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sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Progressista, primeira mulher a chefiar a Igreja Anglicana causa novo cisma



No começo do mês, a bispa Sarah Mullally, de 63 anos, foi eleita a primeira mulher a ocupar o cargo de arcebispa da Cantuária (Canterbury). Isso significa que agora ela é a líder espiritual da Igreja Anglicana, presente em 165 países e com cerca de 95 milhões de fiéis.


O anúncio deve acentuar a divisão na Igreja Anglicana, que já passava por um processo de cisão interna. A liderança anglicana na Nigéria, por exemplo, declarou independência espiritual da Igreja da Inglaterra, rejeitando a nomeação da bispa Sarah Mullally como nova arcebispa de Cantuária. Segundo o comunicado, seu apoio ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e sua ascensão como primeira mulher a ocupar o cargo representam um preocupante declínio moral na liderança da Comunhão Anglicana.


A escolha não surpreende quem acompanha a guinada progressista da denominação, mesmo em pautas que contrariam os ensinamentos evangélicos. A própria postura de Mullally é controversa por si, independentemente de ser ela mulher.


Por exemplo: em janeiro deste ano, após uma votação pelo Parlamento Inglês colocar fim à punição por aborto para a mãe (em qualquer estágio da gestação), a então bispa de Londres se referiu às "mulheres que enfrentam gestações indesejadas" como quem se vê "diante de decisões difíceis" e que, por isso, "não deveriam ser processadas".


Em vez de defender as leis que preservam a vida do bebê em qualquer estágio de gestação, ela destacou que a emenda aprovada "coloca em risco as salvaguardas e a aplicação dos limites legais existentes".  Segundo Mullally, as mudanças na legislação relacionadas ao aborto não deveriam ser realizadas "por meio de uma emenda a outro projeto de lei", mas sim por meio de "consulta pública e um processo parlamentar robusto".


Já em relação à união de pessoas do mesmo sexo, em 2023 ela apoiou a aprovação de bênção para as uniões por parte da Igreja da Inglaterra, embora a Igreja ainda mantenha a proibição de realizar casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Mullally descreveu essa decisão como "um momento de esperança" para a igreja. Ela também afirmou que a igreja deve refletir sobre sua tradição e escritura para oferecer uma resposta inclusiva.


Enfermeira, casada e mãe de dois filhos


Sarah Mullally é casada com Eamonn Mullally desde 1987. Ele atua como arquiteto de TI e empresário, e o casal tem dois filhos adultos, Liam e Grace. Em 2010, Mullally concedeu uma entrevista à Church Times, na qual fala em primeira pessoa sobre sua trajetória. Ao explicar a decisão de se tornar enfermeira em vez de médica, ela afirmou que buscava oferecer um "cuidado holístico".


Formada pelo Saint Thomas’s Hospital e graduada no South Bank Polytechnic, Mullally iniciou uma carreira típica na enfermagem, mas rapidamente avançou em posições de liderança. Em 1999, tornou-se enfermeira sênior do governo, assessorando o então primeiro-ministro Tony Blair, ministros e altos funcionários sobre políticas nacionais de saúde. Ao comentar essa conquista, ela lembra que gerou polêmica por ser jovem para o cargo, mas atribui seu sucesso às "mudanças implementadas pelo governo trabalhista".


Posteriormente, Mullally deixou o serviço público para seguir o sacerdócio. "A decisão de deixar o Departamento de Saúde para ser ordenada foi a maior da minha vida, dificultada pelos comentários negativos que recebi", declarou.


Disléxica e leitora de "A Cabana"

 

Embora afirme ser disléxica e que "as palavras parecem escapar das páginas" ao ler, Mullally recomendou livros na entrevista à Church Times. "Recentemente, reli O Elefante e a Pulga, de Charles Handy, sobre liderança: grandes organizações são lentas, poderosas e resistentes; pulgas são ágeis, vulneráveis e irritantes. Vejo-me mais como uma pulga agora", comentou na ocasião.


O livro, que ela leu pelo menos duas vezes, trata de economia e gestão sob uma abordagem sociológica e comportamental, explorando como indivíduos, pequenas empresas e grandes organizações interagem no contexto econômico moderno.


"Leio muita teologia, que fundamenta minhas ações, e me inspiro em livros de Desmond Tutu e em A Cabana, de William P. Young, que desafiam ideias preconcebidas sobre Deus e a Igreja", confessou Mullally.


Desmond Tutu (1931–2021), ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 1984, foi arcebispo anglicano sul-africano e ativista dos direitos humanos, conhecido mundialmente por sua luta contra o apartheid. Ele também foi um dos primeiros líderes religiosos anglicanos a apoiar abertamente a pauta LGBT, incluindo o casamento entre pessoas do mesmo sexo.


Já A Cabana é um romance espiritualista que mistura cristianismo e ficção, no qual o personagem principal dialoga com Deus Pai, Jesus Cristo e o Espírito Santo, todos apresentados em formas humanas. Deus Pai, por exemplo, é retratado como uma mulher negra no livro.


Outra pauta de esquerda em discussão na Igreja Anglicana é o uso de linguagem neutra para se referir a Deus. Desde 2023 espera-se uma definição da comissão formada para explorar os termos de gênero usados para se referir a Deus em sua liturgia autorizada. Apesar das mudanças provocarem divisões internas e críticas dos que defendem a preservação da tradição teológica, Mullally ainda não se pronunciou a respeito.


O cisma na Igreja Anglicana


O cisma que divide a Comunhão Anglicana vem se intensificando ao longo das últimas duas décadas. Como consequência, os anglicanos se fragmentaram em blocos teológicos e geográficos. Esses blocos, por sua vez, praticamente não reconhecem mais a autoridade do arcebispo da Cantuária, o que transforma a unidade institucional em algo quase simbólico.


O ponto de ruptura moderno remonta a 2003, quando a Igreja Episcopal dos EUA consagrou Gene Robinson, bispo assumidamente homossexual, provocando reação de províncias conservadoras na África, Ásia e América Latina. Como resposta, surgiu o movimento GAFCON (Global Anglican Future Conference), que busca manter a fidelidade à doutrina bíblica tradicional sobre sexualidade, casamento e autoridade das Escrituras.


Atualmente, a Comunhão Anglicana se organiza como uma federação informal de províncias autônomas, dividida entre o eixo liberal do Norte Global e o eixo mais conservador do Sul Global. Muitas dioceses africanas e latino-americanas, a exemplo da Nigéria, Uganda, Quênia e Ruanda, que se reorganizaram em novas jurisdições, no chamado "Realinhamento Anglicano", originando denominações como a Igreja Anglicana na América do Norte (ACNA) e a Igreja Anglicana no Brasil (IAB).


"Papisa" não é o termo correto


Em quase cinco séculos de história, esta é a primeira vez que uma mulher ocupa o cargo máximo da Igreja da Inglaterra. Desde o anúncio, parte da imprensa passou a chamá-la de "papisa", em referência à posição central do arcebispo da Cantuária dentro da Comunhão Anglicana. O termo, porém, é impreciso e não corresponde à estrutura teológica nem à organização institucional do anglicanismo.


Na Igreja Católica, o papa é o chefe supremo e visível de toda a Igreja, considerado sucessor de São Pedro e dotado de autoridade universal quando se pronuncia ex cathedra — ou seja, oficialmente — sobre questões de fé, moral e disciplina. Somado a disso, o papa exerce poder direto sobre bispos e dioceses, define doutrinas, nomeia cardeais e governa a Igreja de forma centralizada, a partir do Vaticano.


No caso da Igreja da Inglaterra, a lógica é completamente diferente. O arcebispo da Cantuária é o primaz da província inglesa e o líder espiritual simbólico da Comunhão Anglicana. Sua função é descrita como a de primeiro entre iguais (primus inter pares), expressão que indica primazia de honra, e não de autoridade. As províncias anglicanas, espalhadas pelo mundo, são autônomas em doutrina, disciplina e liturgia, e não estão subordinadas ao arcebispo da Cantuária.


Além disso, o cargo é de natureza institucional, não soberana. A escolha do arcebispo envolve um processo de consulta entre bispos e leigos e depende da aprovação formal do monarca britânico, que detém o título simbólico de "governador supremo" da Igreja da Inglaterra. Mullally, portanto, não recebeu autoridade universal sobre o anglicanismo.


A primeira mulher ordenada


Na Bíblia, há a referência a uma carta de São Paulo aos Coríntios em que o apóstolo escreve: As mulheres estejam caladas nas igrejas, porque não lhes é permitido falar, mas devem estar submissas, como também ordena a lei (1 Coríntios 14,34). Apesar dessa proibição expressa, a ordenação de mulheres na Igreja Anglicana teve início em 1944, quando um bispo de Hong Kong ordenou Florence Li Tim-Oi.


A carência de sacerdotes durante a Segunda Guerra Mundial levou à polêmica ordenação feminina. A reação contrária de líderes anglicanos fez com que ela renunciasse dois anos depois, em 1946. Com o tempo, no entanto, o gesto pioneiro acabou se consolidando: os Estados Unidos reconheceram oficialmente o sacerdócio feminino em 1976, seguidos pela Inglaterra em 1994. Já a consagração de bispas foi permitida apenas em 2015. Entre as beneficiadas está Sarah Mullally, ordenada em 2002 e nomeada bispa de Londres em 2018.


História da Igreja Anglicana


A Igreja na Inglaterra manteve-se unida a Roma durante seus primeiros séculos, mesmo com o isolamento geográfico e as dificuldades de comunicação. A evangelização dos anglos começou com a missão de Santo Agostinho de Cantuária, enviada por São Gregório Magno, que fundou a sé episcopal de Cantuária e consolidou o cristianismo na região. Desde cedo, porém, os reis ingleses tentaram submeter a Igreja ao poder real, o que gerou conflitos e martírios, como os de São Tomás Becket e Santo Anselmo, que defenderam a autonomia e os direitos do Papa frente ao absolutismo monárquico.


Com o enfraquecimento da autoridade papal a partir do século XIV e o crescimento das tensões políticas na Europa, a Inglaterra tornou-se terreno fértil para o cisma. O rompimento definitivo com Roma ocorreu no século XVI, sob o reinado de Henrique VIII. Desejando anular seu casamento com Catarina de Aragão, o rei teve seu pedido negado pelo Papa. Em represália, declarou-se "Chefe Supremo da Igreja na Inglaterra", fundando uma nova religião nacional — o anglicanismo. O monarca ordenou a execução de opositores como São Tomás Morus e São João Fisher, e iniciou uma violenta perseguição contra os católicos fiéis a Roma.


A filha de Henrique, Maria Tudor, restabeleceu temporariamente a união com a Igreja Católica, mas sua morte levou ao trono sua meia-irmã Isabel I, filha de Ana Bolena. Protestante convicta, Isabel consolidou o cisma, restabeleceu o anglicanismo e perseguiu duramente os católicos, incluindo sua prima Maria Stuart, executada por ordem da rainha. Sob seu governo, a Inglaterra se tornou oficialmente protestante, rompendo de vez com Roma.


Fonte: Gazeta do Povo

quarta-feira, 2 de agosto de 2023

Marcha para Exu: adeptos se dividem e evento sofre boicote dos próprios devotos

A liberdade religiosa é um direito no Brasil, que constitucionalmente possui um regime de governo laico.

Esse é o motivo pelo qual, assim como evangélicos organizam anualmente a Marcha para Jesus, adeptos de outras religiões também podem resolver criar a Marcha para Exu, como prendem este ano.

O organizador da marcha que faz referência a uma entidade cuja verdadeira natureza, para os cristãos, é demoníaca, acredita que pode apresentar outro entendimento a esse respeito durante o evento.

"Poderia ter escolhido outro orixá, mas quero mostrar para o mundo que Exu não é o diabo", diz Jonathan Pires, de 31 anos e responsável pela organização da marcha. "Exu é vida, respeito, amor. Em nome de Exu, vou carregar toneladas de alimentos para quem precisa."

Prevista para acontecer no próximo dia 13 na Avenida Paulista, a marcha para Exu visa reunir adeptos de religiões como o candomblé e a umbanda, além de simpatizantes. Contudo, logo após divulgar a iniciativa, Jonathan passou a ser boicotado por alguns dos devotos da sua própria religião.

Bolsonarista?

Isso, porque, um perfil divulgou nas redes sociais que Jonathan teria apoiado o ex-presidente Jair Bolsonaro. "Pra quem tá animado para essa tal Marcha Para Exu, pesquise muito bem quem está organizando e seus seguidores. Aliás, essa postagem aqui ele apagou, por que será, né?", criticou uma pessoa no Instagram.

Outro motivo das críticas se deve ao convite do Capitão Silva Rosa, que é umbandista, para participar da marcha para Exu. Ele também apoiou o ex-presidente Jair Bolsonaro durante o seu mandato e nas eleições.

Após a repercussão do projeto entre a comunidade de terreiro, o print de uma suposta publicação feita por Jonathan em apoio ao ex-chefe do Poder Executivo circulou pela web. Em seguida, o coletivo Umbanda de Verdade divulgou uma nota contrária à Marcha Para Exu. No texto, o grupo alega que o organizador do evento é apoiador do ex-presidente da república Jair Bolsonaro. "Não sabemos quais são os reais interesses que estão por trás desse movimento, uma vez que as ideologias bolsonaristas são incompatíveis com os valores umbandistas ou de qualquer outra religião de matriz africana", afirma o texto.

Pires, por sua vez, negou qualquer apoio a Bolsonaro, argumentando ainda que o evento previsto para o dia 13 será apartidário.

"Não existe essa postagem, não tem nada a ver com a Marcha Para Exú. Acredito eu que você não encontrou uma publicação, você encontrou pessoas fazendo alvoroço com a minha imagem", disse ele, segundo o Em OFF.

"Tão fazendo com o Lula, tão fazendo com o Bolsonaro. Estão tentando queimar de alguma maneira. Não tenho envolvimento político, minha palavra não faz curva. Povo quer de qualquer jeito tentar me desestabilizar."

Com informações: Gospel+ e EM OFF

sábado, 3 de junho de 2023

4 mil igrejas já abandonaram a convenção Metodista por rejeitarem a teologia inclusiva

Um cisma histórico envolvendo o zelo pela doutrina bíblica está abalando a Igreja Metodista Unida (UMC) nos Estados Unidos, e até agora, mais de 4 mil congregações decidiram se desfiliar da denominação.

As igrejas que mais recentemente confirmaram a desfiliação formam um grupo da região de Baltimore, no estado de Maryland, e da região de Washington, DC.

Ao todo, 23 igrejas submeteram o assunto a votação e a decisão da ampla maioria dos membros foi abandonar a UMC, se juntando a milhares de outras congregações que seguiram o mesmo caminho.

A discórdia

No papel, a Igreja Metodista Unida se mantém conservadora na doutrina, rejeitando a homossexualidade por considera-la "incompatível com o ensino cristão".

O Livro de Disciplina da UMC proíbe a união entre pessoas do mesmo sexo, assim como a ordenação de homossexuais ao ministério pastoral se estes não forem celibatários.

Na prática, gays e lésbicas celebram suas uniões afetivas nos templos e até mesmo sacerdotes assumidamente homossexuais têm sido ordenados ao ministério.

O problema vem se arrastando ao longo dos últimos anos, já que uma ala da UMC quer impor uma mudança da postura oficial.

Em 2020, um grupo de metodistas com diferentes visões teológicas propôs um acordo em que a UMC repassaria fundos para que eles pudessem criar uma nova denominação conservadora sobre o tema da sexualidade, enquanto os progressistas ficariam livres para mudar o Livro de Disciplina e abraçar a teologia LGBT de vez.

Entretanto, por causa da pandemia, essa discussão foi adiada para março de 2022, mas a UMC novamente adiou o debate para 2024, o que causou irritação em muitas congregações, que passaram a romper com a denominação e fundaram a Igreja Metodista Global (GMC).

Em 2022, algumas congregações enfrentaram oposição da UMC para se desfiliar. Em vários estados dos EUA, centenas de outras igrejas levaram adiante suas decisões de se desligar da denominação por não compactuarem com o relativismo diante do liberalismo teológico.

Debandada

Uma das igrejas que optou por abandonar a UMC é a Asbury United Methodist Church, que se tornou conhecida no mundo inteiro por conta de um avivamento iniciado na capela da faculdade, episódio que ficou conhecido como o "Avivamento de Asbury".

Nesse ambiente de divisão, a lista de igrejas que decidiram sair da UMC vem crescendo, mesmo com o risco de essas congregações enfrentarem processos longos e custosos. Por isso, estão optando por se afastar da UMC para defenderem a doutrina bíblica.

Segundo informações do portal The Christian Post, é esse o caso das igrejas que votaram pela saída da Conferência UMC Baltimore-Washington e deverão pagar quase US$ 11 milhões de indenização, valor correspondente a 50% das propriedades onde estão os templos. Há divergências sobre a forma e o prazo para essa quitação, o que deve levar as igrejas aos tribunais.

Fonte: Gospel+

quarta-feira, 17 de maio de 2023

Cerca de 70 congregações filiais rompem com a Lagoinha Global



Pastor discorda de André Valadão e leva congregação a romper com a Lagoinha


Desde que o pastor Márcio Valadão, que liderou a Igreja Batista da Lagoinha por meio século (50 anos) em Belo Horizonte, transferiu o posto de liderança para o filho e também pastor André Valadão, a denominação vem passando por algumas mudanças internas.

Nos últimos dias, por exemplo, chamou atenção a notícia de que ao menos 70 filiais da igreja decidiram romper o vínculo com a sede global, responsável pela administração de 700 igrejas em 14 países, todas sob a liderança global de André Valadão.

Uma delas foi a então filial liderada pelo pastor Júlio Toledo, na Pampulha, também em Belo Horizonte. A denominação, agora, se chamará Pampulha Church. A informação foi dada pelo próprio líder local ao anunciar a ruptura com a Lagoinha mãe.

O vídeo onde Toledo aparece anunciando a ruptura viralizou nas redes sociais e rapidamente causou alvoroço entre os mais apressados em criticar a denominação, especialmente o pastor André, que nos últimos anos tem feito questão de se posicionar em defesa dos princípios conservadores da fé cristã.

O pastor Toledo, contudo, explicou em outra gravação que "não houve rebelião" por parte das 70 igrejas que resolveram se desfiliar da Lagoinha. Ele explicou que a decisão pela ruptura partiu de um longo processo de discussão, fruto da discordância com relação à visão de André Valão sobre o futuro da denominação.

"Cuidar de pessoas"

Embora não tenha dito explicitamente, o posicionamento de Júlio Toledo deu a entender que a igreja liderada por ele, bem como as demais que se desfiliaram da Lagoinha, não estariam concordando com a visão supostamente expansionista de André Valadão.

Toledo frisou que o seu grande objetivo é "cuidar de pessoas", e que para isso é preciso focar em iniciativas mais simples junto aos bairros. O pastor também fez questão de destacar que André Valadão "é um homem de Deus" e que a sua conversão se deu durante um culto ministrado pelo colega.

Toledo também exaltou o ministério do pastor Márcio, dizendo que ele é a sua maior referência ministerial no Brasil. O líder da agora Pampulha Church, por fim, conclui enfatizando que não houve briga entre os líderes dissidentes da Lagoinha, mas apenas um acordo recebeu a "bênção" da liderança.

Fonte: Gospel+

Assista aqui:

quarta-feira, 6 de julho de 2022

“O mundo não vai crer se estivermos divididos”, diz Francis Chan em apelo à unidade


O pastor lamentou a divisão entre cristãos e fez um apelo à unidade durante o The Send Norway.

O pastor Francis Chan lamentou a divisão entre cristãos em sua pregação no The Send Noruega, no sábado passado (25), e fez um apelo à unidade: “Essa é a única forma de convencer o mundo.”

Falando a milhares de jovens em um evento considerado “histórico” no país com alto índice de ateus, Francis Chan lembrou da oração de Jesus Cristo pela unidade da igreja, registrada no Evangelho de João.

Como tu, ó Pai, estás em mim e eu em ti, também eles estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste”, diz o texto de João 17:21.

Chan disse então ao público: “Acabamos de levantar os nossos sapatos e dissemos: ‘Aqui estou, me envie!’ e o The Send é sobre isso mesmo. Mas se todos nós levantarmos os sapatos e individualmente ir para onde Deus está nos chamando, não vai funcionar. Porque se você estudar o Novo Testamento, não é sobre ‘aqui estou, me envie’, é sobre ‘aqui estamos, nos envie’”.

Ele então lembrou do princípio ensinado por Jesus em Mateus 12: um reino dividido contra si mesmo não subsistirá.

Por que a igreja está se desmoronando em tantos lugares? Porque os crentes estão fofocando sobre si mesmos, escrevendo críticas em artigos e destruindo uns aos outros. Não estou dizendo que não podemos discordar em algumas coisas, mas deveríamos dialogar em humildade e gentileza como a Bíblia nos chama a fazer”, afirma.

Francis Chan em ministração no The Send Norway. (Foto: Guiame/Marcos Paulo Correa)

A Bíblia nos manda a ansiar pela unidade da fé. Mas se vocês se dividirem contra vocês mesmos, esse reino não subsistirá. E foi por isso que Jesus orou no fim de sua vida”, acrescentou o pastor. “O mundo não vai crer se estivermos divididos. Este reino não vai subsistir.”

Unidade bíblica

Em um mundo e uma cultura polarizada, Francis faz um apelo à igreja para viver uma unidade bíblica: “Não é unidade a custo da verdade, não é unidade a custo da santidade, é uma unidade de Deus.”

Em sua oração, Jesus declara que transmitiu a seus seguidores a glória que o Pai deu a Ele, “para que sejam um”, “a fim de que sejam aperfeiçoados na unidade”. “Essa é a única forma de convencer o mundo, não é tendo um espírito crítico em vez de ter um espírito amoroso”, Francis voltou a ressaltar.

O pastor disse que é importante que haja correções de pecados, mas acredita que há uma forma correta de se fazer isso. “Haverá momentos em que eu talvez esteja em pecado ou em erro e você precise me confrontar, mas nós fazemos isso em amor, em gentileza e em humildade, porque não queremos destruir o que Deus está edificando”, disse.

Em sua experiência na Noruega, onde diversas denominações cristãs foram reunidas em um evento, Francis diz que sua esperança pela unidade foi reacesa: “Pela primeira vez na vida, estou acreditando que isso pode acontecer”.

Francis Chan em ministração no The Send Norway. (Foto: Guiame/Marcos Paulo Correa)

Eu sinto que há uma geração que diz: ‘Eu não quero mais ser rotulado como batista, eu nem gosto do nome pentecostal ou católico romano. Eu só quero me prostrar diante desse Deus Santo. Eu só quero me ajoelhar e tremer diante Dele e dizer o quão maravilhoso Ele é por ter enviado Seu filho para morrer por mim.

Por fim, o pastor destacou: “Há uma promessa na Palavra de Deus: se vocês lutarem lado a lado pelo Evangelho, isso vai mudar o mundo. Não um bando de pessoas em suas missões individuais, mas todos nós juntos, lutando para nos tornarmos um. Eu te garanto que quando vocês saírem daqui, o inimigo vai tentar dividir vocês, e ele vai usar a boca e a escrita de muitos crentes. Mas você sabe o que a palavra de Deus diz? Essa é a nossa única chance!

Fonte: Guiame

terça-feira, 11 de janeiro de 2022

Por que Paulo não fundou uma Igreja separada da de Pedro?


Pedro era um simples pescador. Tu eras um intelectual.

Pedro quase nem sabia ler e escrever. Tu eras formado e educado aos pés de Gamaliel (At 22,3) e conhecedor até de línguas que Pedro não conhecia.

Tu escrevias coisas difíceis a Pedro de entender (2Pd 3,16).

Tu tinhas dons tão extraordinários do Espírito Santo.

Tu tivestes até que corrigir Pedro, por causa de seu duplo procedimento (Gl 2, 11.14).

Tu evangelizastes mais que os doze apóstolos juntos. Formastes muito mais colaboradores do que Pedro.

Em tudo, parecias muito mais sábio, dinâmico e eficaz do que Pedro.

Então, Paulo, por que não formastes tua própria Igreja, já que Jesus Cristo te iluminou e pessoalmente te revelou seu Evangelho?

Tu fostes arrebatado até o terceiro céu (2Cor 2, 12). O que te faltava? Por que caminhar a passos tão lentos?

Por que não fundastes a tua Igreja?

Poderias ter escolhido um nome assim: "Igreja de Jesus Cristo Glorioso", ou "Igreja Paulina por ordem de Jesus Crucificado". O nome poderia variar.

Continue lendo no blog do autor: CRISTIANISMO RADICAL

segunda-feira, 22 de junho de 2020

Divisão na Igreja Católica abre caminho para Bolsonaro negociar com veículos de comunicação simpáticos ao governo


Felipe Frazão

Portal Terra


O flerte entre o presidente Jair Bolsonaro e veículos de comunicação católicos simpáticos ao governo representa uma investida do Palácio do Planalto na divisão latente na Igreja.
De um lado, conservadores alinhados ao governo, principalmente aqueles ligados à Renovação Carismática Católica, e, de outro, progressistas e críticos do bolsonarismo vinculados à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
Episódios recentes marcaram uma escalada no tensionamento. A presença constante de Bolsonaro nos protestos antidemocráticos e a posição dele às recomendações sanitárias no combate à pandemia da covid-19 fizeram a CNBB elevar o tom contra o governo e dizer que o presidente "ameaça a saúde" e perdeu "credibilidade" social.
Entidades ligadas ao episcopado defenderam o impeachment. "A hora é de unidade dos humanistas, democratas e movimentos sociais para o afastamento do presidente e modificação deste governo que ameaça a vida e que deseja destruir a Constituição e a democracia", conclamou a Comissão Brasileira Justiça e Paz.
A fissura ficou evidente no texto do bispo de Vacaria (RS), d. Silvio Guterres Dutra que causou furor nas redes sociais. Ele acusou o presidente de disseminar "divisão e confusão" e repreendeu os atos com tom religioso nos arredores do poder. "Infelizmente, alguns dos chamados 'apoiadores' de Bolsonaro têm protagonizado verdadeiras cenas farisaicas de orações públicas, de flagrante falsa veneração às imagens sacras de Nossa Senhora de Fátima e do Jesus da Divina Misericórdia no intento de dar legitimidade aos seus pensamentos" , afirmou o bispo.
Padres identificados com movimentos de leigos (católicos praticantes não ordenados) conservadores e carismáticos, por outro lado, se aproximaram do Planalto. Eles têm tido resultado. Bolsonaro apelou ao discurso religioso desde a eclosão da pandemia. Convocou um dia nacional de jejum, rezou ajoelhado na portaria do Palácio da Alvorada, ergueu uma imagem de Jesus Misericordioso na rampa do Planalto e promoveu videoconferências com líderes religiosos na Páscoa, com evangélicos e católicos, à margem da CNBB.
Ex-assessor da CNBB, o padre Manoel de Godoy, doutor em Teologia, diz que a Igreja nunca foi uníssona, mas sempre buscou a unidade entre as correntes internas – uma delas a dos carismáticos, movimento que fez, para ele, uma adesão política oportunista e contrária ao apartidarismo que pregava antes. "A renovação carismática, sempre tão rigorosa na sua linha moral, quando lhe interessa aceita qualquer coisa. O presidente nunca foi praticante de religião nenhuma", analisou Godoy.

"A RCC sempre condenou outra parte da Igreja que tinha vínculos com partidos, políticos e luta social, achava que não era dever da Igreja se meter nisso."

Fonte: Portal Terra via Folha Gospel

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Metodistas anunciam plano de dividir denominação entre liberais e conservadores , por conta das questões LGBT


A Igreja Metodista Unida anunciou um plano formal para separar a denominação entre conservadores e liberais, após uma longa discussão teológica sobre o casamento gay.


Um grupo de líderes da Igreja Metodista Unida, a segunda maior denominação protestante nos Estados Unidos, anunciou na última sexta-feira (3) um plano que formalmente divide a igreja, citando "diferenças fundamentais" em relação ao casamento homossexual após anos de divisão.

O plano envolve a divisão da denominação com 13 milhões de membros em todo o mundo — pelo menos metade deles nos EUA — e a criação de uma nova denominação "metodista tradicionalista", que continuaria proibindo o casamento gay, bem como a ordenação de gays e lésbicas no clero.

Segundo o jornal New York Times, é provável que a maioria das igrejas da denominação nos EUA permaneça na Igreja Metodista Unida existente, que se tornaria uma instituição mais liberal, enquanto se desvincula com as congregações conservadoras em todo o mundo.

Uma separação na Igreja Metodista vinha se formando há anos, mas chegou a um impasse em fevereiro do ano passado, quando 53% dos líderes e membros da igreja votaram a favor da proibição do casamento gay, declarando que "a prática da homossexualidade é incompatível com o ensino da religião cristã".

Nos meses seguintes, 16 representantes da igreja se reuniram em um comitê informal que determinou que a separação era "o melhor meio de resolver nossas diferenças, permitindo que cada parte da igreja permanecesse fiel ao seu entendimento teológico".

A Igreja Metodista Unida é a mais recente denominação a sofrer com disputas teológicas a respeito das questões LGBT. Discussões como estas provocaram um êxodo de congregações das igrejas presbiteriana e episcopal nos últimos anos, levando jovens evangélicos e católicos a também deixarem os bancos.

O plano de divisão foi elaborado durante três sessões de mediação em escritórios de advocacia em Washington. As negociações se concentraram principalmente em como alocar os ativos financeiros da igreja e em como criar um processo de separação.

Uma vez que o contrato seja redigido com mais detalhes, deve ser aprovado durante a conferência global da denominação em Minneapolis, em maio.

Embora os tradicionalistas tenham ganho a votação em 2019, são os progressistas que permanecerão sob a bandeira da Igreja Metodista Unida. As igrejas locais escolherão se irão aderir à nova denominação tradicionalista ou permanecerão na Metodista Unida.

Conservadores e progressistas

Enquanto uma pluralidade de metodistas americanos se considera conservadora, de acordo com uma pesquisa do Pew Research Center em 2014, seis em cada dez acreditam que a homossexualidade deve ser aceita e quase metade favorece o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

A Wesleyan Covenant Association, uma rede mais conservadora de leigos, clérigos e igrejas metodistas ortodoxas, está se preparando para essa divisão há anos, segundo seu presidente, Rev. Keith Boyette.

"Pessoas de todas as perspectivas teológicas se cansaram do conflito e não têm uma visão de como ele poderia acabar", disse Boyette. Embora o reverendo discorde profundamente dos "centristas e progressistas" em certos assuntos, ele disse que as pessoas não podem ser compelidas a deixar a igreja metodista. Portanto, os tradicionalistas concordam em fazê-lo voluntariamente.

"Acredito que nosso testemunho e mensagem são muito mais importantes que um nome", disse ele, estimando que cerca de um terço das igrejas americanas poderiam seguir a divisão tradicionalista.

Fonte: Guiame

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Bispo Samuel Ferreira explica divisão histórica das Assembleias de Deus e desabafa: “Eles nos expulsaram de lá”

Bispo Samuel Ferreira é o presidente executivo das Assembleias de Deus Madureira no Brasil e líder da AD Brás.
Bispo Samuel Ferreira, Presidente Executivo das Assembleias de Deus Madureira explicou como aconteceu a divisão histórica das Assembleias de Deus e como eles foram expulsos da CGADB.
A fala foi em julho deste ano de 2019, durante congresso da CIBEN.

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