais de 1.000 cidades com igreja evangélica, mas 7.124 municípios ainda não foram alcançados.

Além disso, "há 542 cidades com mais de 5 mil habitantes sem igreja evangélica", além de "grandes bairros nas cidades, onde não há igreja em grandes áreas".

Muito para conseguir

Alvarez acredita que a visão de plantação de igrejas está sendo fortalecida "com plataformas como Rede de Multiplicação, M4 e outras", mas ainda há uma grande necessidade de "encorajar a liderança a prestar mais atenção à missão doméstica, e isso significa facilitar a formação de plantadores de igrejas".

A fim de tornar as igrejas mais conscientes do desafio atual, Alvarez incentiva a realização de "semanas missionárias" onde os dados fornecidos pela EVAF são partilhados. "Cada igreja tem que plantar uma ou duas congregações e em 2035 teríamos um mapa completo", explica Álvarez.

Um exemplo de iniciativa evangelística é a distribuição massiva de literatura que tem ocorrido em Sevilha e Cádiz nestas semanas, como parte de um plano de ação conjunto com a colaboração das igrejas locais e da organização missionária OM. O plano é repetir isto em todas as províncias da Andaluzia e estendê-lo a todo o país.


Folha Gospel com informações de Evangelical Focus

segunda-feira, 15 de maio de 2023

Descoberta Igreja clandestina dos primeiros cristãos na Espanha



Arqueólogos descobriram uma cisterna subterrânea convertida em local de culto oculto em uma casa romana em Mérida


Embora o local esteja em ambiente protegido, ainda se aguarda um plano ambicioso que permita a sua visitação. O buraco no chão não revela nada além de escuridão.

Félix Palma, diretor do Consórcio da Cidade Monumental de Mérida (CCMM), deixa cair uma pedrinha e ouve-se ao fundo o som da água. A cavidade está inundada, como na sua origem, quando foi construída como cisterna para uma 'domus' romana, casa de uma família com um certo nível econômico na época. Mas este espaço é o mais antigo documentado na Espanha como local de culto cristão.

O dono da casa reformou este espaço para transformá-lo em um quarto escondido onde um grupo de seguidores de Jesus Cristo se reunia clandestinamente, a salvo de olhares estranhos.

Naquela época, as perseguições contra os cristãos eram intercaladas com períodos de relativa tolerância que podiam ser quebrados a qualquer momento. No século III, são citadas até cinco perseguições até a grande perseguição de Diocleciano, já em 303.

Francisco Javier Heras, diretor do Museu Arqueológico Provincial de Badajoz, recorda com clareza a descoberta deste espaço religioso com mais de 1.700 anos. A 'domus' tinha sido descoberta no final dos anos 80, antes da construção de um dos edifícios que ladeiam o acesso à praça denominada 'Puerta de la Villa', no 'decumanus maximus' de Augusta Emérita, principal artéria que hoje é a rua Santa Eulália, o eixo comercial de Mérida.



Nessa altura optou-se por manter os vestígios "in situ", deixando a cave livre, e anos mais tarde o seu acesso foi encerrado devido à degradação do ambiente. Em 2008, através de um projeto Mecenas, financiado por particulares, decidiu-se recuperar o espaço para conferências e exposições e antes de viabilizar a chamada Sala Decumanus, o Consórcio voltou a documentar o que foi escavado. Nessa releitura e limpeza, os arqueólogos encontraram o buraco, no fundo do porão. Embora sua existência fosse conhecida, ninguém havia descido pelo buraco para ver o que havia dentro.

Rezando na escavação

Heras conta que eles desceram com um poderoso holofote para explorar a cavidade. Estava cheio de terra e apenas um metro de sua parte superior podia ser visto. Focalizando a parede nascente da cisterna, descobriram os vestígios de um carmesim que presidia o espaço. «Quando me virei vi o caricaturista das escavações que rezava um rosário e fiquei com os cabelos em pé. Então eu entendi o valor que tinha para muitas pessoas. Como arqueóloga me interesso pela História, pelo patrimônio, mas esse lugar também toca a parte transcendental das pessoas. O meu companheiro disse-me: 'Para mim é importante estar a rezar onde rezavam há quase 2.000 anos'«.




Do "chrismon", um anagrama de Jesus Cristo formado pelas letras P e X, as duas iniciais de seu nome em grego (Χριστός («Khrīstós») sobrepostas, faltam as seções inferiores e também o alfa (A) e o ômega ( W) que o escoltaram, assim como parte da copa vegetal que o rodeava, mas não houve dúvidas quanto à sua identificação.

Era o único letreiro e fora pintado num local central da cisterna subterrânea transformada em quarto. As escavações revelaram que a "abertura zenital" de onde a água era retirada havia sido fechada, o local coberto com um fino estuque de cal e feito o monograma cristão.

Na reforma, havia sido construída uma entrada por uma estreita galeria escalonada com um cotovelo central de 90º, ao qual se acedia por um segundo pátio, provavelmente por um alçapão desde o solo. Parte da abóbada de meio berço de sua última seção, que estava escondida no subsolo, ainda está preservada. Apenas uma pequena abertura permitia pouca ventilação e iluminação do local.




No revestimento original daquele espaço subterrâneo, foram descobertas gravuras com significados cristãos como pães, peixes e âncoras. E nos escombros que no século V serviram para encher esta 'igreja doméstica', foram recuperados restos de objectos que poderiam ter sido usados para liturgias, como um fragmento de uma '' de fino mármore branco ou parte de um disco de mármore não polido que poderia ter sido um prato ritual malfadado.

Igrejas domésticas

Eles estimam que na sala quadrada, de 4,5 metros de cada lado, cerca de 15 ou 20 pessoas poderiam se reunir durante as cerimônias que seriam presididas pelo 'dominó' ou senhor da casa, que assumiria as funções do padre. Até a construção das primeiras basílicas, as comunidades cristãs se reuniam em 'igrejas domésticas' como a da 'domus' da Puerta de la Villa. "Certamente haveria mais casas como esta. A origem da igreja de Santa Eulália poderia ser outra casa. Até a própria casa da basílica, que fica ao lado do teatro romano, poderia ter sido um local de culto cristão em algum momento", aponta Heras.

O diretor do Museu Arqueológico de Badajoz, que publicou recentemente um estudo detalhado sobre 'A domus da Puerta de la Villa e a primitiva comunidade cristã de Mérida' (Cuadernos Emeritenses), destaca que a igreja da capital A Estremadura "deveria ser muito ativa, muito dinâmica e influente". O poder concentrado em Augusta Emérita, como residência do 'vicarius hispaniarum', chefe da política e administração na Espanha, teve seu paralelo no Bispo de Mérida, que exerceu sua influência sobre outros bispos e foi consultado em casos de heresia.




A 'Carta 67' de Cipriano de Cartago fornece informações valiosas sobre esta comunidade cristã do século III. O documento, o mais antigo referente à Igreja da Espanha datado de cerca do ano 254, refere-se às disputas sobre a nomeação de novos bispos nas dioceses de León-Astorga e Mérida. Os cargos anteriores, Basilides e Marcial, haviam apostatado durante a perseguição de Décio e, passado o perigo, buscavam recuperar o cargo, que já havia sido ocupado por novos bispos.

"Sabemos pelas fontes que há lutas entre facções de cristãos dentro da cidade, que lutam para saber quem é o verdadeiro bispo", diz o arqueólogo estremenho, que em seu livro tenta entender o contexto daquela casa de Os cristãos da Puerta de la Villa na história do cristianismo na cidade, com base em achados arqueológicos.

É difícil detalhar um chrismon. Existem várias hipóteses sobre a construção do símbolo, que tradicionalmente remonta ao imperador Constantino, mas Heras acredita que "deveria ser anterior a essa data no início do século IV" quando o edito de Milão que estabeleceu a liberdade religiosa foi promulgada no império e acabou com a perseguição aos cristãos. Na sua opinião, o crismón da câmara oculta, que dataria do III dC, "é o mais antigo de Mérida e do resto da Espanha" por "pura lógica arqueológica".

Da primitiva basílica cristã de Tróia, situada junto à cidade portuguesa de Setúbal, foi publicado o achado de um crismon, que sempre foi considerado o mais antigo, mas "desapareceu", explica o arqueólogo. "Todo o programa iconográfico daquele espaço é preservado exceto o crismón, do qual há apenas um desenho e também não casa bem com o resto da decoração e com os dados que existem", acrescenta.

Uma visita complicada

Nas intervenções de 2008 consolidou-se a pintura do emeritense crismón e a sua localização, na parte mais alta do espaço, salva-o das águas que o inundam. Da atual sala de conferências do Consórcio é possível ver o buraco zenital por onde entraram os arqueólogos e alguns painéis explicam o seu interior com imagens. "O ideal seria poder visitá-lo no futuro porque o local tem a sua magia", admite Félix Palma a poucos metros de distância.

Neste momento "está em ambiente protegido", mas o diretor do Consórcio explica que teriam de ser superados grandes obstáculos. As águas de uma nascente subterrânea, que foram reorientadas por várias obras na zona, inundam permanentemente a sala e uma drenagem pontual não seria suficiente. "Teria de resolver a deficiência hídrica, que é um problema grave porque teríamos de ver onde parar para não comunicar com outro local", diz Palma.

Além disso, a casa romana ocupava um espaço maior do que o atual terreno em cujo porão se encontrava a cisterna reformada e a entrada para a galeria escalonada teria que ser feita por uma garagem particular que dá para uma rua lateral, a de Delgado Valência.

"O problema é a enorme dificuldade que tem. Se fosse fácil já seria visitável, com certeza, mas pelo seu acesso por zona privada e por água, é complicado", diz Palma. No entanto, os arqueólogos estão confiantes de que podem ser resolvidos porque sabem que o local "tem uma vertente histórica, arqueológica e para os crentes, um simbolismo que vai mais longe".


Tradução: Point Rhema



Glossário:

Domus: A domus era a residência urbana das famílias abastadas na Roma Antiga, e, portanto, na sua maioria, das patrícias, nome pelo qual é denominada a nobreza romana.

Decumanus maximus: Quando havia mais que uma via orientada no mesmo sentido, uma delas, a mais importante, passava a ser designada por Decúmano Máximo (em latim: Decumanus Maximus), que habitualmente ligavam a Porta Pretória (nos acampamentos militares a porta mais próxima do potencial inimigo) à Porta Decumana (a porta mais afastada do potencial inimigo).

In Situ:que está em seu lugar natural ou normal (diz-se de estrutura ou órgão).

Chrismon: Anagrama de Jesus Cristo formado pelas letras P e X, as duas iniciais de seu nome em grego (Χριστός («Khrīstós») sobrepostas

Abertura zenital: Iluminação zenital é a entrada de luz natural em um ambiente por meio de pequenos ou grandes aberturas na cobertura.

Pátera ritual: (em latim: patera; plural: paterae) era um prato longo e raso usado para beber, ou um cálice usado primariamente no contexto de um ritual como uma libação. Estas páteras eram usadas com frequência em Roma

Vicarius hispaniarum: Administração eclesiástica, ordem, ministério










quarta-feira, 12 de abril de 2023

População da Espanha está se tornando cada vez menos religiosa




ESPANHA - Mesmo entre aqueles que se identificam como religiosos, a maioria agora não é praticante.


O número de pessoas sem religião na Espanha atingiu um recorde histórico, de acordo com um novo relatório.

O relatório, publicado no mês passado pela Fundação Ferrer i Guardia, constatou que os não religiosos atingiram 39,3% da população em 2022, um salto dramático de 27,5% em 2019, antes do início da pandemia.

Comentando as conclusões, a fundação disse que a pandemia “acelerou o processo de secularização” na Espanha.

O número dos que se identificam como ateus, agnósticos ou simplesmente indiferente à religião é ainda maior entre os espanhóis mais jovens – 57,9% dos 25 a 34 anos, e sobe novamente para 60,3% entre os 18 a 24 anos.

Os não-religiosos cresceram quase ano a ano na Espanha desde 1980, quando somavam apenas 8,5% da população no país tradicionalmente católico.

Mesmo entre aqueles que se identificam como religiosos, a maioria agora não é praticante, disse o relatório.

No ano 2000, 60% dos que se diziam religiosos praticavam sua fé, contra 40% dos que não o faziam.

Em 2022, isso mudou drasticamente, com 64,2% dos espanhóis que se identificam como religiosos dizendo que não praticam sua fé.

"Desde março de 2020 e o bloqueio da Covid, o número de não religiosos aumentou consideravelmente. Mesmo após o fim da crise da saúde, a tendência continuou crescendo de forma mais gradual", disse a fundação.

Menos religião na escola

O relatório também mostra um aumento no número de alunos que realizam atividades alternativas às disciplinas religiosas nas escolas primárias e secundárias.

Quatro em cada dez alunos não estudam religião na escola ou no ensino médio. A Catalunha e o País Basco são as regiões com menor demanda de educação religiosa, com cerca de 60% dos alunos optando por outras disciplinas.

Além disso, apenas 19,2% dos alunos na Espanha estão matriculados em escolas religiosas privadas, a grande maioria das quais católicas. As regiões com maior porcentagem de alunos em escolas católicas são La Rioja, Castilla y León e País Basco.

Mais casamentos civis

Segundo o relatório, também continua aumentando o número de espanhóis que preferem o casamento civil. Especificamente, oito em cada dez.

No entanto, a organização refere também que se registou um aumento do número de casamentos confessionais "uma vez ultrapassadas as restrições sanitárias da Covid-19", situando-se nos 16,6%.

Devido às próximas eleições regionais e municipais de 28 de maio, a fundação emitiu um manifesto, juntamente com o relatório, no qual apela para a "garantia da liberdade de consciência e a igualdade de tratamento".

Entre outras coisas, propõem às partes que ponham fim à isenção fiscal da Igreja Católica e "que promovam a igualdade de tratamento para todas as opções de consciência".

Folha Gospel com informações de Evangelical Focus

quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

Espanha: Deputados aprovam mudança de sexo em menores



Projeto prevê que crianças a partir de 12 anos alterem nome e gênero em documentos


Deputados espanhóis aprovaram, nesta quinta-feira (22), um projeto de lei que admite que menores de 16 anos mudem de sexo sem a necessidade de qualquer autorização de parentes com mais idade. O texto agora vai para o Senado nas próximas semanas e, se for aprovado, fará da Espanha um dos poucos países que permitem a autodeterminação de gênero mediante, apenas, solicitação pessoal. Ou seja, sem que seja preciso a autorização de um responsável.

A reivindicação é uma proposta capitaneada pelo partido de esquerda radical Podemos, cujo líder é o socialista Pedro Sánchez.

A ministra da Igualdade, Irene Montero, entende que esse é um direito que qualquer um deve ter acesso, até mesmo os menores de idade.

– As pessoas trans e a comunidade LGBTI não podem esperar mais para o reconhecimento de todos seus direitos – defendeu Montero, que afirmou sacrificar a própria pele para que o texto seja aprovado.

As pessoas maiores de 16 anos também poderão alterar o nome, a definição de gênero na documentação, sem que haja a necessidade de qualquer declaração médica comprovando "disforia de gênero" ou comprovação de tratamento hormonal, como é de praxe atualmente.

No combo de mudanças inseridas na lei também está a permissão para que jovens a partir de 12 anos possam requerer a alteração em seus documentos, mas sob condições que ainda estão sendo discutidas.


Fonte: Pleno News

sábado, 10 de dezembro de 2022

Quase 8.000 municípios ainda não têm presença evangélica na ESPANHA, apesar do crescimento


Na última década, o crescimento evangélico continua, embora a população evangélica ainda não chegue a 1% em nível nacional.


Na última década, o número de locais de culto evangélicos continuou crescendo em toda a Espanha.

Segundo dados oficiais do governo, que através do Observatório do Pluralismo Religioso estuda a constituição das minorias religiosas em todo o país, existem 4.348 locais de culto evangélico na Espanha.

Máximo Álvarez, diretor de Evangelismo a Fondo (EVAF, Evangelismo em Profundidade), confirma este número.

Durante vários anos, a EVAFD realizou um trabalho estatístico especialmente focado em apresentar os lugares relevantes da Espanha onde não há presença evangélica estável.

Através dos mapas e dos dados que eles oferecem, as missões nacionais e estrangeiras, assim como as igrejas nativas, podem entender melhor o contexto de cada província e planejar suas iniciativas missionárias de acordo.

"Dos 8.130 municípios da Espanha, chegamos a apenas 940. Isso é um holofote brilhando forte na nossa frente. Então, o que fazemos com isso? Há muito a ser alcançado", disse Álvarez ao site de notícias espanhol Protestante Digital em entrevista.

Álvarez incentiva as igrejas locais a pegarem um dos mapas da EVAF e usá-los para orar pelos lugares próximos, para que seja "um alento" para planejar sua ação missionária.

"Temos que planejar como desenvolver a plantação de igrejas, para ir e fazer discípulos. É isso que nos move. Por isso publicamos o mapa nacional e os mapas regionais".

O missiólogo destaca que "isso não é só para nós, mas também para as missões estrangeiras. Em cada província você pode ver os lugares onde não há igreja. Isso pode motivar as pessoas a virem, conhecerem a região, conversarem com as igrejas próximas".

Crescimento sustentado

Na última década, o crescimento evangélico continua, embora as estatísticas da EVAF mostrem que a população evangélica ainda não chega a 1% em nível nacional.

"Estimamos que a média de fiéis nas igrejas evangélicas seja de quase cem", diz o diretor da EVAF. Esse número leva a um número aproximado de 420.000 evangélicos na Espanha.

"As crises de 2008 e 2012 afetaram muito", acrescenta Álvarez. Ele se refere principalmente ao fato de que muitos dos evangélicos que vieram da América Latina para a Espanha nos primeiros anos do novo século voltaram para seus países por causa das dificuldades econômicas.

O crescimento nesta década, portanto, foi ascendente, mas sem a intensidade dos primeiros anos do século.

Mas Máximo Álvarez está muito otimista porque "há denominações evangélicas com liderança majoritariamente espanhola, como a União Batista Espanhola (UEBE), que está mostrando um espírito entusiasta para alcançar novos lugares".

Além disso, "ministérios de plantação de igrejas como La Plaza (The Square), M4, Multiplication Network, Disciple Makers estão nos ajudando a entender que toda a igreja tem a missão de fazer discípulos".

"Existem organizações missionárias da Noruega, Holanda, Estados Unidos, Alemanha e França que veem a Espanha como um lugar onde podem fazer missões. Eles olham os mapas e entendem que há uma necessidade. É um terreno difícil, mas cada vez mais pessoas querem vir. É necessário".

Jovens, a chave "interdenominacional"

Outro fator que Álvarez destaca é o movimento interdenominacional na Espanha e a importância de envolver os jovens "a partir dos quinze anos".

O diretor da EVAF acredita que "as propostas de evangelização devem ser levadas aos encontros juvenis, para mostrar-lhes que existe uma grande missão da qual são chamados a participar".

"Vemos que a igreja evangélica na Espanha está mudando de cara. Está se tornando cada vez mais interdenominacional e cada vez mais intercultural. Há milhares de jovens estrangeiros em Espanha que também temos de alcançar", acrescenta.

Alvarez também destaca que "precisamos dar mais espaço às mulheres nas equipes de plantio. Estaríamos cometendo um erro se não pensássemos nisso".

"Temos muitas pessoas nas igrejas ouvindo, todos os domingos, e não estão ativas. Temos que mudar isso: nos próximos cinco anos precisam surgir muitos plantadores e plantadores auxiliares", e isso envolve uma necessidade de treinamento, algo que já está sendo abordado por várias igrejas e ministérios na Espanha.

Folha Gospel com informações de Evangelical Focus

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